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A mostrar mensagens de setembro, 2009

Obviamente!

A Câmara Municipal de Caminha emitiu recentemente um comunicado onde dá conta dos resultados do estudo “Identificação e Caracterização das Fontes Poluidoras do Rio Âncora” que tinha sido encomendado à Faculdade de Engenharia do Porto. Este estudo aponta a ETAR da Gelfa “como principal foco poluidor” do Rio Âncora assim como as linhas de água pluviais que atravessam a zona urbana de VPA, descarregando na zona do Parque Ramos Pereira e que acarretam lixos e águas residuais. Sem reservas, subscrevo genericamente estas conclusões. Acrescento também que as defendo publicamente há mais de dez anos em artigos de opinião, publicados em jornais ou revistas locais e regionais, assim como durante o meu exercício como vereador na autarquia caminhense entre 2002 e 2005. Foram precisos tantos anos para (afinal) dar a mão à palmatória e reconhecer aquilo que era por demais evidente a qualquer pessoa de bom senso e com um mínimo de conhecimentos sobre ambiente. Lamentável é vir ...

Coração de Viana

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Foto obtida durante a Festa da senhora da Agonia de 2009 em Viana do Castelo. Simplesmente espectacular, digo eu!

Santa Maria d'Âncora vai à feira

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De origem medieval, as feiras apresentaram-se como um dos aspectos mais importantes da organização económica. Após o fim das invasões bárbaras, o ressurgimento económico e a necessidade de promover trocas entre o campo e a cidade, levaram à criação deste intercâmbio económico. A sua realização está sempre associada a uma povoação de alguma importância. Esta importância é demonstrada pelo facto dos monarcas portugueses, sobretudo os primeiros, se terem assenhorado da prerrogativa de criação das feiras. Desde D. Teresa (1112-1128), até D. Afonso V (1438-1481), com apogeu no reinado de D. Dinis (1279-1325), várias feiras foram instituídas em território português. A feira de Caminha foi estabelecida por este último rei, que manda aí fazer “fazer feira na vila, todos os meses, três dias andados do mês” e a ela são constrangidos todos os moradores do termo para aí venderem os seus produtos (à semelhança do que acontecia em Viana). No século XV, em cortes é referida a feira mensal ...

A ponte da Praia de Âncora

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Durante muitos anos montou-se um passadiço em madeira sobre o leito do Rio Âncora na época estival, para usufruto dos banhistas que frequentavam a Praia de Âncora.     Passadiço estival em madeira - 1953 Por pressão da Junta de Turismo local, após diversos avanços e recuos, foi construída uma ponte com pilares em cantaria e tabuleiro pré-esforçado de betão. Nesta construção não foi tido em conta a proximidade do mar e a resistência dos materiais utilizados, levando ao colapso desta ponte poucos anos depois, durante um temporal.     Ponte em betão - 1958 Uma noite, o mar galgou o tabuleiro arrastando-o à sua frente, deixando para trás os pilares quebrados, que foram aproveitados para assentamento de mais um tabuleiro provisório em madeira.   O lance em betão complementado por um lance tosco em madeira - 1968 Este passadiço misto, metade betão, metade madeira, funcionou durante alguns anos até à construção do passadiço que ainda hoje existe e que foi requalificado pelo Ministério do Ambi...

Cela 157. Ala Norte, Caxias

Julho de 1969   O comboio balouçava ao passar cada emenda dos carris. Contar os ressaltos teria sido uma boa maneira de passar o tempo se não tivesse na cabeça um turbilhão de pensamentos. De cada lado sentava-se um agente da PIDE, repousando os pés deles sobre os seus próprios sapatos, uma medida de segurança, tinham-lhe dito, uma humilhação pensava o Álvaro. Tinha sido detido na fronteira em Valença. Regressava da Bélgica para passar uns dias de férias com a mãe e os amigos, em Âncora, pequena vila encostada ao mar. O mar que o viu nascer e crescer, a terra que lhe negou o sustento digno e suficiente, obrigando-o a emigrar para longe, mais para o norte, junto ao mar, como em Âncora. Por lá foi aprendendo os porquês da emigração, ficou a saber mais das Províncias Ultramarinas que o regime dizia que eram nossas, quando todo o mundo dizia o contrário e condenava Portugal como potência colonial. Por lá assistira a reuniões de opositores a Salazar, que pregavam a liberdade e a democracia....