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A mostrar mensagens de outubro, 2007

O pesqueiro do Zé Cola

Uma manhã de Junho, estávamos nós a pescar de barco, muito sossegados, no mar de Moledo, entre a Ínsua e Fornelos, quando reparamos que por fora continuava fundeado um barco branco. Já ali estava quando chegáramos, ainda não eram seis e meia da manhã e não tinha mudado de poiso. Como nós pescávamos ao robalo a corricar, nunca estávamos parados, fazíamos tiradas entre os pontos assinalados e dávamos volta. Ora íamos em direcção à Ínsua, ora virávamos a sul em direcção a Fornelos, sempre numa linha mais ou menos paralela à costa. O mar estava chão e dava para andar perto da rebentação, sem qualquer perigo. - Zé, aquele gajo deve ter vindo pescar ainda de noite. Consegues ver quantos são? – Pergunto eu, que sou um bocado “pitosga” a ver ao longe. - Parece que é só um. Que pesqueiro será aquele? - Sei lá. Também não conheço. E continuamos entretidos a pescar, até repararmos que o barco que nos despertara curiosidade, vinha a navegar na nossa direcção.   Ao chegar perto de ...

Uma luz muito especial

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Está lá?

Durante mais de uma semana andei desconfiado que tinha o telefone sob escuta. Ora essa! Sim, sob escuta ou pensam que são só os traficantes, os presidentes corruptos e afins, que tem esse privilégio? Hoje, qualquer cidadão tem acesso a esse estatuto, o de escutado pelas polícias ou pelos serviços secretos. Eu comecei a desconfiar porque o meu velho Motorola começou a emitir uns ruídos estranhos e de vez em quando perdia o pio. Resolvi mudar de aparelho e passei a utilizar um Nokia que andava lá por casa, o qual também começou com umas maluqueiras que só visto. Avariar um aparelho ainda podia acreditar, mas avariarem dois, é demais e foi isso que me pôs a pulga atrás da orelha. Como tinha publicado recentemente uns artigos em que zurzia forte e feio nas políticas do actual governo, somei dois mais dois e conclui brilhantemente que estava sob escuta. Com esta convicção decidi escrever ao Sr. Procurador-geral da Republica a dar-lhe conta do sucedido. Optei por escrever porque sabia que al...

Resultados das ánálises às águas balneares

2007 Classificação Colif. Fecais Colif. Totais Estreptoc. Fecais 16-5 Boa 22 53 10 23-5 Aceitavel 760 3800 170 30-5 Aceitavel 99 830 22 06-6 ...

Pela criação do Concelho de Vila Praia de Âncora

  Os frequentadores habituais deste blog certamente repararam e talvez até tenham participado no inquérito sobre a criação ou não do Concelho de Vila Praia de Âncora. Este inquérito não teve, nem tem suporte científico, mas todos foram livres de exprimir a sua opção. Como estarão recordados as perguntas eram simples e ninguém podia alegar que se sentia confuso ou enganado. Os resultados são igualmente esclarecedores:   92% estão de acordo com a criação do novo Concelho de Vila Praia de Âncora.   3% defendem a continuação no Concelho de Caminha   1% não sabe ou não tem opinião formada   4% Não estão interessados nesta questão Como já referi, os números falam claro e hoje não faço mais nenhum comentário sobre o assunto.

Uma visita à Exposição Colonial Portuguesa

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  A Exposição Colonial Portuguesa esteve em preparação desde 1931, sendo intenção do Estado Novo organizar um evento de dimensões nacionais. Após algumas hesitações, a decisão sobre a escolha do local mais adequado para instalar a exposição recaiu sobre o Palácio de Cristal e os seus jardins, no Porto. Afirmava-se ser a localização perfeita, uma vez que os terrenos incluíam não só um edifício que se prestava à exposição, como também amplos jardins e longas áleas plenas de árvores e de sombras. Em Junho de 1934 a exposição estava pronta e no dia 16 abriu as suas portas ao público. Os edifícios, terrenos e jardins do Palácio de Cristal estavam transformados num Império Colonial em miniatura, onde era possível encontrar a floresta tropical, o deserto, uma picada angolana, aldeias típicas de todas as colónias e muitas outras simulações que tinham por intenção dar ao visitante, após o passeio, a sensação de ter viajado por todo o Império Português. Encontrei um artigo bem elaborado que pode...

DA MONARQUIA AO 25 DE ABRIL II

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  Portugal na Grande Guerra     Portugal era, no início do século XX, uma pequena potência com um vasto império colonial, incompletamente ocupado e imperfeitamente explorado, mas cobiçado por potências mais fortes (Inglaterra, França e Alemanha), que secretamente se entendiam no sentido de redesenharem o mapa de África de acordo com os seus interesses. Quando, em 1914, é desencadeada a Primeira Guerra Mundial, os políticos portugueses entenderam que a via mais consentânea com a defesa da integridade do império era a participação no conflito, ao lado da Inglaterra (tradicional aliada que era simultaneamente uma séria concorrente, como se vira na questão do Ultimato). A entrada na guerra proporcionaria a Portugal um lugar à mesa das negociações, em posição de obstar à partilha dos territórios coloniais entre outras potências. Portugal entrou, assim, oficialmente na guerra em Março de 1916, embora já se tivessem travado combates de maior ou menor envergadura nas fronteiras coloniais de An...

Ponte de Tourim - Amonde

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Designação Ponte de Tourim   Localização Viana do Castelo, Amonde   Acesso Lug. de Tourim, ao km 8 da EN 305, junto à nova ponte sobre o Rio Âncora;   Protecção Inexistente   Enquadramento Rural, isolado, na periferia de Amonde, sobre o Rio Âncora, integrada no caminho velho que se dirige para Lanheses, paralelo à ponte da EN 305. Junto à ponte, existem vestígios de uma via antiga.   Descrição Ponte de tabuleiro em cavalete com uma largura máxima de c. de 4 m. e 21 m., assente num único arco de volta perfeita, em cantaria. Apresenta pegões cegos, estando o arranque destes protegido por um muro de silhares graníticos, a montante e jusante em ambas as margens, que entestam no respectivo pegão. O tabuleiro, de parapeito saliente, apresenta um pavimento lajeado, registando-se ainda guardas em cantaria. O aparelho dos paramentos revela os sucessivos arranjos, particularmente nas extremidades da caixa do tabuleiro, onde se regista um aparelho irregular que incorpora blocos de xisto com s...

TGV, não obrigado!

  Na semana passada “caiu” no meu e-mail um texto sobre o projecto do TGV que, me levou a escrever estas simples linhas, porque já tinha opinião formada sobre o assunto. De facto o TGV é mais uma asneira que o nosso governo nos quer impingir, como se fosse a panaceia para os problemas de acessibilidades e de competitividade da nossa pobre economia. Fala-se num custo estimado de 7,5 mil milhões de euros, mas todos sabemos que em obra pública isso poderá significar 10 ou 12 mil milhões, com as habituais e previsíveis derrapagens financeiras. Só quem, por distracção ou por ignorância, não souber que Portugal não tem dimensão física para um meio de transporte tão especializado, é que pode defender esta opção. Distracção, ignorância ou vontade de servir os interesses espanhóis que estão desejosos de estender as suas linhas em território português, ainda por cima, à custa do orçamento dos “nabos” portugueses. São os únicos interessados neste negócio e até se dão ao lux...

Uma recordação do Portinho

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Quadro a óleo sobre tela, executado por Domingos Verde (Pinga), do Portinho de Vila Praia de Âncora.    

DA MONARQUIA AO 25 DE ABRIL

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  Dentro de dias comemora-se mais um aniversário da implantação da República. Fiz alguma pesquisa e compilei uns textos que seguem o nosso percurso histórico desde 1910 até 1974. São textos simples, factuais e que se encontram facilmente em qualquer enciclopédia. É apenas o meu singelo contributo para uma melhor divulgação da República e de algumas das suas instituições e personagens. Procurarei publicar quinzenalmente cada texto, de forma a que no próximo mês de Abril esta tarefa esteja concluida. I A Primeira República Após tentativas frustradas de revolução (a mais importante das quais foi o 31 de Janeiro de 1891 no Porto) e de algumas décadas de propaganda contra o regime monárquico, o regime republicano foi instaurado em Portugal por meio de uma revolução armada, organizada por conspiradores militares e civis, congregados em torno do Partido Republicano e de duas organizações secretas de cariz social diferente (a Maçonaria e a Carbonária). Os dirigentes revolucionários tinham prev...

A Bela e o Monstro XI

- Ora muito bem, senhores óbintes, estamos em directo do cruzamento da avenida com a rua da estação, onde ocorreu há momentos um grave acidente do qual resultaram alguns feridos, que já estão a ser socorridos pelos bombeiros. Felizmente não há vitimas a lamentar, mas como dizia os feridos são todos ligeiros, excepto aqueles que são mais graves. Vamos tentar falar com os intervenientes mas isto está difícil, porque a policia não nos deixa chegar ao local do acidente, precisamente porque dois dos feridos são os presos que fugiram do tribunal. Vamos então tentar falar com os outros que vão agora para a ambulância, por favor, com licença, em directo, com Agostinho Moravitch para a rádio Estrela do Norte, com licença, Bertinho, Bertinho, que aconteceu? - Eu tinha prioridade, mais nada! - Mas como se deu o acidente? - Eu vinha da estação e ao chegar ao cruzamento, toda a gente sabe que tenho prioridade, passei à vontade, apareceu esse carrão guiado por um idiota qualquer que não respeitou as...