Robalos no nevoeiro
Cinco da manhã toca o despertador, tacteio a mesinha de cabeceira, encontro o relógio que emite o bip bip agudo, carrego no botão, regressa o silêncio. Escuto a "ronca" do nevoeiro, pergunto a mim próprio se não irei fazer uma madrugada, para nada. Levanto-me às escuras, pego na roupa e vou vestir-me para a casa de banho, evitando fazer barulho. Engulo o pequeno-almoço, pão do dia anterior e um par de copos de leite saído do frigorífico, saio de casa e no escuro da noite, apenas um nevoeiro cerrado, cortado pelo clarão dos candeeiros acesos. "Que pôrra, não se vê um palmo à frente do nariz"; mesmo assim, entro no carro e conduzo até ao portinho, duzentos metros mais à frente, onde já estavam outros madrugadores, que avaliavam a possibilidade de sair para a pesca. Já lá estava o Arturinho, quase sempre o primeiro a chegar, o Fernando Nelaço, o Ica, o cunhado e mais alguns. - Isto levanta com o nascer do dia. - Hum, não me parece, vai demorar, se levantar, é lá para o...