O ataque ao Reduto de Camposancos
O sistema de defesa da costa portuguesa, aprimorado no fim do século XVII, após a Restauração da Nacionalidade (1640), do qual faz parte o Forte da Lagarteira e o Forte do Cão, importa ter a noção que à época havia um conflito armado com o país vizinho, mas havia também a necessidade de proteger as rotas de navegação e as povoações ribeirinhas dos ataques piratas.

Planta de localização do reduto
Deste sistema, só para referir a norte de Viana da Foz do Lima, faziam parte o Forte de Santiago da Barra, o Forte de Areosa, o Forte de Paçô, os já referidos fortes do Cão e da Lagarteira, bem como o Forte da Ínsua na Foz do Rio Minho. Ao longo do curso do Rio Minho, em cada margem existe uma correspondência de povoados: Caminha do lado de Portugal, A Guarda do lado de Espanha e assim sucessivamente; Vila Nova de Cerveira, Goian; Valença, Tui; Monção, Salvaterra. Daí a necessidade das fortificações em cada um destes aglomerados populacionais.
Na mesma época (fins do século XVII) foram remodelados os Castelos de Valença e de Vila Nova de Cerveira que já existiam e foi construído o Forte de S. Francisco de Lovelhe.
Ora os espanhóis não se ficaram e trataram de reforçar as suas defesas, na Foz do Minho, construindo uma atalaia e uma bateria em Camposancos, mesmo em frente ao Forte da Ínsua.

Vista aérea da desembocadura do Rio Minho; a Ínsua em 1º plano, assinalado à esquerda a localização provavel do reduto
São muito escassos os dados sobre o reduto, já que não se conserva à superfície nenhum vestígio, nem existe nenhum plano para determinar a sua tipologia. Apenas existem algumas referências documentais à existência de um reduto no lugar da “Punta de Picos”, uma ponta na margem galega da desembocadura do Rio Minho, ao sul do Monte de Santa Trega, assim como uma planta de localização da bateria em Camposancos conservado no Arquivo Histórico Militar.

Praia do Puntal, ao fundo à direita a ilha da Ínsua
João Salgado de Araújo descreve no seu livro “Sucessos Militares das Armas Portuguesas” a investida de forças portuguesas, ocorrida em 1644, contra o dito reduto de Camposancos:
“Em frente à Barra de Caminha edificou o inimigo um reduto oposto a outro nosso que lhe fica em frente: ambos defendiam a entrada, ambos sem artilharia e nenhum se podia atacar sem barcos. (…) no 22 do mês de Fevereiro mandou o Conde (Castel Melhor) que se inutilizasse o reduto da Barra de Caminha (…) o qual era de maior espanto (medo) para os navegantes que dano lhes podia causar. E assim padecia a vila de Caminha falta dos seus comércios pela sua barra (…) tocou o inimigo armas de cima do reduto e com determinação e rapidez começaram os nossos a subir as trincheiras e a acometer os postos.
Tinha o reduto 20 homens de guarda que deram uma carga, não acertaram, desertando do pátio e subiram os nossos. (…) Puseram por terra o reduto e trincheiras (…) trouxeram por despojos 3 barcos com suas redes e as portas do reduto.”

Página do livro "Sucessos Militares das Armas Portuguesas" - cópia da Torre do Tombo
Poucos dados se podem extrair deste relato, possivelmente seria em terra e estaria rodeado de trincheiras, ainda que devia ter algum revestimento em pedra, ao menos nas zonas de acesso, já que se comenta que as portas foram atacadas e trazidas para Portugal.
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