Superstições, crendices e lendas IV

O alho é considerado um poderoso amuleto contra feitiços e mau-olhado. Utilizar um dente de alho junto ao corpo ou dentro de uma peça de roupa, protege e exorciza qualquer tipo de mal. Por outro lado, é utilizado em muitas mezinhas de cura, quer em pessoas, quer em animais, na cura de doenças diversas entre as quais se cita a papeira, em que a forma de cura era utilizar um colar feito com dentes de alhos ao pescoço.
Havia inúmeras superstições, que nada tinham a ver com o mau-olhado como:
Quem partir um espelho, terá sete anos de azar; se o galo cantar a desoras, é prenúncio de desgraça certa; não se deve passar por baixo de uma escada, uma vez que traz o azar para quem o faz; se um boi, passando na rua, mugir diante de uma casa, é sinal que algum dos seus moradores morrerá; para desejar sorte e fortuna aos noivos, faz parte da praxe que após o casamento os convidados joguem sobre os noivos bagos de arroz ou pétalas de rosa; o noivo não deve ver a noiva vestida com o vestido de noiva antes do casamento; se no dia do casamento estiver a chover é sinal de felicidade para os noivos, por isso há o adágio popular “Casamento molhado, casamento abençoado”; varrer os pés de uma rapariga solteira pode significar que ela nunca mais vai casar; não se deve casar à sexta-feira porque dá azar; apontar para as estrelas faz nascer verrugas; quando um galo canta antes da meia-noite, é sinal de navio na barra ou que alguma filha foge de casa; o mocho, o corvo, o besouro e a coruja são animais sinistros, cuja aparição povoa de medos e fantasmas a imaginação popular.

A morte é outra fonte inspiradora de superstições e crenças; quando se vai acompanhar um defunto, para ele não lembrar mais, ou a alma dele não aparecer, deve deitar-se-lhe na cova uma mão cheia de terra; quando morre alguém, não devem apagar as luzes que estiveram a alumiar o morto até que o corpo chegue à igreja; é bom pregar alfinetes no vestido dos “anjinhos” porque eles vão pedir pela pessoa que os pregou; quando alguém morre afogado e não vem à praia, para que o corpo apareça deve a madrinha ir à beira de água e chamar pelo nome do defunto; quando ao pé de um afogado chega um parente próximo ou remoto, o morto começa a deitar sangue pelos olhos e pelo nariz.
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