As barcas de passagem do Minho
Enquanto procedia ao trabalho de investigação que conduziu ao lançamento do livro “O Carôcho do Rio Minho” em 2021, encontrei, entre outras, dificuldade de ilustrar/descrever as barcas de passagem existentes neste rio e que serviam para transporte de pessoas, animais e mercadorias. Um pouco como os barcos de água arriba do Rio Lima, só que estes navegavam à vela e à vara, enquanto os do Rio Minho tinham de ser rebocados.

Recentemente, ao procurar outros dados, reencontrei umas magníficas fotos na revista “Illustração Portugueza”, datadas de 1911 e que nos permitem observar alguns pormenores das referidas embarcações, designadamente a capacidade de carga.
Uma estória curiosa sobre estas barcas de passagem que me foi partilhada pelo Luís Marrocos de Lanhelas, diz respeito a um médico galego bem conhecido, que quando vinha “ao lado de cá”, entrava na barca montado no seu cavalo.

Estas barcas eram rebocadas por “carôchos” e dirigidos por leme próprio. Certamente que este seria um dos poucos momentos que o “carôcho” seria operado por dois remadores, tendo em conta o peso a rebocar, não podendo ser desprezado o auxílio do fluxo das marés para ajudar a fazer a travessia.

Estas barcas operavam no troço navegável do rio, entre Valença e o estuário, mas havia outro tipo de barcas de passagem a montante, nas zonas de pouca profundidade e com frequentes “ranhas”. Eram uma espécie de “chatas” com cerca de cinco metros de comprimento, geralmente dispunham de dois remos, mas eram operados principalmente à vara e serviam para deslocações de pequena distância, transportando pessoas e mercadorias.

Este tipo de embarcações era muito comum e em Portugal podiam-se encontrar em diversos locais como no Rio Coura ou no Vouga, onde existiam pelo menos três modelos que variavam ligeiramente entre si.
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