O Patronato de Nª Sª da Bonança
A história do Patronato remonta a uma época de fome, os anos 40 do século passado, que assolou as terras do Vale do Âncora e que motivou uma onda de solidariedade entre diversas pessoas criando-se a “Sopa dos Pobres”, que era servida na residência de Adelina Cabrera Rocha (D. Lina), primeiro às crianças das escolas e depois aos restantes, com a ajuda do pessoal da “Acção Católica”, chegando a servir por dia cerca de 400 refeições.

Adelina Cabrera Rocha (D. Lina) rodeada de crianças e Irmãs Franciscanas
Os maiores benfeitores desta “Sopa dos Pobres” eram a família Cordeiro Feio, Dr. Teixeira de Queiróz, Carlos Ribeiro da Silva, Padre Amadeu e família Presa. Face ao aumento constante dos utentes e às dimensões da casa, concluiu-se que seriam precisas instalações maiores.
Conseguiu-se a doação de um pequeno terreno, mas era preciso dinheiro para a construção e para outros gastos. O terreno ficou em nome da D. Lina que ofereceu duas libras de ouro para as primeiras despesas.
A construção ia avançando com o trabalho de elementos da “Acção Católica” e alguns operários a quem o Padre Amadeu pagava e dava de comer. Fizeram-se espetáculos e outras iniciativas para angariar fundos.

Padre Amadeu
O sr. Carlos Cordeiro Feio conseguiu, através do Ministro do Interior um subsídio de 70 contos, destinando-se metade para a construção da “Sopa dos Pobres” e outra metade para a construção de uma cantina escolar. Com esta verba terminaram-se as paredes do edifício, por fora, acabou-se o telhado e fizeram-se pequenas benfeitorias nas instalações sanitárias.
Antes da atribuição deste subsídio, Cordeiro Feio já tinha conseguido dois subsídios de 20 contos cada, por intermédio do Almirante Henrique Tenreiro, em 1947 e 1949, para apoio das despesas da “Sopa dos Pobres”.

Crianças do Patronato e Irmãs Franciscanas
Com o apoio financeiro da D. Lina instalaram-se as janelas e portas, rebocaram-se as paredes por dentro, cimentou-se a cozinha, forraram-se as paredes do salão de festas e refeitório, aplicou-se mosaico no chão e fez-se a instalação elétrica. A benemérita senhora não queria continuar com a casa em seu nome, por isso ofereceu-a ao Prelado.

Adelina Cabrera Rocha (D. Lina)
O papel de benemérita da D. Lina não termina aqui, pois ao perceber que escasseavam as ajudas para tratar das crianças e confecionar as refeições, conseguiu mobilizar e atrair à vila um grupo de religiosas (Irmãs Franciscanas da Imaculada Conceição), que se formaram no Patronato para tratar do mesmo e das crianças.
Assim, a Instituição que estava sob a proteção de Nossa Senhora da Bonança, origem do seu nome Patronato Nossa Senhora da Bonança, vê os seus estatutos aprovados em 12 de julho de 1951, pelo Arcebispo Primaz de Braga, D. António Bento Martins Júnior.

Estatutos do Patronato
Destes estatutos destacamos:
Art. 1º - É fundada na freguesia de Santa Marinha de Vila Praia de Âncora, concelho e arciprestado de Caminha, uma instituição de beneficência e assistência, denominada “Patronato de Nª Sª da Bonança”.
Art. 2º - O Patronato coloca-se sob proteção de Nª Sª da Bonança, padroeira dos pescadores, cuja festa celebrará com toda a piedade e brilho.
Art. 3º - O Patronato tem por fim: Ministrar instrução e educação moral, religiosa, civil, física e profissional às crianças e jovens da freguesia de Vila Praia de Âncora; dar assistência material, na medida do possível, às que forem pobres; auxiliar a todas na sua colocação, quando estiverem devidamente preparadas.
Art. 4º - O Patronato para consecução dos seus fins, poderá criar as secções que lhe forem necessárias; procurará, com a maior perfeição possível, montar os seus serviços de administração e contabilidade, de educação, de instrução, de assistência, de colocação; diligenciará adquirir ou arrendar e mobilar os prédios que forem necessários à conveniente instalação e funcionamento das suas secções e serviços.
Durante muitos anos o Patronato desempenhou as missões para que foi criado – assistência às crianças pobres da freguesia.

Atividades das crianças em sala
Porém, havendo necessidade urgente de se fazerem obras, em 1977 foi solicitado apoio da Secretaria de Estado da Segurança Social que financiou praticamente todas as obras de restauro do Patronato, transformando-o num prático imóvel onde passou a funcionar o primeiro Jardim-de-infância de Vila Praia de Âncora, fundado pelo Orfeão de Vila Praia de Âncora, que não tinha instalações próprias e adequadas.
Em 1992, o Patronato integrou nos seus quadros o pessoal e as crianças da Creche da Casa dos Pescadores que funcionava num edifício da Quinta da Sobreira, pertencente à Santa Casa da Misericórdia de Caminha, que encerrou as suas instalações na vila.

Atividades das crianças no recinto exterior
Valeria a pena fazer-se a história da “Sopa dos Pobres” e, sobretudo, dar-se público (re)conhecimento de todos quantos, graciosamente, contribuíram para esta obra, quer em generosos subsídios, quer em dias de trabalho ou géneros, de modo a ficar perpetuado no tempo este magnifico exemplo de solidariedade humana, que foi e será sempre o Patronato de Nª Sª da Bonança.
Fontes: Blogue do Minho; https://patronatobonanca.wixsite.com/patronatovpa; Apontamentos de Francisco Sampaio
Comentários
Enviar um comentário