O pesqueiro do Zé Cola
Uma manhã de Junho, estávamos nós a pescar de barco, muito sossegados, no mar de Moledo, entre a Ínsua e Fornelos, quando reparamos que por fora continuava fundeado um barco branco. Já ali estava quando chegáramos, ainda não eram seis e meia da manhã e não tinha mudado de poiso. Como nós pescávamos ao robalo a corricar, nunca estávamos parados, fazíamos tiradas entre os pontos assinalados e dávamos volta. Ora íamos em direcção à Ínsua, ora virávamos a sul em direcção a Fornelos, sempre numa linha mais ou menos paralela à costa. O mar estava chão e dava para andar perto da rebentação, sem qualquer perigo. - Zé, aquele gajo deve ter vindo pescar ainda de noite. Consegues ver quantos são? – Pergunto eu, que sou um bocado “pitosga” a ver ao longe. - Parece que é só um. Que pesqueiro será aquele? - Sei lá. Também não conheço. E continuamos entretidos a pescar, até repararmos que o barco que nos despertara curiosidade, vinha a navegar na nossa direcção. Ao chegar perto de ...