Ontem fui a S. João D' Arga
Ontem fui a S. João D’ Arga, à romaria popular da Serra D’ Arga, que se realiza todos os anos de 28 para 29 de Agosto e que reúne no pequeno santuário muitos milhares de romeiros.
Direi que a festa já não é o que era há uns anos atrás, hoje com tendas a vender pechisbeque made in China e todas as tretas que nos habituamos a ver nas feiras e romarias.
As tradicionais tendas de comes e bebes, a par do tradicional cabrito já “despacham” cachorros, hambúrgueres e pão quente com chouriço. A tradicional aguardente com mel, agora denominada estupidamente (por alguns) como “chiripiti”, não passa de uma aguardente comercial, baptizada com água, mel e açúcar amarelo.
É como vos digo, aquilo já não é o que era, mas mesmo assim ainda é das romarias populares, mais genuínas do Alto Minho. Tem algo insuperável que é o convívio intergeracional, pois convivem na mesma festa gente de todas as idades, de todas as condições sociais, sejam do campo, sejam da cidade.
Ontem não me meti na imensa confusão à volta dos coretos para assistir ao salutar duelo entre a Banda de Lanhelas e a Banda de Moreira do Lima. Deixei-me ficar a um canto do recinto, no local onde saboreei um belo sarapatel de cabrito e entretive-me a reflectir com uns amigos, sobre as condições em que se realiza esta festividade.
De facto, a comissão de festas limita-se a contratar duas bandas de música, ornamentar a capela com umas luzinhas de várias cores, espalhar pelo recinto algumas florescentes que o iluminem minimamente e ligar um gerador que abasteça de energia aquela rede mais que artesanal. Ah…. Já me esquecia! A Comissão de festas aluga o espaço àquelas tendas todas e recebe o dinheirinho que não deve ser tão pouco, bem pelo contrário.
E que é que a comissão de festas faz ao dinheiro? Bem, isso não sei e pelos vistos há muita gente como eu, que também não sabem onde o dinheiro é aplicado.
Uma coisa posso garantir, no recinto não é! Melhoramentos que se vejam, estão na construção de uns sanitários já há muitos anos e que hoje são totalmente insuficientes tal é a jabardice em que ficam, ainda antes de cair a noite.
A própria capela está a precisar de obras urgentes ao nível de isolamento da cobertura, os quartéis precisam de obras de restauro, não há uma iluminação decente e segura, não há uns sanitários em condições, nem sequer uma manutenção permanente nos dias da festa, os coretos precisam ser reformados, a área envolvente ao santuário podia ser limpa e arranjada de forma a acolher confortavelmente os romeiros, enfim, há bastante que fazer sem retirar o mínimo de tipicismo e de genuinidade à Romaria de S. João D’ Arga.
O que vejo é a romaria ter cada vez mais projecção, cada vez mais tendas, agora até já invadem o recinto do santuário, as condições são cada vez mais exíguas e degradadas face ao maior número de visitantes e a comissão das festas limita-se a olhar para o cu da galinha dos ovos de oiro.
Boa tarde
ResponderEliminarGostei da forma como descreveste a festa e infelizmente tenho que dizer que a degradação, o oportunismo e "os ovos de ouro" estão espalhados por todo o nosso lindo Portugal. Os produtos tradicionais estão a desaparecer, agora estão adulterados....
A essa festa nunca assisti, só assisti à senhora da Agonia e à Senhora da Bonança.
Eram outros tempos e outra gente!
Pedindo antecipadas desculpas pela “invasão” e alguma usurpação de espaço, gostaríamos de deixar o convite para uma visita a este Espaço que irá agitar as águas da Passividade Portuguesa...
ResponderEliminarGrato pelos Vossos comentários.
ResponderEliminarAbraço
Boa tarde.
ResponderEliminarGostei da descrição feita. As festas no nosso Minho são sempre lindas, não podemos parar no tempo.
A comissão das festas para o ano já devia ter sido apresentada, porque não se candidata para o outro ano, ideias são sempre vem vindas e das ideias discutidas surge sempre algo de positivo.
Desejo que as festas e romarias da nossa terra nunca caiam em desuso.
Até sempre