Ordenamento e desenvolvimento do Concelho de Caminha (Primeira parte)

Organizei e escrevi este trabalho no ano 2000 e revi-o parcialmente há meia duzia de meses. Os quadros incluidos não tem uma apresentação satisfatória, mas decidi mantê-los o mais identicos possivel aos originais. Porque o tamanho deste documento excedia largamente o máximo estabelecido pelo SAPO, será editado em três posts.


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O Concelho de Caminha constitui uma unidade territorial, económica e sócio-cultural diversificada, com características próprias e dotado de recursos e potencialidades que importa conservar e valorizar de uma forma sustentada, tendo sempre presente a necessidade de melhorar a qualidade de vida dos cidadãos.

Importa definir uma política de intervenção que privilegie a salvaguarda e valorização dos recursos naturais e culturais, cuidando da paisagem de uma forma global, promova a mobilização de recursos e potencialidades deste território e a articulação de medidas, que desencadeiem o desenvolvimento integrado.

Este documento pretende ser unicamente um contributo na análise sectorial, destacando as potencialidades e os constrangimentos, apontando algumas pistas, exprimindo um modo de pensar, que é discutível, que é certamente incompleto, mas que é uma forma de expressar o meu querer.

 

1        Recursos naturais

2        Património

3        Saneamento básico

4        Turismo

5        Industria

6        Acessibilidades

7        Sistema urbano

8        Ensino e Formação profissional

9        Relações transfronteiriças

10    Desporto

11    Segurança

 

 

1 - RECURSOS NATURAIS

 

Nos recursos naturais iremos abordar as questões relacionadas com os recursos ecológicos, geológicos, florestais, agrícolas e paisagísticos.

 

Recursos ecológicos – O Concelho de Caminha tem no Rio Minho e no seu estuário, o mais importante ecossistema ribeirinho do Alto-Minho.

 Este sistema, juntamente com o Rio Coura e o Rio Âncora, constituem zonas muito importantes pela elevada produtividade e pelo potencial como habitat de inúmeras espécies avícolas migradoras.

O Concelho tem também um ecossistema costeiro, na faixa desde a foz do Rio Minho até ao limite Sul da freguesia de Âncora. Esta faixa engloba um conjunto de muito diversificado de habitats, desde as praias, as formações dunares, a costa rochosa, ilhéus e rochas ilhadas.

 

Recursos geológicos – Não sendo um concelho rico em recursos geológicos metálicos, não deixa de ter referidas algumas potencialidades em Estanho (Sn), Nióbio-Tântalo (Nb-Ta), Ouro e metais associados, Lítio (Li) e Berílio (Be). Nos recursos geológicos não metálicos, de salientar o quartzo, feldspato e andaluzites.

 Estes recursos estão de uma forma geral concentrados no maciço da Serra D`Arga ou nas suas vertentes.

 Existe uma única exploração de rocha granítica de grande dimensão e por isso, com importante impacto visual em Vila Praia de Âncora.

 

Recursos agrícolas – O sistema de agricultura do concelho de Caminha é em grande medida de subsistência e de auto-abastecimento. Devido ao facto de apresentar uma organização social de produção camponesa, a sua lógica de funcionamento assenta na maximização do bem-estar do agregado e na manutenção e reprodução do aparelho familiar.

Assim, apesar das explorações não assegurarem a conveniente remuneração dos factores, o conjunto das receitas geradas pela exploração, remessas dos emigrantes, transferências da Segurança Social, e o exercício de actividades exteriores, assegura um nível de consumo familiar satisfatório.

 Tendo em conta a riqueza natural e paisagística do Concelho, que importa preservar, devem ser apoiadas medidas destinadas a potenciar o aproveitamento de recursos endógenos, revitalizar os sectores produtivos e melhorar as condições de vida da população residente.

O sector agrícola, destaca-se pela participação dominante das suas áreas na composição da paisagem rural, pelo peso relativo na afectação de recursos humanos e pela complementaridade económica, funcional e estrutural relativamente ao sector florestal.

 

Recursos florestais - O conceito de potencial florestal não deve ser encarado com o sentido redutor que o termo sugere, já que encerra todas as vertentes da silvicultura moderna, entendida na perspectiva do uso múltiplo dos sistemas: silvo pastorícia, cinegética, apicultura, produção de material lenhoso, resinas, biomassa e outros produtos directos, produtos indirectos e associados aos espaços florestais, composição e valorização da paisagem, valor recreativo e valor ecológico.

 O Concelho de Caminha, pelas suas condições ecológicas médias e, em particular, pelo seu clima temperado atlântico, com alguma influencia mediterrânea, é um concelho com razoável potencial florestal, não só pelo variado leque de espécies que é possível empregar, como pela respectiva produtividade.

 Verifica-se uma predominância do pinheiro bravo na nossa área florestal, sendo certo, no entanto, que as potencialidades locais para o desenvolvimento daquela espécie, são bastantes heterogéneas.

 Grande parte destas potencialidades deverão desenvolver-se em termos de silvicultura vocacionada para a valorização das funções de protecção e de enquadramento de outras actividades agrárias, embora não desprezando o aproveitamento económico.

 O Concelho tem, de uma forma geral, um considerável valor paisagístico, resultante de um bom equilíbrio entre as diversas formas de uso do solo e dos tipos tradicionais de organização das produções agrícolas e florestais, em mosaicos rurais que dominam a paisagem de muitas zonas, sobretudo a cotas de nível basal e submontano.

É importante que a florestação não ponha em causa os valores florísticos, faunísticos e paisagísticos, mantendo-se a necessidade de reconverter algumas áreas florestais existentes e rearborizar áreas ardidas, já que o fogo tem sido o maior flagelo florestal do Concelho.

 A conservação das formações vegetais dunares e estuarinas, deveria ser harmonizada com as finalidades da florestação na orla litoral, ou seja, a fixação de areias ou outros substratos moveis e um enquadramento e protecção adequados à vegetação natural, que é preciso conservar.

 

Recursos paisagísticos – Podem considerar-se essencialmente sete grandes tipos de unidades paisagísticas:

 

a)   Foz do rio Minho, associada ao litoral em Caminha, em que a paisagem fluvial se dilui ou funde com as praias atlânticas;

b)   Faixa ribeirinha dos Rios Minho, Coura e Âncora em trecho de vale aberto, desde a foz até aos limites do Concelho, caracterizada por margens relativamente planas e amplas;

c)   Áreas rurais de vales abertos, desde as faixas ribeirinhas até um terço ou metade da encosta, com a existência de núcleos principais e muita habitação dispersa, correspondente à existência de recursos e facilidades do declive. A agricultura vai da linha de água até à meia encosta, sendo a metade superior da encosta normalmente ocupada por bouça que dão lugar aos matos próximo das cumeadas;

d)   Áreas rurais em vale fechado, no interior, nas zonas de maior cota, em unidades fisiográficas de menor dimensão que as anteriores. A agricultura ocupa a meia encosta, sendo o fundo do vale ocupado por mata de caducifólias. Continua, no entanto a ter uma paisagem rural tipicamente minhota em termos de diversidade e compartimentação, ainda que seja mais notório o aglomerado concentrado, sem tanta habitação dispersa.

e)   Cumes e linhas de cumeada de grande qualidade visual e de extrema importância na especificidade da paisagem, pelo papel que desempenham na forte marcação dos contrastes com as zonas baixas e fundas dos vales e zonas ribeirinhas. São exemplo disso o Cobertorinho, monte de Sto. Antão, Espiga, Monte de Gois e Monte Calvário;

f)    Litoral desde a foz do rio Minho até ao limite sul do Concelho, ainda representa um exemplo razoável de utilização racional dos atributos da paisagem. O povoamento encontra-se disperso, mas arruma-se na maior parte, a nascente da linha do caminho-de-ferro. O uso florestal e agrícola dos solos litorais, melhoram substancialmente a panorâmica das praias, dos aglomerados e da estrada nacional, assim como a presença de algumas fortalezas litorais, sistemas dunares intactos e ecossistemas estuarinos.

g)   Zonas de montanha, limitadas às vertentes oeste e Sul da Serra D`Arga, com uma altimetria máxima de 805 m, evidenciam um elevado impacto visual. É na sua grande parte uma serra sem coberto vegetal, embora na vertente norte, que se estende até ao rio Coura, se encontra alguma vegetação ripícola, manchas de floresta perenifólia e mato rasteiro.

h) Também aqui, os incêndios florestais foram responsáveis pela destruição de centenas de hectares, principalmente de pinheiro bravo, localizados em cotas até cerca de 500 a 600 metros.

 

 

 



 


ELEVADO VALOR PAISAGISTICO


 


Praias, sistemas dunares e rochas litorais


Cursos de água e margens adjacentes


Terrenos agrícolas


 


 


MÉDIO VALOR PAISAGISTICO


 


Pinhais em dunas (Camarido)


Aglomerados (Moledo)


Povoamento disperso a nascente da EN-13


 


 


REDUZIDO VALOR PAISAGISTICO


 


Intrusões visuais (Exploração de inertes, ETAR, industria, etc.)


Aglomerados (V. P. Âncora)


Áreas florestais degradadas com espécies perenifólias (Gelfa)


 


Comentários

  1. joão andré rodrigues9 de novembro de 2008 às 00:29

    wtf?
    reduzido valor paisagistico: aglomerados(vpÂncora)?
    e caminha, n?
    morra

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