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A mostrar mensagens de maio, 2008

O Tenente da Guarda (5ª parte)

  Estávamos a almoçar na varanda quando vimos o Nissan Patrol verde serpentear o caminho de acesso à Branda. Alguns minutos depois, convidamos os dois agentes a entrar em casa e voltamos a repetir o acontecimento. Já começava a estar farto de tantas vezes contar a mesma coisa. Mais valia ter usado o pequeno gravador que tinha no carro, assim bastava-me carregar no botão e a estória repetia-se as vezes que fossem precisas. Pediram-nos para lhes mostrar o achado e quando saíamos de casa, surgiu o Agostinho, proprietário da casa que alugáramos, que tinha ido à aldeia levar um grupo de turistas holandeses, que iriam ficar lá alojados alguns dias. Ao ver o Jipe da GNR parado junto à nossa casa, para lá se dirigia a saber o porquê de tal presença. Mais uma vez contei como tínhamos achado os ossos e logo ele se prontificou a acompanhar-nos. O Snoopy, qual herói desprezado, ficara na varanda com ar aborrecido, preso à trela, com uma gamela de água e outra de ração à disposição.   Fomos todos n...

A QUEM SERVE O TGV?

Recebi este texto por e-mail e como me parece ser um assunto que está insuficientemente discutido pela sociedade, como reflecte um ponto de vista com o qual me identifico no essencial, decidi publicá-lo tal como o recebi.     PORTUGUESES, LEIAM AS LINHAS SEGUINTES E PENSEM A QUEM VAI SERVIR O TGV ... AOS FABRICANTES DE MATERIAL FERROVIÁRIO, ÀS CONSTRUTORAS DE OBRAS PÚBLICAS E ... CLARO AOS BANCOS QUE VÃO FINANCIAR A OBRA ... OS PORTUGUESES FICARÃO - UMA VEZ MAIS – ENDIVIDADOS DURANTE DÉCADAS POR CAUSA DESTA OBRA MEGALÓMANA ! ! !   "Experimente ir de Copenhaga a Estocolmo de comboio. Comprado o bilhete, consigo num comboio que só se diferencia dos nossos Alfa por ser menos luxuoso e dotado de menos serviços de apoio aos passageiros. A viagem, através de florestas geladas e planícies brancas a perder de vista, demorou cerca de cinco horas. Não fora conhecer a realidade económica e social desses países, daria comigo a pensar que os nórdicos, emblemas únicos dos superavites orçam...

O Tenente da Guarda (4ª parte)

CAPÍTULO II Tinha acabado de descarregar o carro e já a Paula me chamava para a ajudar em qualquer tarefa na cozinha. - Já vou, já vou! Bolas, nem me dás tempo de apreciar a paisagem… - É só para arrumares as bebidas no frigorífico, mais nada. Depois vamos dar uma volta? - Claro, vamos correr esses caminhos todos! Tínhamos decidido passar um fim-de-semana na montanha, uns dias retemperadores, na solidão, no silêncio, na tranquilidade de uma pequena casa de turismo rural, implantada na isolada Branda da Aveleira, um antigo abrigo estival de pastores e rebanhos. Alguns proprietários tinham recuperado as casinhas de aspecto rústico, mas dotadas de todas as comodidades fundamentais e alugavam-nas agora aos turistas. Da varanda da casa ainda se podiam ver por perto as manadas de garranos selvagens, o gado pastando em total liberdade e os montes ponteados de grandes torres que agitavam as suas pás ao vento, esperando em fila, as investidas de um qualquer D. Quixote gigantesco. Atirei c...

Capela de S. Brás no início do século XX

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  No seguimento do post anterior publico uma foto antiga da Capela de S. Brás, datada de 1903 que faz parte de uma colecção de postais dos monumentos do Vale do Âncora. De referir que na legenda da foto faz alusão a "Antiga Matriz" algo que não está históricamente documentado mas que é voz popular ao longo dos tempos.    

Capela de S. Brás

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Designação Capela de S. Brás   Localização Viana do Castelo, Caminha, Vila Praia de Âncora, Lugar de S. Brás   Protecção Inexistente   Enquadramento Rural, isolado, integração harmónica entre campos de cultivo no trecho inferior da superfície aluvial do Rio Âncora. Insere-se em adro com muro de alvenaria de granito rebocada e com capeamento em cantaria, de pavimento em terra batida e pontuado por oliveiras, junto a caminho velho que conduz a Santa Maria de Âncora.   Tipologia Arquitectura religiosa, maneirista. Capela de planta longitudinal e massa simples, com fachada principal terminada em empena, e rasgada por portal de verga recta e duas janelas rectangulares jacentes laterais. Fachadas laterais terminadas em cornija e cegas, tal como a posterior. No interior ostenta retábulo-mor de talha policroma, maneirista, de planta recta e um eixo.   Características Particulares Capela de linhas simples, conservando no interior o pavimento com seixos do rio em painéis geométricos, elemento po...

O paquete Infante Dom Henrique

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Antigo navio-almirante da frota de comércio portuguesa, com o nome INFANTE DOM HENRIQUE, serviu as companhias Colonial e CTM de Setembro de 1961 a Janeiro de 1976, seguindo-se um período de verdadeiro desterro em Sines de 1977 a 1986, pertença do Gabinete da Área de Sines, como navio-alojamento e hotel. Resgatado pelo armador Sr. George Potamianos, foi reconstruído em Lisboa e na Grécia, regressando ao serviço em Novembro de 1988 com o nome VASCO DA GAMA. Depois de numerosos cruzeiros que incluíram uma volta ao mundo e centenas de viagens nas Caraíbas, o navio foi vendido à companhia Cruise Holdings, das Bermudas, em 1995, passando a chamar-se SEAWIND CROWN.   Em Abril de 2000 o SEAWIND CROWN iniciou em Barcelona os cruzeiros da Pullmantur, que obtiveram enorme êxito e foram interrompidos inesperadamente em Setembro desse ano na sequência da falência da empresa armadora Premier Cruises. Seguiu-se um longo período de imobilização arrestado em Barcelona que acabou em 2003 com a venda do ...

O Tio Brasileiro

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Desde pequeno que ouço falar no “Tio Brasileiro” que era irmão do meu avô materno Abel e chamava-se Manuel do Nascimento Brito. Era mais velho que o Abel, pelas minhas contas entre quatro a seis anos. Deve ter nascido por volta de 1875 e emigrou para Moçambique, mais concretamente para Lourenço Marques onde ganhou a alcunha de “Brito das massas” por ter montado uma fábrica de massas alimentares, tendo como sócio um senhor chamado Matos Ferreira, pai do Dr. Luís Matos Ferreira que mais tarde casou com a filha da D. Laura, a “Mariinha”, que ainda hoje possui casa no Largo do Sol Posto e vem passar férias à nossa terra.   Em 1951, frente à Pensão Meira, com as sobrinhas Maria José e Arminda O Manuel Brito, o nosso Tio Brasileiro, embarcou para Moçambique em 1918 (provavelmente logo a seguir ao armistício), desconheço se já seria casado ou ainda não, com a Maria “Fanfarrona” uma sua conterrânea de Segadães, às portas de Valença, uma costureira...

Avanços da medicina

O pirralho estava a brincar no apartamento com um balão que tinha sobrado da sua festa de anos. Chutava para cá, chutava para lá, até que o balão acabou por entrar na casa de banho e foi cair justamente dentro da sanita. Ele espreitou lá para dentro, viu o balão molhado, ficou com nojo, deixou-o ali mesmo e foi brincar com os carrinhos. Pouco tempo depois o seu pai entrou apressado para aliviar os intestinos e sentou-se sem notar o balão. O almoço tinha sido muito pesado, e após ficar bem aliviado, olhou como era hábito, para dentro da retrete, ficando horrorizado com o espectáculo. As suas fezes, muito moles, tinham coberto o balão e a impressão que se tinha era de um imenso, um absurdo, um gigantesco bolo fecal! Sem acreditar naquilo, começou a ficar muito branco, e dali mesmo ligou pelo telemóvel para um seu amigo que era médico: - Cardoso, acho que devo estar com algum problema sério ! Enchi a retrete de fezes. Nunca vi tanta assim na minha vida!... está á quase até cima! - Oh Anse...

O Tenente da Guarda (3ª parte)

No domingo à noite o pequeno automóvel da Guarda serpenteou os montes, desceu e subiu encostas, os faróis mortiços iluminavam poucos metros à sua frente, mas suficientes para dirigir vagarosamente o velho Ford até à Gave, uma aldeia com 300 habitantes, uma das maiores da região. Parou a viatura no largo da igreja, poucos metros adiante estava o cruzeiro, não se via viva alma, apenas a candeia de azeite iluminava fracamente o nicho da Senhora da Natividade. O Tenente empunhou o revólver, desceu e deu a volta à pequena praça, sempre atento ao menor movimento. Nada!   Após alguns minutos de espera sentiu o barulho de passos no saibro da praça. Engatilhou o revólver, encostou-se ao automóvel, disfarçando a silhueta na penumbra. Um vulto aproximou-se e a meia dúzia de passos de distância perguntou: - Vossemecê é que é o da Guarda? O Tenente admirou-se por ouvir a voz nasalada de uma mulher, mas não desviou o revólver. - Sou, e você quem é? - Eu venho buscá-lo para o levar junto do meu patrã...