Conhecer Benjamim Enes Pereira

 Benjamim Enes Pereira nasceu dia de Natal de 1928, no lugar de Montedor, freguesia de Carreço. Foi um antropólogo, etnólogo e museólogo português que contribuiu para o desenvolvimento da antropologia e da museologia em Portugal.


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Benjamim integrou em 1959, a convite de António Jorge Dias, o Centro de Estudos de Etnologia, criado como o primeiro pólo verdadeiramente dedicado à investigação antropológica em Portugal. Passou assim a fazer parte do grupo de excelência que, a partir dos finais da década de 1950, marcou decisivamente a etnografia portuguesa e a antropologia no país. Desse grupo faziam parte Ernesto Veiga de Oliveira, Fernando Galhano e Margot Dias, que foram responsaveis pela criação do Museu Nacional de Etnologia.


Muda-se para Lisboa em 1963, quando é criado o Centro de Estudos de Antropologia Cultural e do qual Benjamim será um dos membros fundadores ao lado dos restantes membros do grupo liderado por Jorge Dias.


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Embora fosse o único da equipa sem curso, é lhe atribuída a tarefa de organizar a Bibliografia Analítica de Etnografia Portuguesa que será publicada pelo Instituto de Alta Cultura em 1965.


Realiza os seus primeiros filmes etnográficos, em 1960, quando a equipa compra uma máquina de filmar que será utilizada por ele no trabalho de campo para filmar a realidade rural portuguesa e a cultural popular. Esteve directamente envolvido nas filmagens levadas a cabo em Portugal, pelo Instituto do Filme Científico de Göttingen em 1970, onde os filmes realizados eram encarados não como uma forma de expressão mas sim como uma técnica de registo complementar à descrição escrita e fotográfica. Isto reforça a sua ideia de que fotografar e filmar eram importantes, não só para o trabalho de investigação, como para contextualizar aquando da sua exposição em museus e similares.


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Trabalha para o Museu Nacional de Etnologia até se reformar em 2000. Durante todo esse tempo, foi responsável por várias exposições, entre as quais se encontra a dedicada aos Instrumentos Musicais Populares Portugueses. Deve-se também a ele a organização das primeiras reservas que podem ser visitadas e que são conhecidas como Galerias da Vida Rural. É lá que se encontra reunida, a maior parte dos objectos que ele e Ernesto Veiga de Oliveira recolheram de forma sistemática, enquanto estavam no terreno.


Após se ter reformado, Benjamim Pereira coordenou vários projectos na área da museologia. Foi ele quem projectou o Museu da Luz criado com a finalidade de salvaguardar o património da região que ficou submersa após a construção da barragem do Alqueva. O Centro Cultural Raiano (Idanha-a-Nova), o Museu do Traje de Viana do Castelo, o Museu Francisco Tavares Proença Júnior (Castelo Branco) e o Museu do Abade de Baçal, foram outros projectos museológicos em que se envolveu.


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Faleceu a 1 de janeiro de 2020, no Hospital de Viana do Castelo, onde se encontrava internado. Aquando do seu falecimento em 2020, foram várias as entidades que apresentaram publicamente o seu voto de pesar, nomeadamente o Presidente da República Marcelo Rebelo de Sousa, a Ministra da Cultura Graça Fonseca, a Direcção Geral do Património Cultural (DGCP), o Instituto de História Contemporânea (FCSH), entre outras.


 


Fontes: Blogue do Minho; "Os Caminhos do Benjamim" de Clara Saraiva

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