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A mostrar mensagens de maio, 2010

As Sandálias do Pescador

Texto publicado no jornal "Diário do Minho" de Braga, um orgão de imprensa ligado à Igreja. Muito curiosa é a autoria deste mesmo texto. Leiam, por favor.                     De novo um título alheio. Hoje, sabe o Leitor, de Morris West. Como sabe também o Leitor, Michel Anderson realizou a partir dele uma fita (como se dizia no meu tempo), de grande êxito, estrelada por Anthony Quinn e dois outros colossos do cinema: Laurence Olivier e Vitorio de Sica. Como recordam, havia ali muito de profecia pois, quinze anos antes da chegada a Roma de João Paulo II, Morris West punha na Cadeira de Pedro, um Papa Polaco: Kiril Lakota. Mas o livro integra uma mensagem que vai muito além da casual ou meditada profecia e nela centralizo esta crónica. Casual é vir o título a encimar Crónica escrita na semana em que pela terceira vez temos um Papa em Terras de Santa Maria. Quando o escolhi nem pensei na coincidência. É certo que poderia eu, a partir de “As Sandálias do Pescador”, fazer a anál...

O linho em volta da Serra D’ Arga (2ª parte)

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As diferentes fases do linho   Em Portugal o cultivo do linho pouco difere de região para região (Alves, 2002). As mudanças mais significativas dão-se ao nível do vocabulário que identifica certas operações de processamento e os utensílios ou equipamentos próprios deste labor. A variedade usada é geralmente o linho “galego” que deve ir para a terra na primeira quinzena de Abril sendo arrancado em Julho, após um desenvolvimento médio de cem dias. Sementeira – Com o terreno pronto, bem adubado, lavrado, gradado e dividido em leiras, faz-se o lançamento das sementes para a terra. A sementeira é feita em lance farto (mão cheia) verificando-se ainda um antigo costume de molhar com saliva a cabeça do dedo polegar e encostá-lo à terra: se vierem sete sementes agarradas, o campo considera-se bem semeado. Regas – A primeira rega, ligeira, deve ser efectuada três dias após a sementeira se o tempo estiver seco e quente. As restantes até um máximo de doze, embora haja quem defenda o máximo de no...

O linho em volta da Serra D’ Arga

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“Na sala do linho está a gloriosa recordação da família portuguesa, das virtudes das nossas mães, do nosso lar. Tudo alvo puro, respirando o perfume da modesta flor azul, espelhando a frescura dos ribeiros e dos lameiros. Será talvez sentimentalismo, mas um minhoto não olhará para este quadro encantador, para as maravilhas da roca e do fuso, sem alguma comoção” (Vasconcelos, 1884, 145)   Introdução   O linho sempre exerceu um determinado fascínio sobre mim. É certo que não descendo de família camponesa, por isso nunca tive um contacto privilegiado com esta cultura, mas fruto de um relacionamento antigo e frequente com as gentes das aldeias em volta da Serra D’Arga, absorvi o gosto e algum conhecimento deste ícone da cultura local. O linho é mais que uma planta, uma cultura agrícola, um fio ou um pano. É o exemplo paradigmático que a soma das partes é mais que o todo. É uma actividade complexa, com tradições, ritos e manifestações culturais que diferem em cada lugar, embora...