Superstições, crendices e lendas V
A lua também tem influência em alguns usos e costumes tanto do meio rural como piscatório. Os pescadores acreditavam que as melhores luas para pescar eram a lua nova e a lua cheia, porque aproximam mais o peixe da costa.

Quando uma mulher tem sete filhas e o oitavo é homem, esse menino será lobisomem. Também o será o filho de mulher amancebada com um padre.
O lobisomem pode ser alguém a quem “faltaram palavras no baptismo”, por isso o Credo rezado durante a cerimónia era cuidadosamente recitado pelos padrinhos. A infelicidade de escapar alguma palavra podia acarretar para o afilhado a desgraça de “correr o fado”. Também se aplicava à “procissão dos defuntos”, pois acreditava-se que as pessoas que “viam” este desfile premonitório da morte, eram vítimas da falta de palavras no Credo rezado durante a cerimónia do baptismo. Na Galicia esta procissão era conhecida por “La Compaña”.
O lobisomem durante o dia é uma pessoa normal, mas a altas horas das noites de lua cheia uma força irresistível impele-o para fora de casa. Como o nome diz, é metade lobo, metade homem. Depois de se transformar numa encruzilhada de caminhos, procura sangue, matando ferozmente tudo o que se move. Antes do amanhecer, ele procura a mesma encruzilhada para voltar a ser homem.
Havia a crença que os lobisomens têm preferência por bebés não baptizados, o que faz com que as famílias baptizem as suas crianças o mais rápido possível. Também se diz que o lobisomem após se transformar, tem de atravessar correndo sete cemitérios ou visitar sete fontes até o amanhecer, para voltar a ser humano. Caso contrário ficará em forma de besta até à morte.
O lobisomem é um ser lendário, com origem muito antiga na mitologia grega e a representação na figura híbrida de homem e lobo não é alheia ao desassossego que este animal provoca, desde tempos imemoriais, no imaginário colectivo. Não se estranha, por isso, que no fabulário popular o lobo apareça como símbolo do mal e que o conceito de lobisomem, enquanto produto da fantasia popular, possa ser considerado como uma tentativa de apresentar uma criatura onde se conjuga a ferocidade maléfica do lobo com as emoções, ora angustiosas, ora igualmente maléficas, do homem (Parafita, 2012).
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