Superstições, crendices e lendas II
Os gatos pretos desde sempre foram associados a práticas de magia negra; eram os eternos acompanhantes das bruxas. Daí a superstição de que cruzar com um gato preto, sobretudo em dias considerados de azar, como uma sexta-feira 13, ou encontrá-los à meia-noite junto a uma encruzilhada, fosse sinal de mau presságio.

Um cão a uivar, adivinha morte ou doença nas proximidades. Para que o cão deixe de uivar, deve-se colocar o sapato esquerdo virado para cima.
Os sapos eram animais que serviam para a prática de bruxaria. Recorriam as bruxas a este meio de magia negra como forma de causar a doença ou a morte daqueles que queriam atingir. Desta forma, sacrificavam estes animais com práticas selvagens, como, por exemplo, cozer a boca do mesmo, acreditando que assim, há medida que o animal ia secando, definhando, acabando por morrer de fome e de sede, a pessoa a quem se destinava o feitiço, seria atingida da mesma forma.
Para as bruxas não molestarem, põe-se de fora uma ponta da fralda da camisa. Para elas não entrarem em casa deita-se pelos cantos uma mistura moída de mostarda, sal e milho.
Quando aparece uma aranha pequena em cima de nós ou em casa, não se deve matar, porque estas são prenúncio de sorte e fortuna ou pode anunciar a vinda de uma carta.
O cavalo-marinho, depois de morto, é muitas vezes utilizado como talismã, porque atrai a sorte e protege do mau-olhado para quem o tem.
O “mau-olhado” tem características semelhantes em diversos países e na Galiza pertence às superstições mais enraizadas. Consiste em:
“...suponer que el hombre, con ayuda o intervención del demonio, es capaz de producir males materiales por la influencia de su mirada, sobre el individuo, sobre los animales y aun sobre la hacienda” (López, 1910)
Isso significa que podia produzir doenças ou destruir qualquer coisa. Não são apenas as bruxas com o seu olhar penetrante e malicioso que podem gerar maldade sobre outra pessoa. Acreditava-se que havia pessoas que possuíam esse “dom” e que o podiam usar mesmo involuntariamente.
Por isso tentavam proteger-se com vários remédios contra as maldades. O chifre de alguns animais (corno de boi, bode, cervo ou dente de javali) ou um ramo de funcho, são amuletos protectores para o mau-olhado e bruxaria em geral, mas também como talismãs que proporcionavam a sorte e a fortuna aos que os possuíssem. Antigamente era costume as pessoas pendurarem um destes amuletos atrás da porta de casa ou a bordo da embarcação.

Fazer cruzes sobre as redes, colocar os andores voltados para o mar por ocasião das procissões, dar a bênção sobre o mar e as embarcações, descobrir-se levando a mão às boinas e dizer à saída para o mar “Vamos com Deus", ou ”Vamos largar com Deus”, no momento de lançar as redes, orações e promessas, conviviam com ferraduras desenhadas na embarcação ao lado de cruzes, o uso de um alho-porro escondido na embarcação e outros artefactos para cortar a inveja e o mau-olhado. Ir à bruxa para se livrar do feitiço e fazer defumos, eram práticas capazes de travar os períodos insistentes de pescas sáfaras quando não viam razões que explicassem tanta falta de sorte.
E, este, coitado, incluía uma dose de algo fora do racional. Assim, quando esta situação de escassez na pesca continuava, havia que recorrer ao defumo do mestre, quando não da companha inteira e até da embarcação.
Os defumos diferem do esconjuro galego, mais antigo. Os nossos defumos já eram cristianizados tal como este:
“ Nossa Senhora pelo Egipto passou
Alecrim verde apanhou para seu Menino defumar;
Assim eu te defumo em cruz
Para melhorar.
Deus te deu, Deus te criou, Deus te desencante
De quem te encantou.
Dois olhos te viram, quatro te seguirão,
Dois da Virgem Maria e dois de S. João.
Outras vezes, surpreendidos com um qualquer efeito negativo insólito, vinha-lhes à boca espontaneamente, ao mesmo tempo que se persignavam: “Credo em cruz santo Nome de Jesus”, seguido de uma série de imprecações a exorcizar o espanto.
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