Sobrinho Simões, médico, investigador e director do IPATIMUP
“Era o filho mais velho de quatro irmãos, o único rapaz. Manuel, como o meu pai, o meu avô, o meu bisavô... Treinado para ser médico. Porque o meu pai era médico e toda a família, inclusive do lado da minha mãe, também. Nasci em 47. Não havia televisão. Portugal era um país muito triste. O meu pai era esquerdista, a minha mãe católica e salazarista. A família do meu pai era republicana, a da minha mãe monárquica. Eu era um miúdo que não tinha graça nenhuma. Passava a vida a ler. Li tudo. Tudo. Comecei muto novo. Adorava ir para Arouca, para casa dos meus avós. E, naquela altura, as férias eram muito grandes. Em Arouca não havia nada para fazer. Então, lia Aquilino Ribeiro e Camilo Castelo Branco. Em casa do meu pai lia Eça e Antero, na dos outros avós lia os românticos. Era gordo, não tinha jeito para desporto. Joguei hóquei no Vigorosa, mas fui sempre suplente. E suplente do guarda-redes. Pior não podia ser! Mas fui sempre esforçadíssimo, isso sim. E sempre tive muita dificuldade em ...