Conto escrito em 2014 e publicado no meu (outro) blog rioancora.blogspot.com; embora ficionada esta narrativa foi-me transmitida pelo Silvino Pereira, um dos bombeiros Ancorenses que intervieram neste incêndio. O dia nascera soalheiro, como seria de esperar de um dia primaveril em que os melros e pardais se afadigam na construção dos ninhos e as plantas vicejam pelas terras férteis e húmidas dos vales e das encostas. Estávamos no dia 26 de Abril de 1957, em Vila Praia de Âncora, pacata vila e porta de entrada do Vale do Âncora, herdeira legítima da velha Gontinhães. Era sexta-feira e em nada se distinguia dos demais dias da semana. No Portinho, as masseiras varavam na areia suavemente empurradas pelo impulso dos remos. Em terra, as mulheres esperavam o peixe para logo abalarem terra dentro, na venda que irá render uns magros tostões a repartir pela companha Na serração, à força do vapor da caldeira, máquinas de dentes traiçoeiros, transformavam troncos em tábuas e estas em caixas, depo...