Verbo de Encher
Terminou mais uma edição da Feira do Livro de Vila Praia de Âncora, a décima quarta, que foi animada por um conjunto de atividades variadas, desde tertúlias, teatro, espetáculos musicais e desfiles de moda.
Não me compete ajuizar sobre estas animações, no que se refere à tipologia, qualidade ou pertinência, apenas me parece algo desgarrado realizar os espetáculos na Praça da Republica, com a Feira a realizar-se noutro local. Digamos que não joga a bota com a perdigota.
Sobre a Feira do Livro propriamente dita, como espaço, momento e oportunidade de aquisição de livros e outras publicações, de esclarecimento, de debate literário informal, foi um fracasso. Tanto em localização, conteúdo, divulgação e calendário, este evento não esteve ao nível de outras edições anteriores, quando a Feira do Livro representava um marco importante na agenda cultural Ancorense.
Compreendia, embora sem concordar, que a Feira do Livro se realizasse na Praça da República, quando o argumento era dar animação ao centro nevrálgico da Vila e captar para esta mostra, o maior número possível de visitantes.
Todos nos recordamos que as primeiras edições foram realizadas no Parque Ramos Pereira e após as obras de requalificação, tudo parecia indicar que a polémica praça junto à estátua do Dr. Ramos Pereira, iria servir, entre outras finalidades, para continuar a acolher a Feira do Livro. Assim não aconteceu, pois esta assentou arrais na Praça da República, e desde há dois anos a esta parte parece ser encarniçada a vontade de a “esconder” no edifício do Centro Cultural.
A conclusão é óbvia, não há público, nem vendas, dois fatores determinantes para aferir o sucesso ou insucesso de um evento desta natureza.
O que me espanta é entidades como a Ancorensis e a Câmara Municipal, com ampla experiencia na organização de eventos, alinharem repetidamente neste erro. Costuma-se dizer que “à primeira qualquer um cai, à segunda só cai quem quer”.
Posto isto, questiono-me sobre a utilidade daquela praça no Parque Ramos Pereira, onde o homenageado (Dr. Luís Inocêncio Ramos Pereira) foi “arrumado” a um canto, onde evoluem bicicletas e carrinhos de aluguer, espaço que em breve se metamorfoseará em esplanada, mas onde a arte e a cultura parecem proibidas de se instalar.
Questiono-me sobre que interesses serve uma Feira do Livro serôdia, com um diminuto leque de oferta livreira, remetida para os corredores do Centro Cultural, sem visitantes, quase abandonada, não fosse a persistência e abnegação do alfarrabista Rafael Capela.
Questiono-me sobre a oportunidade de fazer coincidir o fim-de-semana de encerramento da Feira do Livro, com a abertura da Festa da Sardinha.
Questiono-me sobre o silêncio da Junta de Freguesia, que se limita-se a emprestar o seu nome ao cartaz da organização, sem ter um papel ativo na definição da estrutura do evento, bem como no ordenamento e utilização do seu território.
Faço votos que haja algum bom senso e que sejam retirados das menos valias desta edição que agora termina, os ensinamentos necessários para se regressar aos êxitos das Feiras do Livro de outros tempos.
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