Pinheirinho
1971, Dezembro Voltou a experimentar o foco, guardou-o no bolso exterior do anorak verde. Abriu devagar a porta do quarto e viu a claridade filtrada que vinha do quarto dos pais. Ouvia o pai a ressonar, a mãe ainda estava a ler, um velho hábito antes de apagar a luz para dormir. Tinha de esperar até estar tudo sossegado, tornou a acender a luz do candeeiro, escolheu um livro entre a rima de almanaques Disney. Decidiu-se pelas aventuras do Mickey e do Pateta, sempre repetidas, sempre engraçadas. Recostado na cama, pés sobre a colcha, os ponteiros do relógio na mesinha de cabeceira pareciam não querer avançar. Passava da meia-noite quando finalmente se decidiu a sair do quarto. Pegou na machadinha que tinha escondida debaixo da cama e entalou-a entre o dorso e o cinto das calças. Tinha visto no cinema um gajo fazer isso e pareceu-lhe boa ideia imitá-lo. Às escuras atravessou o corredor, entrou na cozinha e fechou a porta atrás de si. O gato roçou-lhe as pernas fazendo-o desequilibrar-s...