Consequências da guerra civil espanhola
Eram outros tempos, dificeis, miseraveis, intolerantes e perigosos. Hoje parece ridículo, mas os nossos avós passaram por estas dificuldades à qual se juntava a fome e a vontade de comer (perdoem-me a expressão).
Negar estas evidencias revela uma ignorancia confrangedora e um cinismo atróz.

Diário de Lisboa, 31 de julho de 1938
"SEIXAS DO MINHO, 30 – Encontravam-se os pescadores João Lagoa, o “Cantante”, António Sant’Ana e Martins Cascais, na “morra” denominada da “Canosa”, situada no meio do rio Minho, a venderem panos de algodão a um grupo de mulheres espanholas quando surgiu um carabineiro daquele país que fez fogo sobre todos eles, disparando onze tiros de pistola. Os vendedores e compradores debandaram, uns, para Portugal e outros para Espanha. Parece que não houve ninguém atingido.
Os tecidos que ali se vendem saem de Seixas legalmente, pagando direitos de exportação e respetivas licenças, mas do lado de Espanha é proibido naquelas condições a importação.
Já há dias no mesmo local foram presos, em idênticas condições pela marinha espanhola, os pescadores Manuel Fiúza, o “Canas” e João Cunha Braga que foram conduzidos para Pontevedra.
Também nesse local um outro pescador João Mouro foi alvejado e ferido com um tiro de pistola.
Na “Morraceira”, pequena ilhota portuguesa, também situada no meio do rio Minho, faz-se uma autêntica feira de panos de algodão, que nas marés baixas são procurados pelas mulheres espanholas das povoações da fronteira e que estas procuram levar clandestinamente."
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