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A mostrar mensagens de janeiro, 2014

O calote do taberneiro da Praia de Âncora

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Da autoria do Prof. Paulo Bento esta crónica deliciosa sobre a Praia d'Âncora e as suas gentes. Não resisti a publicá-la!   Ainda não tinha passado um ano da instauração da República, quando as ameaças monárquicas ao novo regime, protagonizadas por Paiva Couceiro, obrigaram à mobilização de tropas governamentais para o norte do país. Entre julho e dezembro de 1911, militares da Armada andaram regularmente pelos concelhos da raia alto-minhota, entre os quais Caminha, patrulhando a fronteira e prevenindo as conspirações realistas. Um dos destacamentos ficou estacionado na Praia de Âncora, trazendo uma nota de animação ao quotidiano daquela terra de coração republicano: "Bom exemplo de patriotismo acaba de mostrar um pequeno grupo de marinheiros aqui destacado. No passado domingo [5 de novembro], com uma criança vestida de República e acompanhada da banda musical desta freguesia [Gontinhães], percorreu as ruas e lugares desta praia, angariando donativos para a subscrição a favor ...

A fome dos invernos longos

Aurora desperta a razão Nas águas agitadas do mar gélido Como gigante impondo a vontade Ao pobre pescador aperta o coração Por a maresia não fazer sentido E amarrá-los em terra à mendicidade   Terras a dentro vão em procissão Casa a casa pedem pão Arrastam os tamancos pelo caminho As lajes testemunham a submissão Homens famintos com o grilhão De filhos que esperam bucha e carinho   A brisa virou a noroeste O mar engole a espuma e as mágoas Retira-se para onde impera A refrega já não é agreste Redes, anzóis, velas e masseiras Vamos ao mar que arribou a primavera   Para trás fica a triste lembrança A fome e a miséria aplacadas Com côdeas e caldos magros O Senhor dos Aflitos lhes dá esperança A agulha os guiará pelas águas diáfanas Peixe será ouro nos seus desejos