A seca de Darque
Em regra, a secagem do bacalhau situava em local próximo às salinas, nas fozes dos rios, quase sempre na margem esquerda dos mesmos. Isto deve-se a um fenómeno geológico relacionado com a hidrografia que determina nomeadamente a formação dos sapais e cabedelos nesta zona. De resto, a localidade de Darque que deve o seu nome a uma vila romana que ali existiu, pertencente a um senhor chamado Arquius, foi em tempos um lugar da paróquia de Santa Maria das Areias.

Seca do bacalhau em Darque e o Monte de Santa Luzia ao fundo
Junto ao Cais Novo, fundou-se em 1774 a fábrica de Louça de Viana do Castelo e no século XX aqui existiu a Seca do Bacalhau pertença da EPV.
As mais antigas referências às salinas de Darque datam de 1085, daqui partindo embarcações rio acima, chegando a carregar até quinze toneladas e atracando em todos os ancoradouros da margem esquerda do rio Lima, muitos deles votados ao esquecimento, aliás à semelhança do que se verifica com as salinas.
Aspeto curioso a registar, desconhece-se até ao momento, a existência de qualquer representação etnográfica das tradições dos marnotos, por parte dos grupos folclóricos da região de Viana do Castelo.

Mulher descarregando sal do barco para a seca
A secagem tradicional do bacalhau constitui um processo natural cuja prática encontra-se relacionada com a necessidade de conservação dos alimentos durante as descobertas quinhentistas, razão pela qual o consumo de bacalhau seco constitui um hábito alimentar exclusivo dos portugueses.
Não obstante, parecendo revelar que não possui outras preocupações mais relevantes, a União Europeia pretende impor-nos o uso de polifosfatos e outros agentes químicos no bacalhau em detrimento do método tradicional de secagem, constituindo uma clara medida que virá prejudicar a saúde e aumentar os preços deste bem alimentar que ocupa um lugar de destaque na nossa alimentação.

Declaração de insalubridade das secas do bacalhau - 1908
Fonte Blog do Minho; Foto Manuel da Fonte;
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