Obviamente!
A Câmara Municipal de Caminha emitiu recentemente um comunicado onde dá conta dos resultados do estudo “Identificação e Caracterização das Fontes Poluidoras do Rio Âncora” que tinha sido encomendado à Faculdade de Engenharia do Porto.
Este estudo aponta a ETAR da Gelfa “como principal foco poluidor” do Rio Âncora assim como as linhas de água pluviais que atravessam a zona urbana de VPA, descarregando na zona do Parque Ramos Pereira e que acarretam lixos e águas residuais.
Sem reservas, subscrevo genericamente estas conclusões. Acrescento também que as defendo publicamente há mais de dez anos em artigos de opinião, publicados em jornais ou revistas locais e regionais, assim como durante o meu exercício como vereador na autarquia caminhense entre 2002 e 2005.
Foram precisos tantos anos para (afinal) dar a mão à palmatória e reconhecer aquilo que era por demais evidente a qualquer pessoa de bom senso e com um mínimo de conhecimentos sobre ambiente. Lamentável é vir agora dizer que a Empresa de Águas Minho Lima é maioritariamente detida pelo Estado Português e esconder que é também participada pelo Município de Caminha que até detêm lugares indigitados nos seus órgãos sociais.
Quem ganhar o próximo confronto eleitoral autárquico deverá, sem tibiezas, defender perante a Empresa de Águas Minho-Lima a construção de um emissário submarino e deve encetar a requalificação das linhas de água que recolhem as águas pluviais ao longo do seu curso, assim como águas residuais clandestinamente ligadas.
Como Ancorense fico feliz se a conclusão deste estudo contribuir para resolver, de forma séria, os problemas de poluição que ciclicamente levam Vila Praia de Âncora e o Rio Âncora para as páginas dos jornais.
No entanto, ficarei seriamente preocupado se este comunicado não passar de baixa chicana política de arremesso a dois ou três dia de um acto eleitoral e não tiver consequências futuras.
Vamos esperar para ver.
Boa Noite,
ResponderEliminarDe facto a poluição do rio Âncora e a ausência da bandeira azul ainda preocupa alguns ancorenses.
Sendo o turismo e a praia a principal actividade económica de VPA, não posso deixar de criticar a passividade com a qual o poder local tem lidado com este problema. Em 8 anos, ser apenas apresentado um estudo, que por curiosidade coincide com o período eleitoral, só se pode classificar como vergonhoso.
Pessoalmente não tive acesso a tal estudo, apenas a um comunicado que foi repartido com o intuito de “tapar o buraco” do problema que lá continua. Também acho estranho o facto de tal estudo não ter autores, nem conclusões que apontem a real causa do problema.
Tenho dúvidas que a ETAR esteja a contribuir para a má qualidade da água, pois existem inúmeras ETARs pelo pais fora e logo por azar a de VPA é posta em causa… o que não tenho dúvidas é que existe um foco de poluição na saída das águas pluviais e outro na central elevatória que periodicamente avaria.
O emissário submarino é uma solução, mas tecnicamente e economicamente não será a mais adequada. Concordo em que devem ser revistas as linhas de águas pluviais de modo a detectar ligações de esgotos clandestinas e apresentar queixas-crime aos responsáveis destas infracções.
Espero que se deixe de fazer política de baixo nível com este assunto e que o problema seja resolvido o mais rapidamente possível e com a maior seriedade possível!
Abraço
Hugo Lagido
Não tenho tantas duvidas sobre a influencia dos efluentes da ETAR na qualidade das águas balneares, porque há um dado que é fundamental e por acaso não o divulguei no post.
ResponderEliminarHá momentos, no verão, que o caudal de efluentes provenientes da ETAR da Gelfa representam mais de 50% do caudal total do rio Âncora.
Mesmo que o funcionamento da ETAR seja irrepreensivel (e não tenho razões para duvidar disso nos ultimos anos) a capacidade de dispersão dos efluentes no meio aquático é mínina.
Logo, entendo que a solução mais adequada será o emissário submarino, o que não invalida a pertinencia de requalificar e redimensionar todas as linhas de água que atravessam Vila Praia de Âncora e Âncora.
Obrigado pela visita e comentários. Volte sempre.
Abraço
BR
Bom dia,
ResponderEliminarConfesso não ser entendido na área de ambiente ligada a biologia. Não tenho conhecimentos como para afirmar qual é o verdadeiro impacto ambiental causado pelos efluentes tratados da ETAR, no rio Âncora, no período crítico do verão. Contudo no período de verão, o caudal do rio Âncora diminui, isto pode causar uma estanquicidade e um aquecimento da água, mudando as condições do ecossistema local, podendo propiciar a proliferação de outras espécies que possam ser consideradas “poluidoras”. Neste contexto ficaríamos com maior dificuldade em resolver o problema. Mas como digo, apenas são meras divagações, pois os meus conhecimentos na área da biologia são limitados.
O emissário submarino resolveria sem dúvidas o problema, contudo é uma solução de custo muito elevado e duvido que possa vir a ser posta em prática… Outra solução seria canalizar a água directamente para o mar, como acontece com as águas pluviais na zona das camboas, por exemplo… Claro que na minha opinião, a prioridade passaria por resolver o problema das águas pluviais na zona do parque Dr. Ramos Pereira e da central elevatória.
Por último, tenho que lhe dar os parabéns pelo blog, pois está de facto bem trabalhado e com artigos interessantes. Vou desde já incluir uma ligação no meu blog (www.hlagido.com) e certamente farei visitas periódicas.
Abraço