O trágico fim do Vasco d'Orey
O “Vasco d’Orey”, arrastão clássico, assim como o seu gémeo “Santa Maria Madalena” foram construídos para a Empresa de Pesca de Viana, pelos Estaleiros Navais da mesma cidade. A 1 de Maio de 1961, ocorreu a cerimónia da flutuação do primeiro, muito concorrida e animada. O navio dispunha de uma máquina MAN de 1600 hp, 78 metros de comprimento e capacidade de 23.400 quintais de bacalhau.

A 10 de Abril de 1963, um grave acidente na casa dos caldeiros, quando os pescadores estavam a vestir as pesadas roupas para a manobra, um dos caldeiros explodiu, deixando o compartimento com um ambiente demoníaco. Com queimaduras de vários graus, ficaram 10 tripulantes, que foram levados com eficácia para um hospital de St. John’s, apesar de se encontrarem a 30 horas de navegação.
Anos passados, deram um grande apoio, quer navio, capitão e tripulação, em 23 de Abril de 1971, ao naufrágio do arrastão de popa “Santa Isabel” propriedade da EPA, em situação trágica e prestes a voltar para Portugal.
Comandado por António Fernando Paroleiro dos Santos, quando se encontrava na Terra Nova, atracado no porto de St. John’s a abastecer de combustível, em 29 de Setembro de 1977, aconteceu uma enorme explosão, seguida de violento incêndio.

Infelizmente, nesta tragédia, perderam a vida cinco tripulantes: dois de Vila Praia de Âncora, um de Mira, um de Vagos e outro de Ílhavo.
De Vila Praia de Âncora faleceram os pescadores Carlos Alberto Correia Fernandes (Cachiço) e Júlio Rodrigues Ferreira.

Carlos Fernandes (Cachiço) - Redeiro

Júlio Ferreira - 3º maquinista
O “Vasco d’Orey” foi rebocado pelo “Rio Lima” ainda a arder para fora do porto tendo encalhado a uma milha da barra de St. Jonh’s, no local conhecido por “Spring Point” onde acabou desmantelado por força das vagas.

O jornal Diário de Lisboa de 30 de setembro de 1977 noticia:
Explosão num pesqueiro – “Uma explosão a bordo de um barco pesqueiro português, ancorado no porto de S. João da Terra Nova, provocou vários feridos entre a tripulação, feridos esses que foram imediatamente transportados ao hospital.
A agência France Press que ontem divulgou a notícia ao princípio da noite acentuava o facto de não serem conhecidos mais detalhes sobre a explosão, seguida de incendio, nomeadamente o nome do barco e o número e identificação dos feridos.”

A 3 outubro o Diário de Lisboa volta ao assunto:
“A marinha costeira canadiana renunciou ontem ao desencalhe do arrastão português “Vasco d’ Orey”, que se incendiara quinta-feira, provocando a morte de dois membros da tripulação e ferimentos em dez outros marinheiros.
O arrastão com 1.820 toneladas, derivara uma milha da entrada do porto de São João da Terra Nova, depois de ter sido rebocado sempre a arder, fora das instalações portuárias. O incêndio que deflagrara quando o “Vasco d’ Orey” acabava de encher os depósitos de combustível, extinguiu-se por ele próprio na sexta-feira. A Polícia e a marinha costeira de São João da Terra Nova tentaram ontem encontrar o corpo do marinheiro que pereceu na sala das máquinas, mas não conseguiram lá penetrar.
A marinha costeira canadiana terá agora de bombear os 90.000 litros de fuel contidos nos depósitos do “Vasco d’ Orey”, ou de lhe pegar fogo para evitar qualquer poluição.”

Fontes: Museu Marítimo de Ilhavo; blog marintimidades; arquivo Diário de Lisboa;
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