Comandante Canas dos Bombeiros de Vila Praia de Âncora

 José António Fernandes Canas Júnior

 

Nasceu em Azevedo, Caminha a 7 de junho de 1894, filho de António Alves Ribeiro e de Maria Estefânia Fernandes Canas.

Ao recém-nascido foi-lhe dado o nome de José Alves Ribeiro, mas a progenitora faleceu a 1 de julho de 1894, ainda o filho não tinha completado um mês de idade.

Maria Estefânia de 34 anos de idade era irmã mais nova de José António Fernandes Canas (1854-1934), à época um dinâmico e bem-sucedido empresário, que nesse mesmo ano tinha fundado a fábrica de manteiga “Cannas & Affonso lda.”, com sede e fabrico na Praia d’Âncora.

O fabrico foi, pouco depois transferido para Freixieiro de Soutelo, no Lugar do Hilário, onde o industrial montou além da fábrica da manteiga, uma serração, uma moagem e uma fábrica de latoaria.

José António Canas e a esposa D. Eugénia Amélia Teixeira Canas, natural de Baião, que não tinham descendência, tomaram conta da criança, foram seus padrinhos e, provavelmente, alteraram-lhe o nome. 

O jovem cresce na Praia d’Âncora, onde é conhecido por Zeca Canas, trabalhando com o padrinho em Soutelo e, em 1917, é dos primeiros a alistar-se na recém-criada Associação de Bombeiros Voluntários da Praia d’Âncora.

José António Fernandes Canas Júnior

Pouco depois é chamado para a tropa, seguindo para França integrado na Brigada do Minho, do Corpo Expedicionário Português, como condutor automóvel.

É nesse papel de condutor de ambulâncias, com o posto de 1º cabo, que durante a sangrenta batalha de La Lys, onde parte substancial das forças portuguesas foram mortas, feridas ou feitas prisioneiras, que Zeca Canas demonstrou uma habilidade excecional como condutor e uma valentia extraordinária ao atravessar varias vezes as linhas fustigadas pelo fogo inimigo para evacuar feridos e gaseados na frente de batalha. 

Por isso, foi louvado e condecorado com a Cruz de Guerra de 2ª classe e a medalha militar de cobre do Exército Português com a legenda “França 1917-1918”.

Ambulância do Corpo Expedicionário Português

Após a desmobilização regressou à Praia d´Âncora, à Fábrica da Manteiga e aos Bombeiros. Em 1921 é instrutor em 1922 pede licença devido a afazeres profissionais.

Em 1928 é 2º secretário da Direção, época em que a ainda jovem Associação Humanitária passa por vários problemas e reorganização. Em 1935, José António Fernando Canas Júnior é 2º Comandante do Corpo Ativo e em 1940 passa a 1º Comandante. Em 1942, pede exoneração por ausência, regressando em 1945, novamente como Comandante, cargo onde permanece até 1949.

Primeira viatura (Buick) dos Bombeiros de Vila Praia de Âncora - 1941

José António Fernandes Canas Júnior faleceu a 12 de dezembro de 1950, tendo sido o seu funeral uma grande e sentida homenagem dos Bombeiros, não só de Vila Praia de Âncora, mas de toda a região.

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