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A mostrar mensagens de abril, 2008

Vila Praia de Âncora e o mar

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        Panorámica de VPÂncora obtida do Monte Calvário. Do casario destaca-se a Escola do Rego. Ao fundo a Junqueira, o Rio Âncora, o Pinhal da Gelfa, a praia e o mar. O mar sempre presente.   Portinho no verão com mar "chão". As gamelas esperam, umas varadas em terra, outras já prontas para a faina da sardinha.   Os "truques" fundeados no Sabugo. Ao fundo o Porto Novo.   Outro angulo do Portinho e Av. Ramos Pereira   Forte da Lagarteira e barcos tipo "Poveiro" em 1915   O sol a cair, mas o trabalho continua.   Uma maresia de inverno com o mar a passar sobre os molhes.    

O Tenente da Guarda (2ª parte)

O Alípio e o Tone da Águas estiveram presos duas semanas em Melgaço, depois da guarnição da guarda-fiscal ter passado pela aldeia e revirado tudo sem nada encontrar que incriminasse quem quer que fosse. Estes dois foram levados como podiam ter sido outros, que todos sabiam contrabandistas, se contrabandista se pode chamar aos passadores de mercadorias para lá e para cá e que apenas ganhavam a jorna. Os verdadeiros contrabandistas eram outros que, tal como hoje, não davam a cara e raramente se aproximavam da raia. Pelo meio, viviam os guardas, quase todos recebiam uma parte dos ganhos para fazerem vista grossa e para os avisarem quando havia perigo. De vez em quando aparecia um ou outro guarda que combatia ferozmente o estado das coisas, mas que invariavelmente acabava por ser “amaciado”. No caso de ser um graduado era mais difícil, geralmente tinham de esperar que fosse transferido para outro lado. O país estava em efervescência, as eleições presidenciais tinham sido disputa...

DA MONARQUIA AO 25 DE ABRIL XIV

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Com a publicação deste post terminam os textos sobre o percurso de Portugal e dos Portugueses desde 1910 até 1975. Trinta e quatro anos depois do 25 de Abril de 1974 há muitos factos históricos e muitas personalidades que cairam no esquecimento, tantas vezes involuntário, tantas outras intencionais, com a colaboração de agentes do Estado que deveriam zelar pelo conhecimento e esclarecimento da nossa história contemporânea. Junta de Salvação Nacional   Órgão de governo provisório instituído em Abril de 1974 pelo Movimento das Forças Armadas no momento da vitória. Constituíam-no sete oficiais superiores e generais dos três ramos das Forças Armadas: António de Spínola, Francisco da Costa Gomes e Silvério Marques, do Exército; Pinheiro de Azevedo e Rosa Coutinho, da Armada; Galvão de Melo e Diogo Neto, da Força Aérea. A sua missão seria a de implementar o Programa do MFA, que naquela mesma data era publicamente anunciado, e que se poderia sintetizar na conquista de três Ds: Desenvolvimento...

O almirante espanhol

O capitão de um navio espanhol em manobras perto da costa norte de Portugal avistou uma luz distante e resolveu enviar uma mensagem via rádio. Essa mensagem foi captada e gravada por um radio-amador português: " Aqui é o almirante J. Alonso. O curso do seu navio está em rota directa com o nosso. É favor alterar o seu curso 15 graus para norte. Câmbio". O português respondeu: "Vocês é que estão em rota de colisão connosco. Alterem o vosso curso 15 graus para sul". O almirante espanhol ficou irritado e respondeu: "Nós é que exigimos que vocês alterem o vosso curso 15 graus para norte". O português insistiu. "Alterem o vosso curso 15 graus para sul". O almirante (nuestro hermano) ficou irritadíssimo e disse: "AQUI É DO REAL IBER ESP. O MAIOR PORTA AVIÕES DE GUERRA DA PENÍNSULA,DA REAL MARINHA ESPANHOLA E ESTAMOS EM MANOBRAS COM MAIS 2 FRAGATAS, 2 DESTROYERS E NUMEROSOS NAVIOS DE APOIO. NÓS EXIGIMOS QUE IMEDIATAMENTE MUDEM DE CURSO 15 GRAUS PARA...

O (des)acordo ortográfico

  Um dos assuntos que está na ordem do dia é o denominado acordo ortográfico e a sua implementação. Confesso que até fico admirado, pois este país está cada vez mais hipotecado às novelas, às parvoíces do João Jardim e às broncas do futebol. Mesmo assim, o acordo ortográfico ganhou algum espaço de debate pois ainda há quem se interesse por estas coisas da Língua, a mesma que Camões cantou há quinhentos anos.   Por princípio não tenho qualquer rebuço em aceitar uma evolução linguística, um esforço de uniformização se este for imprescindível, mesmo reconhecendo que a Língua Portuguesa tem hoje várias faces, tantas quantos os países que a tem por língua oficial. É impensável legislar no sentido de pôr um Angolano ou um Brasileiro a falar ou a escrever da mesma forma que um Português. Nem é possível e, mesmo que fosse, considero uma rematada asneira quebrar um vínculo cultural, cortar uma raiz à árvore da sua história.   Assim, não vejo qualquer interesse na assinatura deste acordo ortográ...

Cruzeiro Paroquial de Moledo

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Localização Viana do Castelo, Caminha, Moledo    Protecção Não definido   Enquadramento Urbano, isolado, no centro de Moledo, implantação harmónica, situado num largo constituído pela encruzilhada de três arruamentos do aglomerado.   Descrição Cruzeiro com soco constituído por dois degraus de planta quadrangular com pinos cantonais formando um círculo, sobre o qual assenta um pedestal paralelepipédico, composto por plinto, dado moldurado, monolítico, e cornija igualmente moldurada. O dado apresenta, dentro de cartela em losango, a inscrição, em três regras: "O S DOS N / C G(?) C F I(?) A / DO". O fuste, alto, monolítico, de secção circular, colocado sobre uma base, apresenta no seu terço inferior um motivo entrelaçado, composto por losangos, sendo o restante com caneluras, conservando a meia altura um relógio de Sol. Está encimado por um capitel toscano sobre o qual assenta um plinto rematado por uma esfera com caneluras, cruz latina de secção quadrangular com chanfro, com o ...

Chamem a polícia... que eu não pago!

De semana em semana, as novidades sucedem-se na Liga Portuguesa de Futebol. A maledicência, as desculpas esfarrapadas face ao insucesso desportivo, as suspeitas veladas ou descaradas, a mediocridade e a má gestão de alguns clubes, andam de mão dada com casos que a investigação não esclarece e a justiça não julga.   Parece (e é) mais importante manter ad eternum a suspeita, que resolver o problema. E assim proliferam os “apitos”, as escutas sem valor judicial, as declarações bombásticas que nada dizem, uma verdadeira pescadinha de rabo na boca, onde tudo regressa sempre ao início.   Depois da mais recente derrota do Benfica na Luz frente à Académica de Coimbra com quem perdeu por uns expressivos 0-3 e baixar para quarto lugar na classificação da campeonato, parece ser mesmo necessário chamar a polícia, dando assim razão ao presidente encarnado, que uns dias antes, após o jogo com o Boavista, declarou que a Polícia Judiciária tinha de entrar no futebol.   E eu concordo! Em pri...

O Tenente da Guarda I

A acção passa-se na Serra do Soajo, Concelho de Melgaço em 1958. Devido à extensão do conto, dividi-o em várias partes, que irão ser publicadas semanalmente. Bebeu o vinho que restava na tigela, resmungou uma despedida para o Félix, o dono da taberna e encaminhou-se para a saída. Parou junto à mesa onde se jogava à sueca, enrolou um cigarro, apreciou algumas vazas, trocou um olhar com o Carlos, um olhar que pretendia ser casual. O estabelecimento era grande, de um lado a taberna, os pipos alinhados na parede do fundo, o balcão forrado a zinco onde os clientes se encostavam Destacava-se o pequeno armário envidraçado onde habitualmente tomavam lugar os pratos com as iscas, as pataniscas ou postas de peixe frito. Do outro lado ficava a mercearia, com as tulhas em madeira, os fardos e as seiras, o medidor do azeite, a balança, os livros do fiado por baixo da gaveta do dinheiro. Do lado da taberna duas grandes mesas com bancos corridos, pouso dos jogadores de cartas e dominó. Eram quase sem...

DA MONARQUIA AO 25 DE ABRIL XIII

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  Vinte e Cinco de Abril de 1974   A Ditadura Militar instituída em 28 de Maio de 1926 deu origem, volvidos meia dúzia de anos, ao Estado Novo, idealizado e gerido por Salazar. Afastado este do poder, por doença incapacitante, a chefia do governo é entregue a Marcello Caetano, que, entre outros problemas por resolver, herda uma guerra colonial em três frentes, sem solução militar à vista nem vontade política de optar por uma solução política negociada. Cansados da guerra, os militares profissionais encetam movimentações de carácter corporativo que rapidamente se transformam em reivindicações políticas, acabando por encarar como única saída o derrube do regime pela força. Será o Movimento das Forças Armadas (MFA) que irá desencadear uma revolta militar em grande escala, conseguindo derrubar o regime sem o emprego da força e sem causar vítimas. Depois de uma tentativa frustrada, protagonizada pelo Regimento de Infantaria das Caldas da Rainha, em 16 de Março de 1974, o processo revolucion...

Cruzeiro das Laboradas

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Localização Viana do Castelo, Caminha, Âncora, Lugar de Laboradas   Protecção Não definido   Enquadramento Rural, isolado, encosta de pendor suave sobranceira à orla marítima, confrontando com o Pinhal da Gelfa, junto ao entroncamento da EN 13 com um caminho velho que conduz a Afife (em frente ao Complexo Turístico Sereia da Gelfa).   Descrição Cruzeiro com soco, formado por um degrau de forma irregular, constituído pelo afeiçoamento do afloramento granítico, sobre o qual assenta um bloco paralelepipédico, com peça autónoma, de contorno frontal, saliente, de formato subcircular, com orifício quadrangular para encaixe da caixa de esmolas, já inexistente. Este soco suporta um pedestal paralelepipédico, composto por plinto, dado monolítico, e cornija decorada. O fuste, alto, monolítico, pseudosalomónico, colocado sobre uma base, está encimado por um capitel compósito, sustentando uma cruz latina de secção quadrangular, tendo na face frontal a representação escultórica do Senhor na Cruz, d...

Sobre o Festival de Vilar de Mouros

Mais um ano sem Festival de Vilar de Mouros. Os encontros e desencontros entre a Junta de Freguesia, a Câmara Municipal e a Portoeventos não terminaram e a mediação do Maestro Vitorino d`Almeida parece não ter resultado. Nem era expectável que resultasse, já que estamos a falar de um processo de intenções políticas, que envolve uma empresa de fracos recursos, sem capacidade de pôr (ou impor) o Festival a funcionar, com ou sem envolvimento institucional.   A luta pelo protagonismo e controle do Festival, entre a Junta e a Câmara agravou-se a partir de 2004 e não mais parou até hoje, relegando para o acessório a existência deste evento e a função social e cultural que representa. É bem verdade que a mítica do Festival de Vilar de Mouros já estava morta há bastante tempo. Sobrava a vulgaridade de um entre muitos festivais que se realizam todos os anos, num corropio frenético entre o norte e o sul, entre a cerveja X e a cerveja Y.   Em minha opinião será necessário refundar o Festival, ret...