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A mostrar mensagens de abril, 2014

Os cravos também murcham

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Os pobres que sempre foram pobres, os novos pobres, os desempregados que emigraram e os que ficaram, os reformados, os que ainda trabalham, mas conscientes que podem ser despedidos, legal ou ilegalmente, vão comemorar o quê? Os que clamam justiça que tarde ou nunca chega, que vêem encerrar tribunais e sair em liberdade os ladrões do BPN, que vêem prescrever os processos dos banqueiros e da generalidade dos casos de corrupção envolvendo políticos, vão comemorar o quê? Os que sentem na carteira o aumento das taxas moderadoras, o encerramento e deslocalização de serviços dos Centros de Saúde e hospitais de província para as grandes cidades, que vêem negado o indispensável transporte para consultas e tratamentos, que esperam meses por uma simples consulta ou anos por intervenções cirúrgicas que se fazem da noite para o dia no sector privado, vão comemorar o quê? Os que têm filhos a frequentar escolas onde reina a balburdia e a indisciplina, onde sobra a desmotivação e o desencanto, tudo em...

Regata nos mares de Âncora - 1909

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Da autoria do historiador Paulo Torres Bento, publicado pelo caminha@2000, este artigo revela a iniciativa e o empenho de alguns ancorenses em prol da sua terra.   Principal atração das Festas de Nossa Senhora da Bonança que, anualmente, desde 1883, se realizam em Vila Praia de Âncora nos primeiros dias de setembro, nem todos sabem que a procissão naval da Senhora da Ínsua foi somente introduzida no programa da romaria em 1960. Serão contudo ainda menos aqueles que têm conhecimento que, muitas décadas antes, no ano de 1909, nos derradeiros tempos da Monarquia, um grande evento náutico, profano e desportivo, integrou a festa maior ancorense. Uma regata de barcos à vela e a remos, da qual deu então extensa notícia o jornal vianense Vida Nova:   "A regata em Âncora — Promete ser uma festa muito distinta a regata que amanhã [12 de setembro] se realiza em Âncora, promovida pelo núcleo da Junta Local da Liga Naval Portuguesa daquela localidade marítima. A interessante diversão inicia-se...

Desemprego versus pobreza

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A propósito de Isabel Jonet, já teci uns breves comentários à sua afirmação que os desempregados passam demasiado tempo nas redes sociais em vez de procurarem emprego. Sobre essa mesma matéria encontrei um artigo da historiadora Raquel Varela que não resisto a reproduzir. Diz ela que a afirmação de Isabel Jonet carece de bom senso, mas sobretudo é falsa. E continua...   "Se os desempregados fossem todos à procura de emprego haveria na mesma 1 milhão e 400 mil pessoas desempregados. Os mesmos que há com os desempregados “a passar o tempo nas redes sociais”. Há 1 milhão e 400 mil desempregados porque há 1 milhão e 400 mil postos de trabalho que não estão a ser utlizados de propósito. O Governo decidiu uma política recessiva que permita recuperar as taxas médias de lucro na produção e que o Governo definiu no próprio Orçamento de Estado: fazer cair o PIB, encerrar fábricas e empresas e criar ainda mais desemprego (cito o Relatório do Orçamento de Estado 2013).   Isto faz-se desempreg...

O Mar da Memória na Terra Nova

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Texto de Rita Bouça publicado no jornal digital Caminha2000 (www.caminha2000.com)   É muito difícil conhecer com exactidão em que época os portugueses iniciaram a faina da pesca do bacalhau, na medida em que se encontra intimamente ligada à história dos Descobrimentos Portugueses, dos séc. XV e XVI Porém, é conhecido que já no início do século XVI havia na Terra Nova grupos de pescadores oriundos de Aveiro e Viana, muito embora não fosse provável a existência de uma frota bacalhoeira organizada nesse tempo. Mais tarde, já no reinado de D. Manuel I, foi o porto de Aveiro que mais pescadores enviou à Terra Nova. Numa carta escrita em 1578 por um mercador de Bristol, Anthony Parkhurst, referindo-se à Terra Nova, é dito que: "Havia ali, em geral, mais de 100 velas espanholas pescando bacalhau, 50 velas portuguesas, 150 velas francesas e bretãs e 50 velas inglesas". Durante o reinado de D. Sebastião a pesca do bacalhau continuou a desenvolver-se de forma activa. Quando Portugal fi...