O naufrágio do "Cabo Oropesa"
Há várias versões para o acidente que aconteceu a norte da barra de Caminha onde encalhou, na manhã de 21 de Agosto de 1917[1], o vapor “Cabo Oropesa”, da Companhia Ybarra, de Sevilha, de 1.522 toneladas, construído em 1903 pelos estaleiros escoceses "Grangemouth & Grenoch Dockyard", que procedia do Mediterrâneo, com carga geral e passageiros.
Nessa persuasão, foi dado rumo nordeste ao navio, que foi
encalhar nos “petões de ferro”, como lhe chamam os marinheiros
espanhóis, nos “Baixos de Ribel”, os mais terríveis baixios da costa
galega. Por outro lado, há relatos que o naufrágio ocorreu nos baixios
denominados por “Pedralva” e “Rabelina”, na Foz do Rio Minho.
A sirene de bordo silvou e as traineiras aproximaram-se do
navio, mas nada puderam fazer. Para aliviar a embarcação, foi alijada toda a
carga da coberta – vinho, barris, azeite, álcool, aguardente, etc., porém a
situação do navio não melhorou; pelo contrário, de momento a momento, mais se
comprometia. Parte da carga foi recolhida pelos pescadores de La Guardia, que
rodearam o vapor com as suas gamelas.
Na tarde do dia seguinte foi pedido auxílio a um vapor
norueguês que passava, o qual intentou arrancar o “Cabo Oropesa” do
perigoso lugar, mas não o conseguiu, navegando depois para o sul.
Ao anoitecer, por ordem da casa armadora chegou ao local do
naufrágio o vapor “Triana” que estava atracado em Marín (Pontevedra), trabalhando
com o auxílio do vapor “Maria”, de Constantino Candeira e de algumas
barcas do rio, no transbordo da carga.
As mercadorias foram armazenadas em terra na Vía (Muelle) e na Ribeira, entre elas várias dúzias de pipas de vinho que durante a noite eram furtivamente furadas com brocas para degustação do precioso líquido!!!
O trabalho de alijar carga teve de ser suspenso antes de
terminado devido ao mau tempo, pois o mar varria a coberta de popa à prôa.
Dias depois, o “Cabo Oropesa” foi posto a flutuar com
o auxílio dos rebocadores “Roberto” e “Utrech” da “Sociedade
de Salvamento Molins, Valverde & Cª”. Reparadas as avarias foi posto
novamente em serviço. Há notícias de terem dado à costa nas praias de Caminha,
Moledo e A Guarda, vários utensílios de bordo e alguma carga.
Duas curiosidades sobre este acidente marítimo: Não sabemos
se teve alguma relação com o naufrágio o suicídio do sub-ajudante da Marinha da
Guarda D. Justo Martinéz Gómez que se lançou da varanda do posto de Marinha
local, poucos dias depois do naufrágio; dez anos depois, a 1 de dezembro de
1927, outro navio mercante com o mesmo nome “Cabo Oropesa” que vinha de
Bilbau para Vigo com carga geral, foi abalroado pelo cargueiro “CIS” e
naufragou entre Corrubedo e a ilha de Sálvora. Os náufragos foram recolhidos
pelo “CIS”, mais tarde transladada para outro navio e finalmente
desembarcados no porto da Corunha.
[1] Há
fontes que apontam 28 e também 29 de agosto como a data do naufrágio, mas os
artigos de imprensa que referem o incidente são claros e apontam todos para o
dia 21.




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