Rafael Francisco Martins Pinheiro e família (Parte 2)

Rafael Francisco Martins Pinheiro (1830-1911)

Rosa Afonso de Amorim (1841-1921)
Já depois de ter publicado um post sobre esta família, chegaram às minhas mãos duas fotos magníficas do casal Pinheiro e um artigo/obituário do jornal "O Povo", publicado em Viana do Castelo a 10 de setembro de 1911, provavelmente escrito por José Alves de Sousa:
"CORRESPONDENCIAS
Âncora, 4
Falleceu ante-hontem e foi sepultado o sr. Raphael Francisco Martins Pinheiro, pae do nosso correligionário e amigo sr. Manoel Thomé Martins Pinheiro, presidente das commissões parochial administrativa e política, d'esta freguesia, e dos nossos amigos Sebastião e José Maria M. Pinheiro.
O veneravel ancião que, durante annos, militou e teve influencia no partido progressista, adheriu ha quatro annos ao partido republicano, enojado, dizia, com os desmandos do regimen extincto. Era um espirito forte, uma envergadura moral pouco vulgar na sua idade e no seu meio, chegando, por vezes, a alentar-nos quando a esperança da redempção da Patria nos fugia. "Tende confiança rapazes, que eu, apesar de velho, ainda a hei de ver". E viu. Não se imagina a alegria e a confiança que se lhe espalhou no rosto, quando soube, em quatro de outubro, do anno passado, que, em Lisboa, o povo e o exercito estavam na praça publica, soltando os primeiros gritos de revolta redemptora. Apenas comentara: Que faz o Porto? Que faz o resto do país? Que fazemos nós? Bello homem! Apesar dos seus oitenta e um annos, ainda queria lançar a sua pedra na grande obra!
A ultima vez que falamos, ainda nos disse:"Agora, o que é preciso é juizo, muito juizo!" Tinha razão, oxalá tenhamos todos... muito juizo!
Descança em paz bom velho!"
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