Sobre os Duques de Caminha
Corria o ano de 1620 e Portugal continuava sob a coroa de Castela, reinava Filipe III de Portugal e IV em Espanha, que concedeu a Miguel Luís de Menezes (1565-1637) o título de 1º Duque de Caminha.

Este senhor já detinha os títulos de 6.º Marquês de Vila Real, 5.º Conde de Alcoutim e Valença. Foi também o 8º Capitão Geral da Praça de Ceuta e casou com Isabel de Bragança (1562-1626), filha de Teodósio de Bragança, 5.º Duque de Bragança e em segundas núpcias com sua sobrinha Maria Brites de Meneses, filha de seu irmão Luís de Noronha e Meneses.
Não teve descendentes de nenhum desses casamentos, pelo que, após a sua morte, os seus títulos, exceto o ducado, passaram para aquele já mencionado seu irmão.
Luís de Noronha e Menezes casou-se com Juliana de Meneses, filha de Luís de Meneses, 2.º Conde de Tarouca e desse casamento nasceram seus filhos Miguel Luís de Meneses (1614-1641), 2.º Duque de Caminha e Maria Brites (ou Beatriz) de Meneses (?-1668).
Porém, o Duque de Caminha teve um fim trágico e pouco digno, pois em 1641 esteve envolvido num atentado real.
O que se sabe é que, alegadamente, Miguel Luís de Meneses, 2.º Duque de Caminha entrou numa conjura contra D. João IV, supostamente por ordem paterna. A ideia era forjar um incêndio na residência real, chamando a atenção dos guardas e vigilantes do local e desta maneira, deixar o rei desguarnecido de proteção e assassiná-lo.
Entretanto, a rebelião foi descoberta, foram presos todos os fidalgos que nela tomaram parte, tendo à frente o arcebispo-primaz Sebastião de Matos Noronha. Os conjurados, no dia 29 de agosto de 1641, foram degolados num cadafalso erguido no Rossio de Lisboa, depois de terem estado presos na Torre de Belém.

Caminha no início do século XVI, desenho de Duarte D' Armas
O título de Duque de Caminha passa então para a sua irmã Maria Brites tornando-se a 3ª Duquesa de Caminha, que tinha casado com um espanhol, Pedro Portocarrerro de Cordova y Aragon (1619-1679), 8º Conde de Medellin, sendo o ducado extinto por ordem do rei de Portugal, apenas se mantendo o título em Espanha, ao que sei, até aos dias de hoje.
A História de Portugal realça o papel dos conjurados do dia 1 de dezembro de 1640, que derrubaram o poder dos Filipes de Castela, restaurando a independência de Portugal, mas é totalmente omissa no que diz respeito ao contragolpe dos inimigos da Casa de Bragança ocorrido meia dúzia de meses depois. Enfim, mais um registo varrido para debaixo do tapete!
Lamentavelmente a história de Caminha fica ligada a este episódio, mas sem qualquer beliscadura, pois os intervenientes nada tinham a ver (exceto os títulos) com a Bela Marinheira da foz do Minho.
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