Os cravos também murcham
Os pobres que sempre foram pobres, os novos pobres, os desempregados que emigraram e os que ficaram, os reformados, os que ainda trabalham, mas conscientes que podem ser despedidos, legal ou ilegalmente, vão comemorar o quê? Os que clamam justiça que tarde ou nunca chega, que vêem encerrar tribunais e sair em liberdade os ladrões do BPN, que vêem prescrever os processos dos banqueiros e da generalidade dos casos de corrupção envolvendo políticos, vão comemorar o quê? Os que sentem na carteira o aumento das taxas moderadoras, o encerramento e deslocalização de serviços dos Centros de Saúde e hospitais de província para as grandes cidades, que vêem negado o indispensável transporte para consultas e tratamentos, que esperam meses por uma simples consulta ou anos por intervenções cirúrgicas que se fazem da noite para o dia no sector privado, vão comemorar o quê? Os que têm filhos a frequentar escolas onde reina a balburdia e a indisciplina, onde sobra a desmotivação e o desencanto, tudo em...