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A mostrar mensagens de fevereiro, 2024

A propósito do fim trágico do 2º Duque de Caminha

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No post anterior citei o arcebispo Sebastião de Matos de Noronha, o cérebro que esteve por trás da conjura contra D. João IV, poucos meses após a restauração da independência em 1640. Sebastião de Noronha nascera em Madrid em 1586, foi inquisidor em Coimbra, deputado do conselho geral do Santo Ofício, bispo de Elvas e em1635 arcebispo de Braga. Fiel apoiante da corte filipina, enquanto bispo em Elvas, celebrou o casamento do duque de Bragança (mais tarde rei D. João IV) com D. Luísa de Gusmão; não tendo este fidalgo dado grandes mostras de atenção e reconhecimento pela magnífica hospedagem que o prelado lhe preparara no seu palácio, supuseram alguns, que daí nasceu o ódio que Sebastião de Noronha votou reiteradamente ao chefe da Casa de Bragança. Nos últimos anos do domínio espanhol em Portugal, quando a duquesa de Mântua exercia o cargo de vice-rainha e Miguel de Vasconcelos o de secretário de Estado, tinha o arcebispo Sebastião de Noronha a presidência do Desembargo do Paço. Era tão ...

Sobre os Duques de Caminha

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Corria o ano de 1620 e Portugal continuava sob a coroa de Castela, reinava Filipe III de Portugal e IV em Espanha, que concedeu a Miguel Luís de Menezes (1565-1637) o título de 1º Duque de Caminha. Este senhor já detinha os títulos de 6.º Marquês de Vila Real, 5.º Conde de Alcoutim e Valença. Foi também o 8º Capitão Geral da Praça de Ceuta e casou com Isabel de Bragança (1562-1626), filha de Teodósio de Bragança, 5.º Duque de Bragança e em segundas núpcias com sua sobrinha Maria Brites de Meneses, filha de seu irmão Luís de Noronha e Meneses. Não teve descendentes de nenhum desses casamentos, pelo que, após a sua morte, os seus títulos, exceto o ducado, passaram para aquele já mencionado seu irmão. Luís de Noronha e Menezes casou-se com Juliana de Meneses, filha de Luís de Meneses, 2.º Conde de Tarouca e desse casamento nasceram seus filhos Miguel Luís de Meneses (1614-1641), 2.º Duque de Caminha e Maria Brites (ou Beatriz) de Meneses (?-1668). Porém, o Duque de Caminha teve um fim trá...

A propósito de 13 de fevereiro

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O dia 13 de fevereiro não é comemorado institucionalmente, nem referido na comunicação social, poucos sabem o seu significado e o que se passou em 1919, portanto há 105 anos. Também é verdade que abordo desta efeméride porque em Vila Praia de Âncora existe uma “ Rua 13 de Fevereiro ”, paralela à Rua dos Pescadores, ligando a Rua Celestino Fernandes ao Largo Pedro Bugalho, e essa toponímia espicaçou a minha curiosidade. Em termos muito simples, a 13 de fevereiro de 1919 foi restaurada a República, depois da revolta monárquica liderada por Paiva Couceiro, conhecida por “ Monarquia do Norte ”, que durou apenas 25 dias. Em Vila Praia de Âncora, então Gontinhães, durante esse curto período esteve estacionada uma pequena força militar, apoiando os partidários da causa monárquica; levou também os membros da Junta de Freguesia local a apresentarem a sua demissão, visto não aceitarem a autoridade golpista. Do jornal “ A Capital ” publicado a 25 de fevereiro de 1919, extraímos parte de um artigo...

A Praia d'Âncora em 1916

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Da “ Revista de Turismo ” publicada em 20 de Agosto de 1916 retiramos um artigo da autoria de Guerra Maio (redator principal), onde são apontadas as mais importantes praias portuguesas, com destaque para a Praia d’Âncora, a única a ser referida a norte da Praia da Póvoa. Quer isso dizer que era, à época, a única? Não, definitivamente; mas era certamente a que tinha maior notoriedade e mais frequentada pelas famílias do norte do país.  

Praia das crianças

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Conjunto de fotos de 1919 da Praia d'Âncora, já com as crianças em primeiro plano. Publicadas originalmente na revista " Illustração Portugueza ".

1º Concurso de Pesca

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Foto (em mal estado) do desfile dos pescadores e acompanhantes do 1º Concurso de Pesca em Vila Praia de Âncora a 8 de Outubro de 1950. Esta foto foi tirada na Rua 5 de Outubro, mais ou menos em frente da Pensão Meira. O entusiamo foi tal que aqui foram lançadas as bases para a criação de um clube desportivo de pescadores e caçadores locais.

Na Ribeira

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Designamos por " ribeira " aqueles troços de costa rochosa que durante o baixa mar deixam a descoberto pedras e fragas onde se abrigam diversas espécies. Na foto percebe-se que são três mariscadores munidos de bicheiro, que aqui (por corrupção) se chama " bucheiro ", equipamento muito eficaz para a apanha de polvos. A foto foi originalmente publicada pelo meu amigo Salvador, dei-lhe apenas uns retoques e não resisti a partilhá-la convosco.

Sarrabulho antigo à moda de Gontinhães

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Queria recomentar-vos uma leitura ao magnifico texto “ Contributo para uma genuína carta gastronómica do concelho de Caminha ” publicados no caminha2000 da autoria do historiador Paulo Torres Bento. Ler aqui . É um contributo importante para a história do Concelho e em particular de Vila Praia de Âncora. É também uma reflexão sobre uma economia local (Ponte de Lima) assente no turismo gastronómico, um exemplo que devia ser replicado no nosso território, pois temos os “ ingredientes ”, mas parece que não sabemos “ cozinhá-los ”. Com efeito a indefinição e descontinuidade sobre a aposta e a oferta gastronómica em Vila Praia de Âncora e no Concelho de Caminha em geral, merece nota negativa pelo desnorte evidenciado nas últimas décadas. Sobre o “ sarrabulho antigo ” que Paulo Bento tão bem descreve, parece-me que não será tão determinante o domínio da batata sobre o arroz, pois isso dependia de casa para casa, da tradição familiar transmitida ao longo das gerações. Também o argumento que o...