Dólmen da Barrosa

Designação


Dólmen da Barrosa / Anta da Barrosa / Lapa dos Mouros

 

Localização

Viana do Castelo, Caminha, Vila Praia de Âncora, Lugar da Barrosa, Rua Miguel Bombarda

   

Protecção

Monumento Nacional, Dec. 16-06-1910, DG 136 de 23 Junho 1910

 

Enquadramento

Urbano. Dentro da povoação de Vila Praia de Âncora, ergue-se no meio de um terreno particular, à direita da estrada e vedado por alto muro; nas imediações tem casas de habitação.

 

Descrição

Anta formada por câmara e corredor indistinto. A câmara, de planta poligonal tem 8 esteios, estando o da cabeceira partido, e a mesa (com superfície de 10,50 m2) que assenta sobre 3 deles. Corredor largo e desenvolvido com 6 m. x 1,46 m., segundo João Castro Nunes composto por 4 lajes, 2 de cada lado, estreitando ligeiramente para a entrada, virada a nascente, inflectindo para NE.

Escavações de 1948 puseram a descoberto, entre outras, 1 laje que entrava profundamente na parede da anta entre o espaço do último esteio do corredor e o primeiro da câmara. A Anta da Barrosa já não tem mamoa, contudo conserva alguma ornamentação característica da arte dolménica nas 3 lajes encontradas por Castro Nunes durante as escavações. São elas as linhas ondulantes (serpentiformes) e sinais em U obtidos por percussão.

 

Utilização Inicial

Funerária: Monumento de tumulação colectiva

 

Utilização Actual

Marco histórico-cultural

 

Propriedade

Privada: pessoa singular / Pública: municipal

   

Época Construção

Idade do Bronze (conjectural)

 

Cronologia

2000 - 1700 a.C. - Barreira cronológica para a sua construção, segundo João Castro Nunes;

Séc. I e II - ocupação romana, revelada pela descoberta de fragmentos de louça grosseira e de telha romana;

1879 - Martins Sarmento procede à recolha de parco espólio durante as escavações arqueológicas;

2000 - diagnóstico, elaboração de proposta e assistência técnica para a conservação, beneficiação, salvaguarda e revitalização pela DREMN.

 

Tipologia

Marco histórico-cultural, pré-histórico. Monumento megalítico com dólmen de apreciáveis dimensões, inserindo-se na tipologia do Noroeste Peninsular dos dólmens de corredor e, dentro desta, no sub-grupo apontado por G. Leisner com câmara e corredor indiferenciados.

Se esta indistinção é nítida ao nível da planta, ela já é mais problemática ao nível do alçado, dado o mau estado do corredor, pois actualmente o seu primeiro esteiro é nitidamente mais baixo do que a câmara, marcando assim uma ruptura de volumes.

 

Características Particulares

Constitui o monumento megalítico maior, mais importante e mais bem conservado até agora encontrado no Vale de Âncora, zona rica nesta cultura.

As suas dimensões fazem-no destacar do megalitismo do Noroeste Peninsular, caracterizado pela modéstia de proporções dos dólmens. Exceptuando-se a Anta de Santa Marta (Penafiel), o Dólmen da Barrosa é também aquele em que o corredor atinge maiores proporções.

 

Bibliografia

CARVALHO, Gen. Mesquita, O Dólmen da Barrosa, Porto, 1898; PINTO, R. de Serpa, O Austuriense em Portugal in Trabalhos da Sociedade Portuguesa de Antropologia e Etnologia, vol. 4, Porto, 1928, p. 5 - 44; NUNES, João de Castro, Escavações no Dólmen da Barrosa in Revista Guimarães, vol. 61, Guimarães, 1951, p. 196 - 204; idem, Escavações no Dólmen da Barrosa (Âncora) II in Revista Guimarães, vol. 65, nºs 1-2, Guimarães, 1955, p. 154 - 159; s.a., Guia de Portugal, Lisboa, 1965; JORGE, Vitor Oliveira, Megalitismo do Norte de Portugal: Um Novo Balanço in Portugalia, nova série, vol. 4 / 5, Porto, 1983 / 84, p. 37 - 48; ALVES, Lourenço, Caminha e seu Concelho (Monografia), Caminha, 1985; VILAÇA, Raquel, Arte Megalítica in História da Arte em Portugal, vol. 1, Lisboa, 1986, p. 23 - 29.

 

 

Intervenção Realizada

1879 - escavações arqueológicas por Martins Sarmento;

1948 - escavações arqueológicas por João de Castro Nunes no interior e em circunferências;

1979 - arranjo e melhoramento.

 

Observações

Durante as escavações de 1948, Castro Nunes encontrou 2 lajes de granito, de diferente qualidade, à profundidade de 1 m., em posição horizontal do lado oposto à galeria, ali postos a esmo.

A 3ª laje, gravada em ambas as faces, foi encontrada, como já anteriormente referimos, criando certa separação entre o corredor e a câmara, e posta de cutelo ao mesmo nível da base das lajes laterais do corredor.

Devido ao seu interior estar completamente remexido, não foi possível estabelecer a estratigrafia do espólio. Como é comum nos demais monumentos megalíticos do N. do país, o espólio aqui encontrado é também pobre, em quantidade e qualidade.

Existe um litígio entre a Câmara e um dos proprietários esperando que o poder judicial se pronuncie sobre a posse de parte da Quinta da Barrosa, local onde está implantado este dólmen.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Comentários

  1. Nossa só acho que devido o valor cultural do local , o mesmo deveria estar em melhores apresentações . Em vista ao local achei totalmente abandonado ....

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  2. Tem toda a razão. Este marco histórico, dos mais representativos da Peninsula Ibérica está abandonado, não é valorizado em termos turístico, nem em termos culturais e ainda há pouco tempo foi vandalizado.
    Agradeço-lhe a visita e o comentário tão oportuno.

    Abraço

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  3. Bom dia. Pretendia visitar o Dolmen da Barrosa com um neto brasileiro, próxima semana. Por favor, alguém poderia dizer-me como chegar lá e se tem coordenadas de GPS. Obrigado
    TLBastos

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  4. Boa e interesante estudio do castro. Obrigado.

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