Picos ancorenses
No Vale do Âncora, abrigado do vento norte pelas frandas da Serra D’Arga e, do vento sul pelos contrafortes do Monte de Santa Luzia, numa vasta planície de aluvião, fértil de pastagens, onde os grandes herbívoros, depois do gelo do Wurtimiense e, talvez mesmo, do “optimum post-glaciar”, faziam companhia a um grande centro comercial que, do mar, extaia os seus principais produtos alimentares, bem documentados pelos numerosos “picos” existentes nas praias do litoral a que Serpa Pinto chamou, justamente, de industria do “ancorense”.
Coube de facto a este ilustre geólogo (1925), o mérito de pela primeira vez assinalar nesta zona, a presença de uma indusria Pré-histórica, sobre seixos quartziticos em níveis de praia elevada (5 a 10 metros), nomeadamente entre o Forte do Cão e Moledo.
Ora, por analogia com o “pico” do verdadeiro “asturiense”, fácies industrial encontrado em várias grutas das Astúrias (Espanha) e em Biarritz (França), muitas vezes se confunde o “ancorense” com o “asturiense” embora a tipologia essenta aos dois picos como instrumentos sobre seixo rolado, e secção triangular conservando o córtex sobre uma das faces, tendo sido grosseiramente destacadas lascas da outra, de maneira a formar uma parte oposta ao talão.
De acordo com escavações efectuadas pela Unidade de Arqueologia da UM (1980) e na base de um corte realizado no Forte do Cão (Gelfa), identifica-se um nível arqueológico com utensílios líticos in situ, nível esse que atesta uma formação geológica designada por areno-pelítico e poderá corresponder a um solo post-glaciar de idade indeterminada.
Porém, os artefactos aí recolhidos, núcleos, choppers e lascas, algumas retocadas em raspador, podem ser provisoriamente atribuídas ao Epipaleo ou seja 8.000 a.C.
Junto aos “picos ancorenses”, nomeadamente na zona do Caído foi encontrado material lítico como raspadeiras, discos e pontas, além de pesos de rede, idênticos aos que Afonso do Paço encontrou em Carreço no sítio do Cantinho.
Fonte: Lourenço Alves in "Monografia do Concelho de Caminha"
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