Mensagens

A mostrar mensagens de abril, 2020

A tradição das "Maias"

Imagem
É tradição em Portugal, com particular enfase no Minho, Douro e Beira Alta, que na noite de 30 de Abril para 1 de Maio, se coloquem à porta ou janelas de casa ramos de giestas amarelas, também conhecidas por “maias”, por florirem em Maio. Leite de Vasconcelos debruça-se sobre o costume português das Maias como “ a mais antiga menção desta festa popular, festa evidentemente naturalística, posto mais ou menos desviada da sua significação primitiva, já pelo próprio Paganismo, já pelo Cristianismo, creio que se acha nestas linhas da Postura da câmara de Lisboa de 1385: «Outro sim estabelecemos que daqui em diante  em esta Cidade  e em seu termo não se cantem as Janeiras nem Maias, nem outro  nenhum mês do ano». A Maia, chamada, também, "Rainha do Maio", ou "Rosa do Maio", era uma boneca de palha de centeio, em torno da qual havia descantes toda a noite (1.º de Maio); outras vezes, uma menina coroada com flores, que se enfeitava com o vestido branco, jóias, etc., sendo c...

Superstições, crendices e lendas I

Imagem
As crenças e superstições na classe piscatória de Âncora não diferiam das outras comunidades marítimas próximas. Esta gente boa e pacata é muito religiosa. Mas também muito ignorante, quer em matéria de religião, quer na compreensão científica da vida e do meio envolvente. E esta igno­rância alia-se facilmente à superstição, daí resultando uma crença obscura de amor e terror a um Deus mistério, de curandice e graças. A posição de defesa perante um ambiente hostil como o trabalho no mar, sempre levou os pescadores a recorrerem a rituais para melhor en­frentarem os perigos quando se viam impotentes e necessitavam de ganhar confiança para sobreviverem. Estes rituais herdados de tradições an­cestrais foram cristianizados depois, embora coexistissem com os elementos reminiscen­tes das crenças celebradas pelos velhos cul­tos pagãos. Os Santos são frequentemente invoca­dos para feitiços e a água benta retira-se furti­vamente da igreja. Apenas a fé continua a ser espontânea, simples e sem entr...

Superstições, crendices e lendas II

Imagem
Os gatos pretos desde sempre foram associados a práticas de magia negra; eram os eternos acompanhantes das bruxas. Daí a superstição de que cruzar com um gato preto, sobretudo em dias considerados de azar, como uma sexta-feira 13, ou encontrá-los à meia-noite junto a uma encru­zilhada, fosse sinal de mau presságio. Um cão a uivar, adivinha morte ou doença nas proximidades. Para que o cão deixe de uivar, deve-se colocar o sapato esquerdo virado para cima. Os sapos eram animais que serviam para a prática de bruxaria. Recor­riam as bruxas a este meio de magia negra como forma de causar a doença ou a morte daqueles que queriam atingir. Desta forma, sacrificavam estes animais com práticas selvagens, como, por exemplo, cozer a boca do mes­mo, acreditando que assim, há medida que o animal ia secando, definhando, acabando por morrer de fome e de sede, a pessoa a quem se destinava o feitiço, seria atingida da mesma forma. Para as bruxas não molestarem, põe-se de fora uma ponta da fralda da cami...

Superstições, crendices e lendas III

Imagem
O mundo dos pescadores era um mundo de luta permanente com as forças da natureza e as forças demoníacas invisíveis que, com a permissão divina, muitas vezes vagueavam para atormentarem os homens, criaturas frágeis perante poderes superiores. A arruda era utilizada como amuleto protector contra o mau-olhado, em defumadores feitos dentro de casa ou colocando um raminho atrás da porta. Havia quem tivesse junto à casa um vaso com esta planta, porque acreditavam que assim afastavam o mal. O alecrim é também considerado um amuleto protector contra o mal, por isso era utilizado em defumadouros. Esta planta tinha ainda proprieda­des curativas, sendo utilizada em mezinhas relacionadas, por exemplo, com o fortalecimento dos cabelos, entre outras. Entre as práticas tradicionais utilizadas na cura, era frequente a prá­tica de rezas, benzeduras, promessas e preces ao santo da devoção, bem como a rituais e amuletos de protecção. As rezas e benzeduras podiam ser feitas simples ou acompanhadas de mezi...

Superstições, crendices e lendas IV

Imagem
O alho é considerado um poderoso amuleto contra feitiços e mau-o­lhado. Utilizar um dente de alho junto ao corpo ou dentro de uma peça de roupa, protege e exorciza qualquer tipo de mal. Por outro lado, é utilizado em muitas mezinhas de cura, quer em pessoas, quer em animais, na cura de doenças diversas entre as quais se cita a papeira, em que a forma de cura era utilizar um colar feito com dentes de alhos ao pescoço. Havia inúmeras superstições, que nada tinham a ver com o mau-olhado como: Quem partir um espelho, terá sete anos de azar; se o galo cantar a desoras, é prenúncio de desgraça certa; não se deve passar por baixo de uma escada, uma vez que traz o azar para quem o faz; se um boi, passando na rua, mugir diante de uma casa, é sinal que algum dos seus moradores morrerá; para desejar sorte e fortuna aos noivos, faz parte da praxe que após o casamento os convidados joguem sobre os noivos bagos de arroz ou pétalas de rosa; o noivo não deve ver a noiva vestida com o vestido de noi­va...

Superstições, crendices e lendas V

Imagem
A lua também tem influência em alguns usos e costumes tanto do meio rural como piscatório. Os pescadores acreditavam que as melhores luas para pescar eram a lua nova e a lua cheia, porque aproximam mais o peixe da costa. Quando uma mulher tem sete filhas e o oitavo é homem, esse menino será lobisomem. Também o será o filho de mulher amancebada com um padre. O lobisomem pode ser alguém a quem “ faltaram palavras no bap­tismo ”, por isso o Credo rezado durante a cerimónia era cuidadosamente recitado pelos padrinhos. A infelicidade de escapar alguma palavra podia acarretar para o afilhado a desgraça de “ correr o fado ”. Também se aplicava à “procissão dos defuntos”, pois acreditava-se que as pessoas que “ viam ” este desfile premonitório da morte, eram vítimas da falta de palavras no Credo rezado durante a cerimónia do baptismo. Na Galicia esta procissão era conhecida por “La Compaña”. O lobisomem durante o dia é uma pessoa normal, mas a altas horas das noites de lua cheia uma força irre...

Superstições, crendices e lendas VI

Imagem
Uma noite, após ter bebido demais, um pescador encontrou-se na laje da praia com a sua sombra que ele afirmava convicto ser o diabo, pois sem­pre que se deslocava para um lado logo o mafarrico vinha para cima dele. Bem lhe dava uns murros mas o diabo defendia-se também com os mesmos gestos. Esfolou os dedos e as mãos que ficaram a sangrar de tanto se atirar sobre a laje a esmurrar a sua própria sombra, tal era a ideia dessas forças demoníacas que os atormentava e se achavam em posição de impotência. Mas, isto, é só para dizer quanto a atitude de defesa faz parte integral da reação natural do pescador, habituado a lidar com um ambiente hostil e traiçoeiro, perante o qual tantas vezes se sente impotente. E, daí, atento a qualquer sinal, recorre a palavras, a gestos, a rituais, numa reação estranha a outros ambientes. Este sentido de defesa também faz dele um tempera­mental, reagindo naturalmente aos impulsos com a impetuosidade das ondas. Um dia, o pescador foi embruxado por uma mulher q...

Superstições, crendices e lendas VII

Imagem
O pescador é um homem de fé à sua maneira. Ele sabe que lida com uma força implacável quando se enfurece e que só do Alto pode esperar o milagre que o pode salvar. Porque, muitas vezes, só por milagre divino consegue escapar. Mas, ao mesmo tempo, os malefícios das bruxas tam­bém entravam no rol de adversidades. E, mais uma vez, há que defumar os homens e as redes para expurgar o mal. E não esquecer de colocar depois o caco numa encruzilhada sem ninguém ver. No mar não, porque o mar é sagrado e não consente coisas impuras. E o resto do defumo contém o mal (a impureza) que expurgou dos homens e das redes. Também um cardo colhido ao pôr-do-sol nas dunas do areal e sem ninguém ver, colocado na masseira afasta a má sorte. E porque não pintar nos testeiros da masseira uma cruz e uma estrela de Salomão? Ou uma fer­radura para fazer renúncias ao diabo? Não fazer nada era resignar-se e sofrer as consequências. Por isso, nunca deixar de saudar Deus à saída e à entrada do Portinho, e nunca falar ...

Não há duas sem três

Imagem
Agora que estamos mais tempo em casa, vemos mais televisão e ouvimos mais notícias, seguimos quase com fervor de telenovela, os disparates diários dos presidentes dos EUA e do Brasil. Inacreditável! Como é que imbecis deste calibre chegam à presidência de dois países, que no seu conjunto representam mais de 500 milhões de almas. Dou um suspiro de alívio porque no meu cantinho à beira mar, temos um estado que funciona, embora com algumas deficiências e temos uma classe política que tem demonstrado responsabilidade e sentido de estado. Bem sei há quem enferme de alguns vícios e insuficiências de caracter, mas regra geral tem dado conta do recado. Por vezes dão uma no cravo, outra na ferradura, mas também ninguém estava preparado para uma pandemia destas. O que interessa é que todos estão a dar o seu melhor, as autarquias, o governo, a Assembleia da República e a Presidência. Temos sorte porque a oposição tem sentido de estado e ao contrário de Espanha, não tem entrado em querela de baixa...

O refraneiro da comunidade piscatória da Praia de Âncora I

Imagem
As velas que se erguiam há pouco enfunadas pela viração de norte à luz da tarde em desmaio, eram já uma visão passada. Rumo ao mar, era um espetáculo digno da tela de um pintor, ou de um registo fotográfico para reter tão nostálgicas imagens das masseiras, velas a pender para sotavento inclinadas pela brisa ligeira no recorte plano do vasto horizonte. Agora, que a brisa cessou completamente, sobre as águas estanhadas o sol lança os últimos reflexos de luz e esconde-se por entre a cor litúrgica do martírio pintado no horizonte ao despedir-se. Uma grande quietude e silêncio só quebrado pelo rolar das redes polé afora mergulhando no mar. A velhinha, que se tinha sentado à soleira da porta a receber os últi­mos raios de sol do fim da tarde, vendo desaparecer na distância as mas­seiras, recolhe-se agora, rogando a Deus por boa pesca. Depois, são as recordações do passado, as vozes e as imagens dos tempos da juventude. Também, a voz familiar do refraneiro que lhe soa naquele momento: “ Ver­m...

O refraneiro da comunidade piscatória da Praia de Âncora II

Imagem
“ O porco não foi marinheiro por não olhar para o ar”, chamada de atenção para as coisas que estão acima da cabeça e podem constituir risco pessoal ou para a embarcação. “As estrelas a brilhar, norte fresco vai soprar”, estrelas muito cintilan­tes, nortada à certa. “Norte e lua, não morre nada à fisga ”, águas frias e transparentes. “ Quando a Candelária chora, o inverno foi embora”, se chove no dia da Candelária o tempo de inverno está a passar e melhor tempo a chegar. “Quando a Candelária rir, o Inverno está para vir”, se fizer sol no dia da Candelária, sinal de preocupação pois o Inverno vai prolongar-se. “Céu empedrado, chão molhado”, o mesmo que “céu escamento, chu­va ou vento”. “Neve na lama, chuva na cama”, muita chuva está para vir . “Em Maio a raia, por Deus venha, por Deus vaia”, um dilema . Pescar é bom, mas comê-la não. Como está em processo de desova, doente, pode adoecer ou matar quem a come. “Raia em Maio, tumba à porta, mas venha a raia que a morte não importa”, em linh...

Os socorros a náufragos em Vila Praia de Âncora

Imagem
Em 1892, num só dia, no mar da Póvoa, que era o maior porto de pes­ca do reino, perderam a vida 105 pescadores. O dramatismo deste funesto acontecimento foi avassalador e nesse mesmo ano, um deputado poveiro (Joaquim Alves Matheus) reclamou a criação de uma entidade que velasse pela segurança dos pesca­dores. Foi então constituído o Real Instituto de Socorros a Náufragos, presi­dido pela Rainha D. Amélia. As precárias condições de segurança oferecidas pelos singelos molhes convergentes cuja construção se iniciou em 1862, não evitavam frequentes acidentes na aproximação e entrada no Portinho, com elevado número de casos mortais. Apesar do Portinho d’Âncora ser um importante porto de pesca costei­ra no final do século XIX, só em 1913, fruto da insistência de uma comissão local do Instituto de Socorros a Náufragos, composta por Manoel Ferreira da Silva Couto, João José de Brito e Higino Lagido, e da pressão política do senador Luís Inocêncio Ramos Pereira, é que foi dotado de um barco sal...

Os sargaceiros da Praia de Âncora I

Imagem
Além dos naufrágios, aponta-se a emigração para o Brasil e colónias africanas como uma das causas para a despovoação de homens aptos e a substituição pelas mulheres em tarefas como a apanha do sargaço, que a partir do século XVIII teve forte procura por parte dos agricultores locais e também dos lavradores abastados, provenientes de terras do interior do país, que pagavam em dinheiro vivo. Este súbito incremento na procura das algas está relacionado com a introdução do milho e da batata na dieta alimentar portuguesa, sendo res­ponsável pela melhoria da alimentação, logo pelo aumento da esperança e qualidade de vida. Desde finais do século XVIII até aos anos sessenta do século passa­do, o crescimento da produção de batata e milho no litoral norte conduziu à expansão dos campos agrícolas e ao aproveitamento de novos terrenos com menor aptidão produtiva, como solos arenosos, que só a custa de fertiliza­ção abundante com algas ou patelo podiam tornar mais produtivos. Esta expansão foi tão ...

A Branqueta

Imagem
No post anterior, sobre os sargaceiros da Praia d'Âncora, referi-me a uma indumentaria própria desta actividade, mas que nunca foi utilizada a norte de Viana do Castelo. Por isso embora fora do ambito geográfico sobre o qual estou focado, não posso deixar de dar uma breve explicação sobre esse traje tão peculiar. Em comunidades como a Apúlia, Esposende ou A Ver-o-Mar utilizava-se uma vestimenta própria, a branqueta, que designa o casaco de abas largas, tipo saio romano, até meio da coxa, cingido ao corpo até à cintura e alar­gando para baixo, em forma de saiote, de modo a deixar livres os movimentos das pernas. É abotoado de alto a baixo por pequenos botões e remata, no pescoço, com gola baixa. As mangas são compridas e justas ao braço. À cintura o sargaceiro usa largo cinto preto, de cabedal. Na cabeça o sargaceiro usa o sueste , espécie de capacete romano, com copa de quatro gomos reforçados e duas palas: uma, curta, na frente, e outra, mais larga e comprida, atrás. Deste modo é-...

Os sargaceiros da Praia de Âncora II

Imagem
Foi já no século XX que se instituiu que para proceder à apanha do sargaço era necessário estarem munidos das respectivas licenças emitidas pela Capitania e do di­reito de seca na parte alta da praia ou dunas. Nos portos em que era usada a masseira para a apanha do sargaço, as embarcações andavam entre os rochedos junto à costa para os tripulan­tes arrancarem o sargaço ainda preso. Depois de cheia, a gamela varava na areia, a carga era descarregada para as “ padiolas ” e estendida a secar nas dunas ou carregada directamente para o carro de bois. Em 1879, ainda o portinho não estava totalmente construído, deu-se uma disputa pelo sargaço arrojado neste espaço, que mo­bilizou a comunidade agrícola de Gontinhães, mas que também con­tou com o apoio dos pescadores locais. A crise iniciou-se com a afixação de edi­tais onde se publicitava uma arrematação do sargaço arrojado dentro do portinho, pelo maior lance, por um período de um ano. É clara a intenção em rentabilizar em proveito “ da Fazen...

Os sargaceiros da Praia de Âncora III

Imagem
Pedro Verde também conhecido por Pedro Bugalho, pescador da Praia d’Âncora, oficiou no sentido de in­fluenciar positivamente o poder central e impedir a concessão de um bem considerado público e um direito muito antigo. Exmos. Senhores junto a esta mando duas representações para Sua Real Majestade uma da Junta e moradores desta Freguesia e outra tomada pelos pescadores os quais defendem a um cargo que de novo se represen­ta neste local que é aparecerem nas esquinas das ruas diferentes éditos comunicando que no dia 20 do corrente de se proceder à arrematação do sargaço e lixo que deve arribar à praia do sul do portinho ou Forte desta Freguesia a qual arrematação é perante a Administração do Concelho de Caminha por ordem superior da Direcção das Obras Públicas. Como digo uma usurpação que querem fazer aos habitantes desta freguesia e a nós pobres pescadores queremos com a força possível entregar a quem possa achar conveniente ou o Sr. Miguel Dantas ou ao Ministro finalmente todo o trabal...

Os sargaceiros da Praia de Âncora IV

Imagem
Como se depreende da correspondência transcrita no post anterior, o problema do sargaço não interessava apenas aos lavradores mas também aos pesca­dores, que viam neste negócio a oportunidade de ganhar algum dinheiro, designadamente as mulheres que ajudavam a apanhar, a transportar e a carregar o sargaço para os carros de bois dos lavradores. O pescador que assina a petição, Pedro Verde, também conhecido por “ Pedro Bugalho ”, era o quarto filho de António Verde e de Rosa Benita da Pena, a primeira família de A Guarda que, comprovadamente, veio residir para a Lagarteira em 1824. O apelido vem-lhe da sua mãe, que nos tempos em que vivia em A Guarda, quando andava na apanha do sargaço, boiava como um bugalho. “ Pedro Bugalho ” nascido na Guarda em 1819, faleceu em Gontinhães em 1890, casou em 1838 com Margarida Pires e deste casamento nasceram 11 filhos. Margarida Pires teve o primeiro filho com 19 anos e o último com 42 anos, o que atesta a longevidade da procriação neste meio social. S...

O papel das mulheres na comunidade piscatória

Imagem
Tradicionalmente era pelo género sexual que se diferenciavam as pro­fissões, havendo trabalhos para homens e outros para mulheres. O mundo do mar em geral e a pesca em particular, foi socialmente entendido como um mundo de profissões masculinas. Durante séculos esteve até arreigada a crença marinheira que uma mulher a bordo dava azar. Hoje, tal desiderato seria visto como sexista e retrógrado, mas tam­bém é verdade que ao longo dos tempos a comunidade soube encontrar formas de tornear aquela fronteira entre as práticas de trabalho porque, no caso da pesca, a frequência dos naufrágios e a viuvez precoce das mulheres, endividadas e com filhos menores a sustentar, poderá ser apontada como uma das razões para se encontrarem mulheres a desempenhar algumas ta­refas normalmente reservadas aos homens, havendo até uma comunidade (Vila Chã, Concelho de Vila do Conde) onde as mulheres trabalhavam a bordo das embarcações. Esquecendo o caso singular desta comunidade, podemos identificar um conjunto...

A Lagarteira no final do século XIX (1ª parte)

Imagem
A enseada natural do Moureiro, Zona entre o Forte da Lagarteira e a foz do Rio Âncora, era apenas segura e praticável como abrigo náutico durante os curtos meses de verão e com mar calmo. Com mar agitado, aqueles rochedos tornavam-se garras afiadas que despedaçavam facilmente as frágeis embarcações dos pescadores. Em 1865, foram executadas obras de restauro no Forte da Lagarteira, que ainda albergava alguns reservistas mas estava desarvorado há muito e concluiu-se um molhe de protecção, iniciado em 1862 ao norte deste baluarte, mas que pou­ca ou nenhuma segurança oferecia, como refere Pinho Leal. Os sucessivos acidentes com perdas de vidas e equipamentos, a pres­são pública local e até a influência dos banhistas, bem como as recorrentes críticas na imprensa, levam o governo, através das obras públicas distritais, a mandar construir dois paredões convergentes que garantissem um pou­co mais de segurança. Até à construção destes molhes e mesmo depois de terminados em 1884, quando o mau te...