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A mostrar mensagens de março, 2009

Há parques e parques...

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Por diversas vezes tinha ouvido referências elogiosas ao parque de Salvaterra de Miño, junto ao rio, frente a Monção, aqui tão perto. Mas quisera o acaso de nunca ter ido confirmar se o dito parque era realmente tão interessante quanto o gabavam. Umas voltas pelas aldeias de Melgaço e na volta, ao fim da tarde, um pequeno desvio até Salvaterra. Logo a seguir à ponte internacional corta-se à esquerda e estamos em cima do “Parque publico a Canuda”, uma enorme área ribeirinha que acompanha o Rio Minho em mais de um quilómetro e meio. Da última vez que por lá tinha passado, há cerca de vinte anos, tinha-me ficado a recordação de um pequeno povoado com uma zona tipo “descampado” à beira rio e meia dúzia de mercearias, onde os portugueses de Monção se abasteciam depois de passarem num ferry-boat que deslizava ao longo de um cabo de vai e vem sobre as águas revoltas do Minho. Para quem fazia o trajecto pela primeira vez era assustador, pois se o cabo rebentasse vínhamos...

Laurentino Monteiro vs Ruy Monte

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Estava eu à procura de algo para ler, quando encontrei umas poesias avulsas de Ruy Monte, pseudónimo literário de Laurentino Monteiro. Foram essas mesmas folhas descasadas, agrafadas no canto, que eu levei para o sofá e me fizeram companhia durante algum tempo. A certo ponto, dei por mim a pensar no autor, já completamente distraído da obra, no caso, uns sonetos mordazes e bem-humorados. Conheci o Professor Monteiro há cerca de quarenta anos, era eu um miúdo de dez anos, magricela, mas espigado, turbulento quanto baste, motivo pelo qual às vezes me tratava por “pato bravo”. Era normalmente o primeiro aviso, porque de seguida, persistisse eu na asneira, podia cair algum cachaço. Ainda retenho com nitidez a imagem dele a fixar-me por cima dos óculos pendurados na ponta do nariz, durante as aulas no saudoso Externato de Santa Rita. Vamos deixar por agora o Externato e retomar a pequena nota biográfica de Laurentino Alves Monteiro. Nasceu em Fafe, em 24 de Julho de 1902 e falece...

Moinho do Paredão ou do Lira

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É o moinho mais próximo (um quilómetro) da foz do Rio Âncora. Construído na margem esquerda do rio, no Lugar do Paredão teve a sua origem nos fins do século XVIII ou início do XIX. Era uma construção ampla, com uma área coberta de 97 m/2. O pavimento era em madeira e paredes em granito. A cobertura e o beirado eram em telha romana.   Foto de 1901; um passadiço em madeira garantia a passagem para a margem direita O regime de exploração era directo, permanente e pertencia a um único proprietário. Depois de décadas sem funcionar e em adiantado estado de degradação foi vendido e adaptado a habitação. O mecanismo motor era formado por duas moendas e as mós tinham um diâmetro de 1,15 metros. As moegas tinham formato piramidal e os caneleiros de V e U aberto. O martelo ou chamadouro era uma roda de cortiça. Foto de 1960; já não havia passadiço e o moinho só tinha uma roda O mecanismo motor era constituído por duas rodas verticais de propulsão inferior com 1,30 metros de diâmetro. A condução d...

Bacalhoeiros e seca do bacalhau de Caminha

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Nas proximidades da Foz do Minho, entre a Mata Nacional do Camarido e a praia do Cabedelo, havia um extenso areal que foi destruído pelas correntes incontroladas do mesmo curso de água. Na década de vinte do século passado, uma seca de bacalhau e instalações para armazenagem e comercialização de peixe seco – sob a responsabilidade de Nazário Dantas Carneiro – tiveram pouco tempo de vida naquele espaço de terra, outrora formado por acumulação de areias e agora abrangido pelo estuário do Minho. A seca do bacalhau e instalações anexas pertenciam à “Parceria de Navegação e Pesca – A Caminhense”, organizada por Dr. Francisco Odorico Dantas Carneiro, Delfino de Miranda Sampaio, padre Manuel Martins de Sá Pereira e outros em 1922. E a referida associação comunitária teve sede social e escritórios, cuja chefia pertenceu a Frederico Frezas Vital, no prédio da Rua da Corredoura, que actualmente tem os números 69 a 73, em Caminha. A “Parceria de Navegação e Pesc...

Perguntas à Democracia

Esta é uma mensagem de D. Duarte de Bragança, chefe da Casa Real Portuguesa e presidente de honra do Instituto da Democracia Portuguesa, proferida no passado dia 3 de Março, por ocasião do encerramento do I Congresso Marquês Sá da Bandeira, em Lisboa. Não professo os ideais monárquicos, mas parece-me que a mensagem de D. Duarte é muito oportuna e bem estruturada, concordando no essencial com a sua análise.   PERGUNTAS À DEMOCRACIA   “Tem vindo a crescer em Portugal um sentimento de insegurança quanto ao futuro, sentimento avolumado por uma crise internacional, económica e social, de proporções ainda não experimentadas pela maioria dos portugueses. São momentos em que importa colocar perguntas à Democracia que desejamos.   Admitindo-se que a situação concreta é grave, torna-se necessário encará-la de frente, antevendo todos os aspectos em que os portugueses experimentam dificuldades.   Os tempos de crise vão-nos trazer privações mas também vêm exigir reflexão. Este é o momento de o...

Criança irritante…

Uma dona de casa recebe um amante todos os dias em casa, enquanto o marido trabalha. Durante esse tempo, ela tranca o filho de 9 anos no armário do quarto. Certo dia, o marido chega a casa e o amante ainda lá está. Então ela tranca o amante no armário onde estava o filho. Ficaram lá um bocado, até que o miúdo diz: - Tá escuro aqui... - Está... - Eu tenho uma bola de ténis para vender... - Que giro! - Queres comprar? - Não! - Pronto... Se preferes que eu diga ao meu pai... - Quanto é que queres pela bola? - 25 euros. - Toma.   Uma semana depois, o marido torna a chegar cedo e o amante ainda está em casa. O miúdo está no armário. O amante vai para o armário. Eles lá ficam em silêncio até que o miúdo diz: - Tá escuro aqui... - É, está. - Eu tenho aqui uma raquete de ténis para vender por 150 euros. - Que bom. - Queres comprar? - 150 euros??? É muito cara!! - Se preferes que eu diga ao meu pai... É contigo.. - Nao, não... Eu compro. - Aqui está.   Outra semana depois, o marido torna a cheg...

Picos ancorenses

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No Vale do Âncora, abrigado do vento norte pelas frandas da Serra D’Arga e, do vento sul pelos contrafortes do Monte de Santa Luzia, numa vasta planície de aluvião, fértil de pastagens, onde os grandes herbívoros, depois do gelo do Wurtimiense e, talvez mesmo, do “optimum post-glaciar”, faziam companhia a um grande centro comercial que, do mar, extaia os seus principais produtos alimentares, bem documentados pelos numerosos “picos” existentes nas praias do litoral a que Serpa Pinto chamou, justamente, de industria do “ancorense”. Coube de facto a este ilustre geólogo (1925), o mérito de pela primeira vez assinalar nesta zona, a presença de uma indusria Pré-histórica, sobre seixos quartziticos em níveis de praia elevada (5 a 10 metros), nomeadamente entre o Forte do Cão e Moledo. Ora, por analogia com o “pico” do verdadeiro “asturiense”, fácies industrial encontrado em várias grutas das Astúrias (Espanha) e em Biarritz (Fr...