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A mostrar mensagens de agosto, 2014

Um califado chamado Europa

A recente decapitação do jornalista americano James Foley elevou o nível de alerta da civilização ocidental para um patamar previsível, mas ainda não realizado. Se a isso somarmos o fuzilamento maciço de militares do Iraque e da Síria, às mãos dos insurgentes islamitas, só temos razões para estarmos preocupados. Duplamente preocupados, acrescento! Por um lado, porque o terrorismo islâmico tem um braço muito longo e pode, querendo, chegar onde deseja. Por outro lado, não posso esquecer que foi George W. Bush e “sus muchachos”, que nos Açores, em 2003, deram o pontapé de saída para a invasão do Iraque, como condição fundamental para a instauração da democracia naquelas terras do fim do mundo. Ao invés da democracia anunciada, semearam o caos e o ódio ao ocidente, logo aproveitado pelos lunáticos líderes do radicalismo islâmico para pregarem cruzadas contra tudo o que não fosse a interpretação austera dos preceitos islâmicos. Veja-se o caso da Síria, da Líbia e até do Egipto, em que a re...

O meu primeiro emprego

Esta crónica foi escrita há cerca de dez anos e nunca a publiquei, até hoje. Não sei o que me deu (!!!) mas mudei de opinião, talvez por se aproximar a data de aniversário do meu pai que a 2 de Setembro, se fosse vivo, faria 102 anos. Propositadamente não a corrigi e a prosa é bárbara...     Em 1976 decidi não continuar a estudar, deixei de me enganar e de enganar os meus pais que não mereciam esse embuste de ver o filho todos os dias a sair de casa com os livros. Fui trabalhar para o Porto, no armazém de artigos de papelaria e escritório, do qual o meu pai era um dos sócios. Esta empresa tinha sido fundada dez anos antes por três colegas, o Ribeiro, o Santiago e o Claudino que trabalhavam noutra firma do ramo, na rua Guedes Azevedo. Fundaram então a “Sanori” , primeiro na rua Fernandes Tomás e mais tarde na rua do Bonfim, quando a empresa começou a crescer. Foi nessa empresa que eu aterrei como ajudante de armazém, sem experiência de espécie alguma no ramo. Nem nesse, nem em nenhum ou...

O que diz sim e o que diz não

Embora de forma breve, já fiz parte do Orfeão de Vila Praia de Âncora. Não propriamente do orfeão, leia-se grupo coral, mas da secção de teatro. Nunca tive voz para cantorias, nem jeito para dançar, mas a certa altura convenci-me que tinha alguns dotes de representação. Se calhar convenceram-me, já foi há tanto tempo… Não recordo o ano com exactidão, mas foi pouco depois do 25 de Abril. Disso tenho a certeza! Tudo começou com o Padre Marinho. A direcção do Orfeão “engatou-o” para director artístico do grupo de teatro e para arranjar gente capaz de dar vida àquela secção, já que ninguém queria pegar naquilo. A cisão no Orfeão, que deu origem à criação do Etnográfico de Vila Praia de Âncora, ainda estava muito fresca e notava-se uma certa indefinição, alguma letargia, mas também muita determinação por parte de alguns elementos. Eu é que não tinha nada a ver com aquilo, mas anui com entusiasmo ao pedido do Marinho, para participar numa peça que ele queria levar à cena. Deixem-me abrir um ...