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A mostrar mensagens de junho, 2009

Feijoada de sames de bacalhau

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Os sames de bacalhau fazem parte do baú das recordações dos antigos pescadores do bacalhau nos mares da Terra Nova. Os sames (bexiga natatória do bacalhau), assim como as línguas ou as caras eram salgados à parte e constituíam um dos raros pitéus a que os pescadores tinham acesso durante o tempo de faina. Já aqui falei sobre a “Chora”, um prato confeccionado com as caras de bacalhau. Agora vou falar sobre os sames que habitualmente se fazem em feijoada ou com grão-de-bico. Encontramos os sames à venda em algumas mercearias populares das zonas piscatórias ou nas cidades em casas especializadas na venda de bacalhau. Em Vila Praia de Âncora, pelo menos, não é difícil encontrar este acepipe pouco conhecido fora da classe piscatória.   Põe-se os sames de molho, assim como o feijão branco. Pode-se usar feijão de lata, mas não é a mesma coisa! Limpam-se os sames retirando a pele escura, cartilagens e alguma impureza. Dependendo do tamanho pode-se (ou não) cortar cada same em bocado...

Canhoneira a vapor "RIO MINHO"

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Fiz referencia em posts anteriores à lancha fluvial "Rio Minho", que desempenhou durante décadas o brioso papel de fiscalização ao longo do troço internacional deste rio. Recentemente, o amigo Rui Amaro, grande entusiasta de tudo o que esteja ligado à navegação, publicou um magnífico post sobre todas as lanchas, portuguesas e espanholas que operaram no Rio Minho. Com o devido agradecimento ao autor, decidi transcrever a parte respeitante à:   RIO MINHO – Lancha canhoneira de fiscalização fluvial de aço, 24,60m pp/38tons, 0,70m calado, lançada água a 02/11/1905 no velho Arsenal de Marinha de Lisboa, baptizada de INFANTE D. MANUEL.     Desenho de Luís Filipe Silva   Estava equipada com uma máquina a vapor de 64cv, que accionava duas rodas de pás posicionadas lateralmente a meio-navio que lhe dava 7,5nós, 49 tripulantes incluindo um primeiro-tenente como comandante, uma peça Hotchkiss com o calibre de 37mm, montada em caça.   A sua construção foi parcialmente paga com o que...

Costa Verde, praias azuis

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Publicou a revista “FOCUS” no seu nº 505 um artigo sob o tema “Costa Verde, praias azuis”. Porque no referido artigo são cometidas diversas incorrecções sobre Vila Praia de Âncora importa corrigi-las. Fiquei com a ideia que a articulista de uma forma leviana escreveu sobre algo que desconhece e apenas terá vertido alguns dados para as páginas da revista, copiados sabe-se lá de onde. A intenção até podia ser louvável, mas o resultado foi medíocre, o que não abona nada em favor de uma profissão que tem tanto de influente, como se pretende rigorosa e credível. O que neste caso, notoriamente não aconteceu.  Vamos a factos: “… a aldeia ascendeu à categoria de cidade de Vila Praia de Âncora em 1924.” Na realidade Gontinhães ascendeu a vila e tomou a designação de Vila Praia de Âncora em Julho de 1924, mas nunca foi cidade.   “… já no século XVIII existia o porto de abrigo na Lagarteira.” É falso, não havia qualquer porto. Existia...

Festa do Mar e da Sardinha

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Encerrou no passado dia 14 a Festa do Mar e da Sardinha que decorreu no Campo do Castelo em Vila Praia de Âncora. Para o efeito foi montada uma tenda gigante que alojou um conjunto de artesãos e de empresas da região, assim como diversos restaurantes. No exterior, uma marca automóvel promoveu um feirão e estavam expostos diversos modelos de barcos de recreio e autocaravanas. Os dois primeiros dias foram desastrosos em termos atmosféricos pois choveu “a cântaros” tornando o terreno lamacento e pouco próprio para a circulação pedonal. Mas o S. Pedro acabou por colaborar e nos dias seguintes a afluência ultrapassou as expectativas, com enchentes sucessivas de turistas, demandando a nossa saborosa sardinha. Penso que a aposta foi ganha, o modelo funcionou e para isso também contribuiu uma correcta e afincada promoção do evento. Não só os comerciantes que apostaram no aluguer de espaços dentro do recinto se mostravam satisfeitos, como a generalidade dos restaurantes da Vila tiver...

7º Passeio Pedonal - Pelos caminhos de Santo Antão

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Organizado pela Junta de Freguesia de Vilarelho, os passeios pedonais tendo como centro nevrálgico o Monte de Santo Antão, são já uma referência nas iniciativas deste género, que nos últimos anos se tem multiplicado (felizmente) um pouco por todo o lado. Concentração matinal; os autocarros esperavam   Ontem, 14 de Junho, o dia nasceu sombrio, as nuvens baixas tapavam o céu e a ameaça de algumas pingas pairava no ar. Durante o dia verificamos que o S. Pedro acabou por ajudar, pois nem o calor apertou, nem a chuva passou de uma remota ameaça matinal. Concentrados às oito e meia da manhã na urbanização da Selminho, depois de umas bolachas e o Vinho do Porto a fazer de “mata bicho”, todos foram acomodados nos autocarros até Santa Luzia onde, quiçá pombos correios, fomos largados em direcção a casa, melhor ao Monte de Santo Antão, termo deste exigente passeio pedonal. Jardins de Santa Luzia   A coluna estende-se   Os grupos formam-se     Tambem fui apanhado pela objectiva atenta ...

Pérolas amargas (2ª parte)

O farol tornou-se visível mais cedo que as contas feitas pelo capitão, que atribuiu este desfasamento a um amainar do vento e da ondulação, com consequente aumento da velocidade do barco. - Ilhas Cies à vista, rumo 075, máquina devagar à vante… - Não se vê nada, senhor. Não seria melhor esperar pela manhã? - Quantas vezes entrou no porto de Vigo, imediato? - É a segunda vez… - Pois eu já aqui entrei mais de vinte… mais de trinta vezes. Quando se atinge aquele farol, o das ilhas Cies, muda-se de rumo, cruzamos devagar e fundeamos aqui – bateu com dedo grosso sobre o mapa – e esperamos piloto para atracar. Menos máquina… menos máquina, pode estar outro barco aí à frente… O cargueiro deu de bordo à luz encarnada do pequeno farol e avançou decidido a entrar nas águas remansosas da Ria de Vigo. - Marinheiro, largue a sonda… só para verificar… - Senhor capitão, só temos quatro braças… - Você está bêbado… meça outra vez...

Pérolas amargas (1ª parte)

No mês passado publiquei uma breve nota histórica sobre o navio "Antinous" que encalhou na praia de Moledo a 22 de Janeiro de 1922. Hoje publico a primeira parte de um conto onde a realidade se mistura com a ficção. Será que o capitão (chamemos-lhe Jones) confundiu os farois? Estaria tão mal tempo que o navio foi desviado do rumo? Se calhar nunca o saberemos... mas esta é (apenas) a forma como eu "vi" o desastre.   O barulho cadenciado da máquina a vapor de tripla expansão adormecia-lhes os sentidos. O barulho e os tragos de aguardente que tinham embarcado discretamente em Buenos Aires, no estuário do Rio da Prata onde tinham recebido os sacos de milho que enchiam os porões do cargueiro inglês. A viagem começara com bom tempo, Janeiro era mês de Verão nos mares do sul e tinham apanhado uma verdadeira calmaria até à escala de reabastecimento na ilha do Sal, em Cabo Verde. Uma escala rápida, apenas vinte e quatro horas para encher as tulhas de carvão e os depósitos de...

Tempos modernos

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... e para o jantar... huuummm, com fígado e verduras!