Os Portugueses e o bacalhau
Os primeiros indícios relacionados com a pesca e a salga do bacalhau em Portugal, remontam aos inícios do século XIV; no entanto, foi na época dos Descobrimentos, quase cem anos depois, que os portugueses perceberam que o bacalhau era um alimento importante, por resistir às longas travessias marítimas.

Os pioneiros na pesca do bacalhau foram os vikings que, na falta do sal, deixavam o peixe a secar ao ar livre nos barcos. Na Idade Média, o sal era uma mercadoria valiosa que os portugueses tinham e utilizavam como moeda de troca com os países nórdicos, de quem importavam o bacalhau e para quem exportavam o sal.
Foi também na época dos Descobrimentos que surgiu o rótulo “bacalhau da Noruega”, uma vez que coincidem os relatos da primeira pesca de bacalhau com o método da salga, durante essas mesmas viagens de descobertas.
Por volta do ano de 1506 foi decretado um imposto sobre o bacalhau que entrava nos portos entre o Douro e o Minho. Entretanto, a pesca por frotas portuguesas manteve-se irregular e acabou por ser interrompida durante a dinastia filipina.
O consumo do bacalhau salgado seco generalizou-se durante o século XVII e, até ao início do século XX, consumia-se o chamado “bacalhau inglês”. Portugal retomou progressivamente as suas viagens à Terra Nova a partir do ano de 1835, pela Companhia de Pescarias Lisbonense.

Durante séculos, o bacalhau não era visto como um alimento de primeira categoria, sendo geralmente associado a comida de pobre; alcançou uma enorme relevância na dieta do povo português devido ao seu baixo custo e à facilidade de preservação, o que lhe valeu a alcunha de "fiel amigo". Essa situação alterou-se quando os stocks de bacalhau na natureza entraram em declínio e países como a Noruega ou o Canadá impuseram severas restrições à pesca nas suas águas, levando a um aumento significativo do preço ao consumidor, bem como ao abate de grande parte da frota de pesca nacional.

Como vimos a pesca do bacalhau começou pela Terra Nova e Gronelândia, em grandes veleiros, os lugres, mais tarde substituídos pelos navios de arrasto. A seca e salga, a cura tradicional portuguesa, isenta de substâncias químicas, preservava as propriedades nutricionais do peixe. Este processo conferia características de aroma, sabor e textura únicas.
O consumo anual de bacalhau seco em Portugal anda na ordem dos 15 kilos por habitante, sendo o consumo percapita mais elevado a nível mundial.
Fontes: siglas poveiras e blog do minho
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