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A mostrar mensagens de dezembro, 2025

O Patronato de Nª Sª da Bonança

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A história do Patronato remonta a uma época de fome, os anos 40 do século passado, que assolou as terras do Vale do Âncora e que motivou uma onda de solidariedade entre diversas pessoas criando-se a “ Sopa dos Pobres ”, que era servida na residência de Adelina Cabrera Rocha (D. Lina), primeiro às crianças das escolas e depois aos restantes, com a ajuda do pessoal da “ Acção Católica ”, chegando a servir por dia cerca de 400 refeições.  Adelina Cabrera Rocha (D. Lina) rodeada de crianças e Irmãs Franciscanas Os maiores benfeitores desta “ Sopa dos Pobres ” eram a família Cordeiro Feio, Dr. Teixeira de Queiróz, Carlos Ribeiro da Silva, Padre Amadeu e família Presa. Face ao aumento constante dos utentes e às dimensões da casa, concluiu-se que seriam precisas instalações maiores. Conseguiu-se a doação de um pequeno terreno, mas era preciso dinheiro para a construção e para outros gastos. O terreno ficou em nome da D. Lina que ofereceu duas libras de ouro para as primeiras despesas. A const...

A apanha do patelo na Praia d’Âncora

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Esta atividade agro-marítima remonta certamente ao século XIX e as primeiras informações escritas ocorrem em 1885 pela descrição de Baldaque da Silva no seu livro “ O Estado actual das Pescas em Portugal ”. Neste trabalho foco-me apenas na pesca do patelo ou pilado, como lhe queiramos chamar, em Vila Praia de Âncora. Sabemos que existiram formas e métodos diferentes ao longo da costa e dos diversos portos de captura deste pequeno crustáceo, usado para adubar as terras de cultivo. A pesca do caranguejo pequeno em cardume, conhecido por pilado, patelo, mexoalho ou escasso para adubação das terras, era em conjunto com a apanha das algas, principalmente o sargaço, uma importante faina que interessava à lavoura, mas que tinha lugar no mar, onde coexistiam aspetos agrícolas e piscatórios muito sugestivos. Esta atividade agro-marítima, às vezes efetuada por agricultores que desciam ao litoral e usavam pequenas embarcações suas para esta pesca, outras vezes limitando-se a comprar o patelo reco...

Rafael Francisco Martins Pinheiro e família (Parte 2)

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Rafael Francisco Martins Pinheiro (1830-1911) Rosa Afonso de Amorim (1841-1921) Já depois de ter publicado um post sobre esta família, chegaram às minhas mãos duas fotos magníficas do casal Pinheiro e um artigo/obituário do jornal " O Povo ", publicado em Viana do Castelo a 10 de setembro de 1911, provavelmente escrito por José Alves de Sousa:   "CORRESPONDENCIAS Âncora, 4 Falleceu ante-hontem e foi sepultado o sr. Raphael Francisco Martins Pinheiro, pae do nosso correligionário e amigo sr. Manoel Thomé Martins Pinheiro, presidente das commissões parochial administrativa e política, d'esta freguesia, e dos nossos amigos Sebastião e José Maria M. Pinheiro. O veneravel ancião que, durante annos, militou e teve influencia no partido progressista, adheriu ha quatro annos ao partido republicano, enojado, dizia, com os desmandos do regimen extincto. Era um espirito forte, uma envergadura moral pouco vulgar na sua idade e no seu meio, chegando, por vezes, a alentar-nos quan...

Conhecer Benjamim Enes Pereira

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  Benjamim Enes Pereira nasceu dia de Natal de 1928, no lugar de Montedor, freguesia de Carreço. Foi um antropólogo, etnólogo e museólogo português que contribuiu para o desenvolvimento da antropologia e da museologia em Portugal. Benjamim integrou em 1959, a convite de António Jorge Dias, o Centro de Estudos de Etnologia, criado como o primeiro pólo verdadeiramente dedicado à investigação antropológica em Portugal. Passou assim a fazer parte do grupo de excelência que, a partir dos finais da década de 1950, marcou decisivamente a etnografia portuguesa e a antropologia no país. Desse grupo faziam parte Ernesto Veiga de Oliveira, Fernando Galhano e Margot Dias, que foram responsaveis pela criação do Museu Nacional de Etnologia. Muda-se para Lisboa em 1963, quando é criado o Centro de Estudos de Antropologia Cultural e do qual Benjamim será um dos membros fundadores ao lado dos restantes membros do grupo liderado por Jorge Dias. Embora fosse o único da equipa sem curso, é lhe atribuída ...

Rafael Francisco Martins Pinheiro e família

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O velho Lugar da Rocha em Vila Praia de Âncora foi o berço de uma família que veio a tornar-se muito influente na antiga freguesia de Gontinhães, sobretudo no século XIX até meados do século XX. Referimo-nos aos “ Martins Pinheiro ”. No início do século XVII há referencias a estes apelidos. Permanece na memória dos nascidos neste lugar, o nome de um sítio, não muito longe da casa mãe, conhecido por “ Lugar das Pinheiras ”. É sobretudo do século XIX, que chegam até nós ecos da atividade desta família.  Em 1830, nasce no Lugar da Rocha, Rafael Francisco Martins Pinheiro, popularmente conhecido por “ Rafael Ferreiro ”. Provavelmente segue a arte do pai Sebastião Martins Pinheiro, vindo a tornar-se um notável forjador. Em 1868 casa com Rosa Afonso de Amorim, nascendo nove filhos desta união. Três deles morrem em criança, algo comum no final do século XIX, quando a mortalidade infantil era muito elevada. São trabalhos seus a maioria dos portões metálicos dos cemitérios do Vale do Âncora. O ...