Representação de pescadores Ancorenses em 1905

 

Jornal "A Aurora do Lima" de 26 de julho de 1905

Foi mantida a grafia original do artigo.


"Foi ante-hontem dirigida ao sr. Conselheiro Povoas, digno director dos caminhos de ferro do Minho e Douro, uma representação assinada por 100 pescadores da praia de Ancora, em que se pede áquelle funccionario autorização para se atrelar um vagon aos comboyos especiaes e correios, descendentes, que conduza para diferentes pontos o peixe colhido pelos pescadores daquela praia.

Os signatários da representação alegam que a falta de meios de locomoção na estação d’Ancora ocasiona a inutilização do peixe que se destina a outros pontos do paiz, o que representa um grande prejuízo para a classe piscatória daquela praia, e pedem para que na referida estação permaneça um vagon que possa ser aproveitado em qualquer daqueles comboyos.

Como se vê a reclamação é justa, sendo de esperar que o sr. Conselheiro Povoas a atenda."


Conselheiro Povoas, de seu nome José Fernando de Sousa (1855-1942), natural da Póvoa do Varzim, engenheiro, monárquico convicto, ultraconservador católico, antiliberal e antimaçónico.


Foi conselheiro de Estado em 1904, deputado em 1906 e senador em 1925. Demonstrou grande perícia técnica em trabalhos relacionados com a ferrovia, que sempre defendeu em detrimento do automóvel como meio de transporte de pessoas e mercadorias a longas distâncias.


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