Contrabando de armas em 1911

Após a implantação da República em 1910, ocorreram diversas tentativas para restaurar o poder monárquico deposto.


Embora sem uma relação direta com a nossa terra há um acontecimento curioso que podia ter alterado o rumo dos acontecimentos e criado problemas graves na Praia d’Âncora.


Vamos a factos: Em 1911 os exilados monárquicos na Galiza comandados por Paiva Couceiro procuravam reunir meios humanos e materiais para lançar uma invasão no norte de Portugal, teoricamente zona onde poderiam dispor de mais apoios, dado o carater mais conservador da sociedade e maior influência do clero sobre as populações.


Em julho de 1911 foi descarregada no porto de Vilagarcia de Arosa, cerca de 15 toneladas mercadoria identificada como “maquinaria”. Esta mercadoria tinha sido embarcada no porto de Antuérpia e provinha da Alemanha.


garda civil - estação de ourense.jpg


Elementos da Guarda Civil juntos do vagões apreendidos - 1911


Em Vilagarcia de Arosa foi carregada em três vagões da “The West Galicia Railway Company Limited”, encetou viagem até Ourense e daí iria seguir para Vigo, quando o comboio foi detido pela Guarda Civil, que ao vistoriar os ditos vagões encontrou armas e munições para as forças monárquicas portuguesas.


Do rol de mercadoria apreendida constavam: 4 canhões Krupp e respetivas treliças alem de 1000 granadas ordinárias e 320 de metralha. Para infantaria haviam 6032 espingardas, 166 caixas de munições contendo cerca de 200.000 cartuchos, 47 fuzis de artilharia e diverso material relacionado com o armamento atrás descrito.


O material apreendido foi transladado para Vigo e armazenado nos Castelos de Castro e San Sebastián às ordens do Estado Espanhol.


Com este armamento seria expectável que Paiva Couceiro lançasse parte das suas forças por Valença em direção a Viana e ao Porto, seguindo um trajeto convergente com as outras colunas que entrariam por Chaves em direção a Braga e por Bragança.


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Notícia do contrabando de armas em jornal galego - 1911


Na realidade as forças monárquicas, cerca de 950 homens na maioria desarmados que entraram por Bragança a 4 de outubro de 1911 foram facilmente rechaçados.


Em 1912 regressariam, desta vez privilegiando Valença e Chaves, onde se deu o maior confronto, que acabou com a retirada de Paiva Couceiro para o interior da Galiza.


Por isso fiz aquela afirmação que a Praia d’Âncora, terra Republicana, poderia ter sido palco de uma das aventuras couceiristas, não fosse a Guarda Civil Espanhola estar vigilante e atuar no momento exato.

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