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O naufrágio do "Cabo Oropesa"

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  Há várias versões para o acidente que aconteceu a norte da barra de Caminha onde encalhou, na manhã de 21 de Agosto de 1917 [1] , o vapor “ Cabo Oropesa ”, da Companhia Ybarra, de Sevilha, de 1.522 toneladas, construído em 1903 pelos estaleiros escoceses " Grangemouth & Grenoch Dockyard ", que procedia do Mediterrâneo, com carga geral e passageiros. Publicidade da empresa proprietária do Cabo Oropesa - Foto de José António Uris Fizera, desde Sevilha, uma excelente viagem até à altura das Berlengas, onde foi canhoneado por um submarino alemão, sem consequências, continuando a sua rota para Vigo, primeiro porto de destino.  Todavia, às 6 e meia da manhã, uma densa neblina obrigou o comandante a afrouxar a marcha, até que, às 7 horas e 10 minutos, não se vendo absolutamente nada e ouvindo-se os silvos das traineiras que passavam, chegou a acreditar-se, a bordo do “ Cabo Oropesa ”, que este estava enfiando no canal da ria de Vigo. Nessa persuasão, foi dado rumo nordeste a...

O Redondo - Apenas um pormenor

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 O emblemático Redondo  passou por diversas fases desde a sua inauguração em 1918. Já lá vão cento e poucos anos, ao sabor dos tempos, das vontades e das modas, mudaram-se candeeiros, balaustradas e diversas quinquilharias, mais ou menos dispensáveis. São pormenores, dirão! O Redondo  já foi palco de espetáculos culturais e palco para visualização de maresias e de sereias. Por lá fizeram “ rentrées ” políticas, bailaricos e fotografias “ À la minute ” com cavalinho e tudo.  Ainda assim, são pormenores! Era e continua a ser um ponto de encontro. É a centralidade da Praia d'Âncora! O Redondo é parte da história de Vila Praia de Âncora. É apenas um pormenor, mas vamos conhecê-lo melhor.    Cerca de 1924, o Redondo ainda com balaustrada em ferro “A populosa freguesia de Gontinhães pertence a povoação de Âncora, a princípio formando, na sua quase totalidade, um bairro de pescadores e que, pelo sua especial situação e pitorescos arredores se transform...

Comandante Canas dos Bombeiros de Vila Praia de Âncora

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 José António Fernandes Canas Júnior   Nasceu em Azevedo, Caminha a 7 de junho de 1894, filho de António Alves Ribeiro e de Maria Estefânia Fernandes Canas. Ao recém-nascido foi-lhe dado o nome de José Alves Ribeiro, mas a progenitora faleceu a 1 de julho de 1894, ainda o filho não tinha completado um mês de idade. Maria Estefânia de 34 anos de idade era irmã mais nova de José António Fernandes Canas (1854-1934), à época um dinâmico e bem-sucedido empresário, que nesse mesmo ano tinha fundado a fábrica de manteiga “ Cannas & Affonso lda .”, com sede e fabrico na Praia d’Âncora. O fabrico foi, pouco depois transferido para Freixieiro de Soutelo, no Lugar do Hilário, onde o industrial montou além da fábrica da manteiga, uma serração, uma moagem e uma fábrica de latoaria. José António Canas e a esposa D. Eugénia Amélia Teixeira Canas, natural de Baião, que não tinham descendência, tomaram conta da criança, foram seus padrinhos e, provavelmente, alteraram-lhe o nome....

O Lugre 8 de Dezembro

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 Esta era a pequena notícia inserida no jornal “A Aurora do Lima” do dia 7 de novembro de 1919: “No dia 8 deve ser lançado à água o lugre “8 de dezembro”, de que são proprietários os nossos amigos snrs. Padre Manuel Sá Pereira, e drs. Francisco Odorico Dantas Carneiro e Júlio Cesar Batista. Segundo informes a cerimónia deve revestir de grande luzimento. O “8 de dezembro” é uma das melhores construções navais que saem dos nossos estaleiros. Agradecemos o convite que nos foi enviado. – C. M.”   Na foto o lugre "Luso I" de características semelhantes ao "Luso II" (ex-"8 de dezembro") O lugre “ 8 de dezembro ” tinha sido construído em madeira com 47,20 metros de comprimento e uma tonelagem bruta de 376 toneladas pela Empresa Construtora Naval de Caminha, que pouco depois (1920) vende o barco a Barreto, Braga &cª, Lda. da Gafanha da Nazaré/Ílhavo que o batiza como “ Barreto Braga 2º” . Só em 1922 é que este lugre inicia campanhas de bacalhau, já...

Sobre a Quinta da Sobreira

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No seguimento de uma dúvida suscitada por um comentário ao post sobre Adelina Cabrera da Rocha, popularmente conhecida por “D. Lina”, fiquei com curiosidade de saber como é que a Quinta da Sobreira tinha ido parar ao património da Santa Casa da Misericórdia de Caminha. Aspeto da entrada da Quinta da Sobreira em 1950 Em primeiro lugar fica esclarecido que a Quinta da Sobreira não era propriedade da D. Lina, mas de Manuel Celestino dos Santos Silva que, por testamento, legou a propriedade à Misericórdia de Caminha. Consultando o livro “ 500 anos, Santa Casa da Misericórdia de Caminha ” de Sara Costa Pinto podemos ler: “Relativamente à Quinta da Sobreira, em Vila Praia de Âncora, esta integrou o património da Santa Casa por testamento de Manuel Celestino dos Santos Silva, falecido a 16 de janeiro de 1957. Desde então, tinham-se multiplicado os projetos para o terreno. Nele funcionava a creche da Casa dos Pescadores, e que era arrendatária da Misericórdia. No ano de 1969 o Âncora-P...

Os Teatros no Concelho de Caminha

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Uns perderam-se no tempo, outros foram recuperados no seu esplendor. A certa altura, para sobreviver cederam espaço ao cinema, sem deixar de acarinhar o teatro e outros espetáculos de variedades. Tornaram-se polivalentes e, em alguns casos autenticas salas de visitas.   Comecemos pelo Cine Teatro Valadares em Caminha: Construído por José Maria Valadares, negociante, com a ajuda de Joaquim Vicente da Cruz Trovisqueira, aspirante da alfandega, no final do século XIX, mais concretamente em 1897. Por aqui passaram muitas companhias de teatro e variedades em digressão pela província. Estes equipamentos designavam-se teatros “ provincianos ” e eram espaços privilegiados para espetáculos de carater popular, ligeiros e bem-humorados, como revistas, operetas, magia e canções. Teatro Valadares na atualidade Este modelo começou a definhar com o surgimento generalizado dos espetáculos de cinema já na década de vinte. Porém, muito antes do cinema se tornar o rei do espetáculo, o Teat...

Representação de pescadores Ancorenses em 1905

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  Jornal "A Aurora do Lima" de 26 de julho de 1905 Foi mantida a grafia original do artigo. "Foi ante-hontem dirigida ao sr. Conselheiro Povoas, digno director dos caminhos de ferro do Minho e Douro, uma representação assinada por 100 pescadores da praia de Ancora, em que se pede áquelle funccionario autorização para se atrelar um vagon aos comboyos especiaes e correios, descendentes, que conduza para diferentes pontos o peixe colhido pelos pescadores daquela praia. Os signatários da representação alegam que a falta de meios de locomoção na estação d’Ancora ocasiona a inutilização do peixe que se destina a outros pontos do paiz, o que representa um grande prejuízo para a classe piscatória daquela praia, e pedem para que na referida estação permaneça um vagon que possa ser aproveitado em qualquer daqueles comboyos. Como se vê a reclamação é justa, sendo de esperar que o sr. Conselheiro Povoas a atenda." Conselheiro Povoas, de seu nome José Fernando de Sousa (1855...