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A mostrar mensagens de novembro, 2024

Empresa de Pesca de Viana

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Foi no dia 16 de agosto de 1913 que no escritório do Dr. Cortez, na rua Mateus Barbosa em Viana do Castelo, foi lavrada a escritura de constituição da "Parceria de Pescarias de Viana" que viria em 1925 a adotar o nome de "Empresa de Pesca de Viana". Sede da Empresa de Pesca de Viana A pesca do bacalhau em Viana do Castelo está indissociavelmente ligada à figura de um grande homem, JOÃO ALVES CERQUEIRA . Homem de uma visão empresarial fora do comum, quando entrou para a Administração da Empresa de Pesca de Viana, imprimiu uma dinâmica de gestão inovadora e revolucionária para a época. João Alves Cerqueira Com o seu amigo Vasco d'Albuquerque d'Orey, relançou a Empresa de Pesca de Viana nos anos 30, com a construção de três navios em aço nos Estaleiros da CUF, o lugre "Santa Maria Manuela" (1937), e os navios-motor gémeos "Santa Maria Madalena" e "São Ruy" (1939); nos anos 40 com a formação dos Estaleiros Navais de Viana do Castelo...

O trágico fim do Vasco d'Orey

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O “ Vasco d’Orey ”, arrastão clássico, assim como o seu gémeo “ Santa Maria Madalena ” foram construídos para a Empresa de Pesca de Viana, pelos Estaleiros Navais da mesma cidade. A 1 de Maio de 1961, ocorreu a cerimónia da flutuação do primeiro, muito concorrida e animada. O navio dispunha de uma máquina MAN de 1600 hp, 78 metros de comprimento e capacidade de 23.400 quintais de bacalhau. A 10 de Abril de 1963, um grave acidente na casa dos caldeiros, quando os pescadores estavam a vestir as pesadas roupas para a manobra, um dos caldeiros explodiu, deixando o compartimento com um ambiente demoníaco. Com queimaduras de vários graus, ficaram 10 tripulantes, que foram levados com eficácia para um hospital de St. John’s, apesar de se encontrarem a 30 horas de navegação. Anos passados, deram um grande apoio, quer navio, capitão e tripulação, em 23 de Abril de 1971, ao naufrágio do arrastão de popa “ Santa Isabel ” propriedade da EPA, em situação trágica e prestes a voltar para Portugal. Co...

A seca de Darque

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Em regra, a secagem do bacalhau situava em local próximo às salinas, nas fozes dos rios, quase sempre na margem esquerda dos mesmos. Isto deve-se a um fenómeno geológico relacionado com a hidrografia que determina nomeadamente a formação dos sapais e cabedelos nesta zona. De resto, a localidade de Darque que deve o seu nome a uma vila romana que ali existiu, pertencente a um senhor chamado Arquius, foi em tempos um lugar da paróquia de Santa Maria das Areias. Seca do bacalhau em Darque e o Monte de Santa Luzia ao fundo Junto ao Cais Novo, fundou-se em 1774 a fábrica de Louça de Viana do Castelo e no século XX aqui existiu a Seca do Bacalhau pertença da EPV. As mais antigas referências às salinas de Darque datam de 1085, daqui partindo embarcações rio acima, chegando a carregar até quinze toneladas e atracando em todos os ancoradouros da margem esquerda do rio Lima, muitos deles votados ao esquecimento, aliás à semelhança do que se verifica com as salinas. Aspeto curioso a registar, des...

Antiga Doca Comercial de Viana

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Antiga Doca Comercial de Viana nos primeiros anos do século XX. Podemos distiguir alguns veleiros e vapores, certamente usados no transporte de mercadorias. Os navios do bacalhau chegarão alguns anos mais tarde.

A pesca do bacalhau e o desenvolvimento de Viana da Castelo

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No princípio do século XX, Viana do Castelo vivia numa letargia e conformismo deprimentes. Deve-se ao Dr. Gaspar Teixeira de Queirós Coelho de Castro e Vasconcelos, juiz de direito, natural dos Arcos de Valdevez, o relançamento da pesca do bacalhau em Viana. Lugre GASPAR Conseguiu mobilizar as forças vivas e angariar o capital para formar o embrião, da que viria a ser a Empresa de Pesca de Viana, no ano de 1913. Com a entrada de João Alves Cerqueira e Vasco D'Orey nos anos 30 a EPV progrediu e assistiu-se a um surto de desenvolvimento que já não se verificava há séculos em Viana do Castelo. O porto desenvolveu-se fruto da necessidade de se adaptar à dimensão dos navios. Novas indústrias se desenvolveram e o comércio cresceu para satisfazer o aumento de navios e trabalhadores na pesca do bacalhau. João Alves Cerqueira Os Estaleiros Navais de Viana do Castelo, surgiram para satisfazer a construção de três arrastões para a pesca do bacalhau sendo dois para Viana e um para Aveiro, dand...

Os Portugueses e o bacalhau

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Os primeiros indícios relacionados com a pesca e a salga do bacalhau em Portugal, remontam aos inícios do século XIV; no entanto, foi na época dos Descobrimentos, quase cem anos depois, que os portugueses perceberam que o bacalhau era um alimento importante, por resistir às longas travessias marítimas. Os pioneiros na pesca do bacalhau foram os vikings que, na falta do sal, deixavam o peixe a secar ao ar livre nos barcos. Na Idade Média, o sal era uma mercadoria valiosa que os portugueses tinham e utilizavam como moeda de troca com os países nórdicos, de quem importavam o bacalhau e para quem exportavam o sal. Foi também na época dos Descobrimentos que surgiu o rótulo “ bacalhau da Noruega ”, uma vez que coincidem os relatos da primeira pesca de bacalhau com o método da salga, durante essas mesmas viagens de descobertas. Por volta do ano de 1506 foi decretado um imposto sobre o bacalhau que entrava nos portos entre o Douro e o Minho. Entretanto, a pesca por frotas portuguesas manteve-s...

Grupo de pauliteiros de Âncora

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Por mero acaso vi esta foto e como desconhecia totalmente a existencia de tal grupo, perguntei ao Fernando Gomes se teria existido ou era mais uma aldrabisse das que se leem por aí. Realmente existiu, de forma efémera, por vontade e entusiasmo de algumas pessoas do Lugar da Aspra, mas a moda dos pauliteiros não " pegou " em Âncora e o grupo extinguiu-se. Os trajes dos dançarinos são uma mistura do traje tradicional das mulheres do Alto Minho, com um " ar " tropical nos homens, certamente inpirados na forma de trajar brasileira. Interessante seria conhecer as musicas e as letras que o grupo usava nas suas danças, ao que parece com os homens ao centro a jogar os paus e as mulheres a dançar em volta.

Ministro da Marinha é recebido pelo Comandante Ramos Pereira

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No mesmo dia, 29 de janeiro de 1949 em que foram lançadas as obras de construção do Bairro dos Pescadores em Vila Praia de Âncora, foi iniciado o processo de construção de 5 novos arrastões nos Estaleiros Navais de Viana do Castelo. A presidir a esta cerimónia o Ministro da Marinha, Américo Tomás e o "patrão" das pescas em Portugal, Henrique Tenreiro. Vejamos como o jornal "Diário de Lisboa" deu a notícia:   Diário de Lisboa Viana do Castelo 29 de janeiro de 1949 "Nos estaleiros navais desta cidade, iniciou-se hoje, com a presença do sr. Ministro da Marinha, a construção de cinco novas unidades de pesca de arrasto, destinadas a quatro empresas de Lisboa e uma de Aveiro. Cerca das 10 horas, o sr. Comandante Américo Tomás entrava nas amplas oficinas de caldeiraria dos estaleiros onde era recebido pelos srs. Vasco d’Orey, João Alves Cerqueira, eng. Américo Rodrigues, Alberto Bettencourt, João Delgado Cerqueira e Guilherme d’Orey, da direção dos estaleiros, e ainda...

Inaugurações em Vila Praia de Âncora

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Transcrição do jornal regional “A Aurora do Lima” de 4 de fevereiro de 1949 “Sob a presidência do senhor Governador Civil, capitão Ornelas Monteiro, rodeado dos senhores Comandante Henrique Tenreiro, Dr. Alberto Meireles, Dr. Carlos Carvalho, médico da Casa dos Pescadores, D. Maria Augusta Pereira D’ Eça de Alpoim, subdelegada da Mocidade Portuguesa, Dr. Dantas Carneiro, Presidente da Câmara Municipal de Caminha, outras entidades locais e o senhor Carlos Cordeiro Feio presidente da Comissão de Turismo, realizou-se no sábado último, naquela risonha localidade a inauguração das obras no bairro dos piscatório.   Nesta sessão foi tributado o devido reconhecimento ao Governo do Estado Novo e ao senhor Comandante Henrique Tenreiro que foi muito aplaudido pela numerosa assistência em que predominava o elemento piscatório. Como o senhor Carlos Cordeiro Feio aludisse a dificuldades porque estava a passar a sopa dos pobres, o senhor Comandante Henrique Tenreiro prometeu um subsídio igual a outro...

Maria da Graça Lopes de Mendonça Ramos Pereira

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Maria da Graça Lopes de Mendonça nasceu em Lisboa em 2 de Março de 1919, f ilha de Vasco Lopes de Mendonça [1883-1963], engenheiro, caricaturista e ceramista, sobrinha de Alda Lopes de Mendonça, rendeira e de Virgínia Lopes de Mendonça [1881-1969], escritora. Maria da Graça era neta de Henrique Lopes de Mendonça [1856-1931], autor da letra do hino "A Portuguesa", e de Maria Amélia Bordalo Pinheiro, irmã de Rafael e Columbano Bordalo Pinheiro, bem como, tia de Gustavo Bordalo Pinheiro. Maria da Graça casou a 11 de Maio de 1939 com Jorge Maia Ramos Pereira, que entrara para a Marinha em 1920 e aí permaneceu até à reforma em 1971 com o posto de contra-almirante. Tal como o marido, tiveram sempre uma militância antifascista e por proposta de Maria do Carmo Vieira, aderiu ao Conselho Nacional das Mulheres Portuguesas em 1941 até ao seu encerramento compulsivo, ordenado pelo governo do Estado Novo em 1947. Embora o casal vivesse habitualmente em Lisboa, tinham construído em Vila Pr...

Acidente na Praia d' Âncora

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Artigo que encontrei no jornal "A Aurora do Lima" de 11 de fevereiro de 1949, referente a um acidente, no mínimo, fora do comum. "Há dias, os menores António Lourenço H. Esteves e António L. Esteves respectivamente filhos de Constantino Esteves e de Emília de Sousa encontraram aberta a porta da torre da Igreja Matriz e lembraram-se de ir tocar os sinos. Fizeram-no, porém de forma que foram arrastados pela corda e cairam o primeiro no telhado donde rolou para o adro, e o segundo pelas escadas. A ambulancia dos Bombeiros Voluntários de Vila Praia de Âncora conduziu ao hospital de Caminha os feridos, que ficaram internados, por ser grave o seu estado."

O Porto Novo

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O “ Porto Novo ” de Vila Praia de Âncora surge como uma tentativa de criar mais proteção para o frágil “ Portinho ” então existente e também para criar uma nova área de varadouro. Porto Novo, apanha de sargaço - cerca de 1950   Os naufrágios frequentes na aproximação ou entrada do “ Portinho ”, bem como os estragos que o mar causava nos seus molhes durante o inverno, também pesaram na decisão da construção de um reforçado molhe ao norte dos equipamentos então existentes. Começa inicialmente por ser um incompleto e tosco molhe galgável pelo mar, ainda no século XIX; por insistência repetida de figuras como o Dr. Luís Inocêncio Ramos Pereira, a Comissão de Iniciativa e Turismo local e a autarquia, foi adjudicada a construção do molhe do “ Porto Novo ” em 1934.   Publicação em Diário da República da adjudicação de empreitada   Sobre o “ Porto Novo ” escrevia o Comandante Baldaque da Silva em 1891: “Pelo norte do forte de Âncora existe uma espécie de varadouro, cortado na penedia, começo d...

O ataque ao Reduto de Camposancos

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O sistema de defesa da costa portuguesa, aprimorado no fim do século XVII, após a Restauração da Nacionalidade (1640), do qual faz parte o Forte da Lagarteira e o Forte do Cão, importa ter a noção que à época havia um conflito armado com o país vizinho, mas havia também a necessidade de proteger as rotas de navegação e as povoações ribeirinhas dos ataques piratas. Planta de localização do reduto Deste sistema, só para referir a norte de Viana da Foz do Lima, faziam parte o Forte de Santiago da Barra, o Forte de Areosa, o Forte de Paçô, os já referidos fortes do Cão e da Lagarteira, bem como o Forte da Ínsua na Foz do Rio Minho. Ao longo do curso do Rio Minho, em cada margem existe uma correspondência de povoados: Caminha do lado de Portugal, A Guarda do lado de Espanha e assim sucessivamente; Vila Nova de Cerveira, Goian; Valença, Tui; Monção, Salvaterra. Daí a necessidade das fortificações em cada um destes aglomerados populacionais. Na mesma época (fins do século XVII) foram remodela...