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A mostrar mensagens de julho, 2007

"Gil Eannes" o navio mãe da frota branca (2ª parte)

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Continuamos com o relato do Capitão Mário C. Fernandes Esteves que, relembramos, foi Comandante do “Gil Eannes” durante doze anos.     Para que seja possível fazer-se uma ideia do que significava e dos números envolvidos em cada uma das múltiplas actividades que o “Gil Eannes” desenvolvia, permitam-me muito sucintamente que diga o seguinte:   Como Navio Hospital Sendo efectuadas, por época de pesca, cerca de 4000 a 4500 consultas, ficavam internados a bordo, aproximadamente e por campanha, 400 doentes acidentados ou com doenças de menos gravidade. Executavam-se por época cerca de seis a sete dezenas de intervenções de grande cirurgia, cerca de duas centenas de extracções dentárias, inúmeros exames radioscópicos, um sem número de análises e, variadíssimas intervenções diárias de pequena cirurgia. Nesta faceta de Navio Hospital, talvez a mais importante de todas as desempenhadas ao longo de uma época de pesca, permitam-me que destaque duas acções que servirão para ...

"Gil Eannes" o navio mãe da frota branca (1ª parte)

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  O navio hospital “Gil Eannes” foi uma bandeira de Portugal nos mares do norte. Não havia pescador português ou de qualquer outra nacionalidade que não o conhecesse, que não o citasse com profundo respeito e reconhecimento. No fim de vida, este navio salvou-se, por pouco, de ser desmantelado para sucata, graças ao empenho de alguns vianenses que nunca o esqueceram. Agora flutua no antigo cais comercial de Viana do Castelo, transformado numa pousada da juventude e aberto a quem o quiser visitar, depois de obras de recuperação levada a cabo nos Estaleiro Navais de Viana do Castelo, os mesmos que o construíram há mais de cinquenta anos. Por haver muitos pescadores ancorenses que conheceram de perto o “Gil Eannes”, alguns foram assistidos dos seus achaques, outros lá trabalharam, que decidi reunir alguns textos que nos ajudam a conhecer melhor este ícone dos mares.     Texto conforme o original do Capitão Mário C. Fernandes Esteves, comandante do “Gil Eannes...

Nas Azenhas de Vilar de Mouros

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Estávamos em Julho de 1976 e as aulas já tinham terminado. Para juntar algum dinheiro, a malta costumava ir à ribeira apanhar percebes, mexilhões, musgo e sargaço para vender. Era um biscate duro, pois andávamos dentro de água horas seguidas a carregar sacos pesados, a escorrer água para tirar o sargaço e levá-lo praia acima até às dunas, para ser estendido e seco. Trinta ou quarenta quilos ao sair da água, que depois de seco ficava em um ou dois quilos, uma miséria! E os percebes eram vendidos nos cafés entre os trinta e quarenta escudos para de seguida serem postos à venda por oitenta ou cem escudos, outra roubalheira, pois nós é que lixávamos as mãos, nós é que ficávamos dentro de água enregelados, pois naquele tempo não havia fatos de neoprene para ninguém. Isso foi uma modernice que apareceu muito depois! Estávamos divididos por equipas de três ou quatro elementos, pois era mais fácil assim do que individualmente e os meus parceiros eram o Nelson e o Zé da Linha, ambos da Laje. Tr...

Há sempre uma solução!

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Soubemos que o sr. Presidente da Junta já desenvolveu esforços junto da EDP no sentido de substituirem este poste.  O director de operações da empresa de electricidade respondeu, dizendo que não tem em stock meios postes (já não se usam), aconselhando o autarca a colocar uma placa de " perigo de colisão " até se encontrar uma solução definitiva.        

Convento de Cabanas - Afife

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    Designação Convento de São João de Cabanas, incluindo a sua mata e os terrenos circundantes   Localização Viana do Castelo, Afife, Lugar de Cabanas     Protecção IIP, Dec. nº 67/97, DR 301 de Dezembro 1997   Enquadramento Rural, implantação harmónica. Implanta-se numa quebrada da encosta, junto à margem direita do Rio Afife e integrado na Quinta de Cabanas; tem fronteiro cruzeiro e nas proximidades vários moinhos. Junto ao muro alto que fecha o pátio do frontespício, ergue-se velha magnólia de largas tradições.   Descrição Planta composta por igreja longitudinal com torre sineira quadrangular, capela-mor rectangular e dependências conventuais de planta quadrangular, adossadas em ângulo recto a S. Volumes articulados com coberturas diferenciadas, em telhados de 2 e 4 águas. Igreja com frontespício enquadrado por pilastras, rasgado por portal de verga recta, encimado por frontão interrompido e que, através de enrolamentos vegetais, se liga a nicho, decorado com volutas e enrolamen...

Dr. Luís Inocencio Ramos Pereira, o pai dos pobres

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O nome Ramos Pereira é por demais conhecido em Vila Praia de Âncora, embora os mais novos apenas tenham uma vaga ideia de um almirante que possui um busto na Praça da Republica e o nome em duas ruas. Só que deliberadamente escrevi dois erros na frase anterior, erros que muitos tomam como verdade. Em primeiro lugar Jorge Maia Ramos Pereira teve como ultima patente militar o posto de contra-almirante e emprestou o seu nome à rua que liga o Largo do Sol Posto ao alto de Vilarinho, pelo Mercado Municipal. Então e a avenida junto à praia? Essa é a Avenida Dr. Ramos Pereira, pai do ilustre militar anteriormente referido e que está quase totalmente esquecido dos ancorenses. É uma pequena nota biográfica deste homem, que vou tentar transmitir-vos. Luís Inocêncio Ramos Pereira nasceu no Porto a 18 de Setembro de 1870 e formou-se em medicina e cirurgia na escola Médico-Cirurgica do Porto em 1897 com a tese “a cocaína na cirurgia”, mas tinha as suas raízes em Riba d`Âncora, terra natal de seu pai...

Americanices...

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Acompanhamos o treino dos "marines" antes da invasão do Iraque Após a invasão os americanos, como sempre, continuaram a fazer figuras tristes E ainda há gente que se admira de eles andarem a levar no "pêlo" todos os dias  

A Bela e o Monstro IX

- D. Júlia, logo, depois do almoço venho mais tarde. Lembra-se do que lhe falei a semana passada? - Ah… Isso da carta. Claro que me lembro. - Carta, então sempre vais tirar a carta? – intromete-se a Tia Joaquina, que deita sempre atenção a tudo. - É, preciso da carta para o meu futuro. Conduzir já eu conduzo, falta é o papelinho. - Eu sei que tu conduzes bem, mas diz ao homem da escola de condução que te leve para fora da Vila, não vá o diabo tecê-las. - Oh Tia Joaquina, você é terrível. Dizer-me uma barbaridade dessas, nem a brincar! A Júlia que atendia uma freguesa no outro lado da loja, virou-se de costas para rir à sucapa. Quando lhe passou o ataque de riso, disse com falso ar sério: - Então Tia Joaquina, não é por causa daquele azar com o carro da polícia que o moço vai ser gozado toda a vida. - Eu sei, estava a brincar com ele, mas ainda não me esqueci que no dia em que virou a ambulância eu também era para aproveitar a boleia e ir ao hospital marcar uma consulta. Olh...

O desencanto d`Eça

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Se há alguma coisa em que nós somos bons é a queixarmo-nos da classe política, sem contudo deixar de agitar as respectivas bandeirinhas quando há eleições. É comum ouvir-se desabafos do género "o 25 de Abril foi bom, mas..." ou " antigamente havia respeito e seriedade, agora..." ou ainda "são uma cambada de incompetentes, querem é encher o saco". Curiosamente em meados do século dezanove ouviam-se ditos identicos, em contexto temporal diferente, com a distancia de cento e cinquenta anos. Este "recado" de Eça de Queiróz é ilustrativo do pensar e do desencanto do escritor perante a classe política então no poder. Se fosse hoje, será que Eça de Queiróz voltaria a escrever o mesmo?

Igreja Paroquial de São Lourenço da Montaria

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     Designação Igreja Paroquial de São Lourenço da Montaria   Localização Viana do Castelo, São Lourenço da Montaria, Lugar da Igreja     Protecção Inexistente   Enquadramento Rural e isolado. Situa-se no centro de um adro, limitado por um muro de alvenaria rebocada e marcado por pináculos nos cunhais, pavimentado com lajeado de granito e com espaços relvados. O acesso efectua-se por 3 entradas, situadas axial e lateralmente, marcadas por cunhais rematados com esferas sobre pedestal.   Tipologia Arquitectura religiosa, maneirista e barroca. Igreja maneirista de planta longitudinal e nave única, com frontispício marcado por duplas pilastras coroadas com pináculos e terminada em frontão triangular, com nicho no tímpano, no alinhamento do portal, emoldurado por pilastras e entablamento, e janelão, coroado por frontão de volutas; Interior de características barrocas, com retábulos em talha dourada, de estilo nacional, azulejos da nave de albarradas, e da capela-mor, figurativos, do cham...

Agarra que é ladrão!!!

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Catrapum… O barulho ecoou na noite fria de Março. Depois, regressou o silêncio. Ao longe ouvia-se o mar, em suaves investidas contra o praial. A Tia Ana Rosa desencostou a cabeça do travesseiro, mas não ouvia nada a não ser o ressonar ritmado e tranquilo do marido, ao seu lado. - Domingos, oh Domingos, acorda homem. - Ah… que foi? - Tu não ouviste? - O quê? - Não ouviste o barulho? - Não mulher. Deixa-me dormir, se calhar foi algum gato no telhado… - Não foi nada. Foi cá dentro. - Aqui na casa? – Duvidava o Domingos Verde. - Sim, aqui na casa. Levanta-te e vai ver na sala e na cozinha. Se calhar foi o oratório que caiu na sala. - Raios partam a minha sorte, logo agora que estava tão bem a dormir. - Despacha-te! O Domingos acendeu a vela que estava na mesinha de cabeceira, vestiu a samarra sobre a camiseta e as ceroulas, caminhou até à sala. Levantou a vela para melhor enxergar, não viu nada de anormal, o oratório estava no sítio, dirigiu-se para a cozinha, rep...