Patrulhas do Rio Minho
Em 1864, Portugal e Espanha assinaram o “Tratado de Limites” onde estabeleceram que as águas, cujo curso determinam a linha internacional, passassem a ser de uso comum para ambos os países. Posteriormente o “Regulamento relativo aos rios limítrofes entre Portugal e Espanha” dispôs que a pesca e a navegação no rio Minho, fossem vigiadas por vasos de guerra de cada país.
No que diz respeito à Marinha de Guerra de Portugal, fontes dizem terem sido cinco e outras apenas quatro olvidando a primeira lancha; no entanto estou convencido que foram cinco as embarcações afectas às tarefas de vigilância e fiscalização deste rio minhoto a partir de 1864, para fazer cumprir o tratado e regulamento atrás referido, foram elas:
RIO MINHO (1) – Lancha canhoneira de fiscalização fluvial, 13,5m/35tons, 1 máquina a vapor de 60cv, 1 hélice, 8 nós, 15 tripulantes, 2 peças de bronze de carregar pela boca. Provavelmente construída em Lisboa, prestou serviço no rio Minho de 1864 a 1877. Havia uma embarcação gémea: GUADIANA, que prestou serviço no rio Guadiana de 1865 a 1875.

RIO MINHO 1864 A 1877
RIO MINHO (2) – Lancha canhoneira de fiscalização fluvial de madeira à vela, 13,5m/18tons, 0.80m calado, 13 tripulantes incluindo um segundo tenente como comandante, 1 peça de bronze calibre 8 de carregar pela boca, 103m2 de superfície vélica. Construído no velho Arsenal de Marinha de Lisboa e lançado à água em 09/07/1881 para serviço no rio Minho, onde serviu até 1905.

RIO MINHO 1881 A 1905
RIO MINHO (3) – Lancha canhoneira de fiscalização fluvial de aço, 24,60m pp/38tons, 0,70m calado, lançada água a 02/11/1905 no velho Arsenal de Marinha de Lisboa, baptizada de INFANTE D. MANUEL, equipada com uma máquina a vapor de 64cv, que accionava duas rodas de pás posicionadas lateralmente a meio-navio que lhe dava 7,5nós, 49 tripulantes incluindo um primeiro-tenente como comandante, uma peça Hotchkiss com o calibre de 37mm, montada em caça. Foi abatida ao efectivo dos navios da armada, por obsoleta, em 14/12/1948.
A sua construção foi parcialmente paga com o que sobrara da subscrição aberta entre os emigrados portugueses no Brasil, como resultado do "ultimato inglês", e de cujo produto se construíram cinco outros navios de guerra.
Com a implantação da República em Portugal a 05 de outubro de 1910, a INFANTE D. MANUEL teve o seu nome alterado para RIO MINHO.

INFANTE D. MANUEL, depois RIO MINHO 1905 A 1948
RIO MINHO (4) – Lancha de fiscalização fluvial, 15m/13,5tons, 0,80m calado, 2 motores Diesel Alfa-Romeo 130cv no freio, garantindo 9 nós de velocidade, 2 hélices, 2 metralhadoras de 7,62mm, 8 tripulantes. Foi construída em madeira com obras vivas revestidas por chapa de cobre e lançada à água a 03/03/1955 no Arsenal do Alfeite, tendo sido aumentada ao efectivo dos navios da Armada em 06/02/1956, ficando baseada em Caminha até ser abatida ao efectivo em 1983. Possuia o número P377 pintado a preto em ambos os costados e na popa.

RIO MINHO P377 de 1956 a 1983
RIO MINHO (5) – Lancha de fiscalização fluvial destinada, exclusivamente ao patrulhamento do rio Minho, 22,40m/70tons, calado 0,77m, autonomia 800 milhas à velocidade de 9,5 nós, construída pelo Arsenal do Alfeite e colocada na água a 27/03/1991, tendo sido entregue à Marinha de Guerra em Junho seguinte. Apresenta a característica muito especial de ser propulsionada por jactos de água omnidireccionais, pelo que não necessita de ter hélices, o que lhe confere excelente capacidade de manobra e permite um reduzido calado de água, como convém para navegar naquele rio internacional pouco profundo. Os dois motores são KHD-DEUTZ, modelo SBA 6M816, cada um com a potência de 240 kW.
A lancha que tem o número P370, possui espaçosos alojamentos para a guarnição, constituída por um oficial e um sargento, ambos com camarote privativo, e seis praças.

RIO MINHO P370 de 1991 até atualidade
Símbolo Heráldico – Flâmula azul dividida em quatro bandas por listel de prata posto em banda, carregado da legenda “NRP RIO MINHO” em letras negras maiúsculas, de tipo elzevir, e a primeira partição do escudo carregada de uma lampreia de prata.

Fontes: "Navios à vista" blogue do meu saudoso amigo Rui Amaro, desenhos de Luís Filipe Silva
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