A pesca do bacalhau e o desenvolvimento de Viana da Castelo

No princípio do século XX, Viana do Castelo vivia numa letargia e conformismo deprimentes. Deve-se ao Dr. Gaspar Teixeira de Queirós Coelho de Castro e Vasconcelos, juiz de direito, natural dos Arcos de Valdevez, o relançamento da pesca do bacalhau em Viana.


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Lugre GASPAR


Conseguiu mobilizar as forças vivas e angariar o capital para formar o embrião, da que viria a ser a Empresa de Pesca de Viana, no ano de 1913.


Com a entrada de João Alves Cerqueira e Vasco D'Orey nos anos 30 a EPV progrediu e assistiu-se a um surto de desenvolvimento que já não se verificava há séculos em Viana do Castelo.


O porto desenvolveu-se fruto da necessidade de se adaptar à dimensão dos navios. Novas indústrias se desenvolveram e o comércio cresceu para satisfazer o aumento de navios e trabalhadores na pesca do bacalhau.


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João Alves Cerqueira


Os Estaleiros Navais de Viana do Castelo, surgiram para satisfazer a construção de três arrastões para a pesca do bacalhau sendo dois para Viana e um para Aveiro, dando emprego a muitos milhares de trabalhadores, quer na construção das infraestruturas, quer na construção dos navios propriamente. Com estas duas indústrias em laboração plena, Viana do Castelo teve um crescimento só comparável na época do comércio do açúcar Brasileiro, no século XVII.


A fama do bacalhau «cura de Viana» e a qualidade dos navios construídos nos ENVC, alastraram por todo o país e foram uma mais valia para a região, económica e socialmente, melhorando o nível de vida e dando emprego a milhares de trabalhadores.


Porém, temos de recuar nos tempos para encontrar esta vocação atlantica do povo vianense. Viana deve a sua formação a um povoado de pescadores que ao longo dos séculos se perpetuaram, passando os saberes para os vindouros.


O interregno que se verificou na pesca do bacalhau depois da perda da independência no século XVI até ao início do século XX, não impediu que os pescadores vianenses descurassem a arte da pesca.


Os fracos proventos que recebiam da captura das espécies existentes, à época no "Mar de Viana" (sardinha, carapau e cavala), mal davam para o sustento familiar.


A criação de empresas de pesca do bacalhau (no distrito existiram quatro) veio melhorar a sobrevivência de muitas famílias, apesar da vida da pesca do bacalhau ser árdua, perigosa e de muito sacrifício, permitindo aos pescadores auferirem um pecúlio um pouco maior do que auferiam na pesca local.


Na base de dados do Museu Marítimo de Ilhavo, sobre pescadores do bacalhau do Distrito de Viana do Castelo, encontramos 1781 registos.


 

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