Até qualquer dia, camarada
Ao longo últimos trinta anos, raros foram os dias em que me furtei ao convívio da loja do “Pinga”. Antiga taberna no âmago da zona piscatória de Vila Praia de Âncora, modernizou-se, mesas e as cadeiras viraram plástico, o velho mobiliário corrido, em madeira encardida, manchada de tinto carrascão, alimentou o lume em alguma fornalha voraz. Continuou a vender mercearia, materiais de pesca e bebidas, como outrora. Quase como antigamente, pois os velhos pipos alinhados contra a parede, deram lugar à modernidade do vidro em garrafa selada, símbolo fingido de ausência de mixórdia. Os clientes iam e vinham, uns mais assíduos, outros mais esparsos, alguns só pelas férias, mas sempre os mesmos, fiéis ao estabelecimento e à cavaqueira de quem se conhece há muitos anos. O “Pinga” apelido granjeado em novo, devido aos seus atributos futebolísticos, saído do baptismo como Domingos Luís Verde, foi pescador, trabalhou na construção da primeira barragem do Lindoso, agente da PSP e comerciante. Home...