A fome dos invernos longos

Aurora desperta a razão


Nas águas agitadas do mar gélido


Como gigante impondo a vontade


Ao pobre pescador aperta o coração


Por a maresia não fazer sentido


E amarrá-los em terra à mendicidade


 


Terras a dentro vão em procissão


Casa a casa pedem pão


Arrastam os tamancos pelo caminho


As lajes testemunham a submissão


Homens famintos com o grilhão


De filhos que esperam bucha e carinho


 


A brisa virou a noroeste


O mar engole a espuma e as mágoas


Retira-se para onde impera


A refrega já não é agreste


Redes, anzóis, velas e masseiras


Vamos ao mar que arribou a primavera


 


Para trás fica a triste lembrança


A fome e a miséria aplacadas


Com côdeas e caldos magros


O Senhor dos Aflitos lhes dá esperança


A agulha os guiará pelas águas diáfanas


Peixe será ouro nos seus desejos

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