Ordenamento e desenvolvimento do Concelho de Caminha (Terceira parte)

4 - TURISMO

 

Se é inegável que o Concelho de Caminha tem um bom potencial turístico também é verdade que o modelo de desenvolvimento dos anos 80 e 90 foi gerador de desequilíbrios.

 

 

 



 


OFERTA


 


* Dependência quase total de um só produto (sol e praia)


* Oferta de alojamento envelhecida e desactualizada


* Carência de estruturas de animação


* Qualidade deficiente do meio envolvente: paisagem, saneamento básico, equipamentos


urbanos, acessibilidades e sinalização


 


 


PROCURA


 


* Dependência de um número restrito de mercados


* Procura interna limitada


* Elevada sazonalidade


* Imagem promocional pouco estruturada e inconsistente


 



 

 

Atendendo à procura que desejamos, propõe-se como intervenção, a modernização do tecido económico na área do turismo e do património cultural.

 

 



OFERTA


 


Diversificação dos produtos:


     investimento em novos produtos


     turismo desportivo; turismo cultural; turismo em espaço rural


     congressos e incentivos; turismo de saúde


 


Aumento da qualidade de oferta:


    modernização e reequipamento da oferta hoteleira existente


    investimento em novos empreendimentos de nível superior


    investimento em especial associação à recuperação do património construído


 


Investimento na área de animação turística


    recuperação de património com fins de animação turística


    controlo e repressão da oferta paralela e de má qualidade


    revisão de legislação e intensificação de fiscalização


    melhoria do profissionalismo em cooperação com associações empresariais e sindicais


    intensificação e alargamento das acções de formação


 


Requalificação das áreas turísticas


    melhoria das praias: ordenamento e limpeza


    melhoria do ordenamento e do respeito pelo ambiente e cultura local


    defesa do turista/consumidor


    melhoria da sinalização


 



 

 

 



 


PROCURA


 


Diversificação dos mercados:


    dinamização dos fluxos turísticos de mercados com potencial de crescimento


    privilegiar segmentos de maior qualificação económica e cultural


 


Dinamização do turismo interno


 


Diversificação dos produtos como contributo para diminuição da sazonalidade


 


Reforço da actividade publicitária internacional dirigida ao consumidor final:


    implementação de uma nova imagem de Portugal e dos seus produtos


    reorganização da estrutura e da política de promoção nos principais mercados


    intensificação da cooperação com o sector empresarial


    dinamização de programas em parceria (hoteleiros, operadores turísticos, agencias de


    viagens, companhias de aviação, municípios, C.R.Turismo e ICEP


 



 

 

 

 

As nossas debilidades são várias, passando pelas acessibilidades, a demografia, o mal estado quase geral do património edificado, a deficiente cobertura de informação turística, a existência de agressões ambientais e paisagísticas e o alojamento turístico.

 

 

INDUSTRIA

 

 

A iniciativa empresarial no norte de Portugal tem registado um comportamento que não difere muito dos modelos de industrialização que caracterizam as áreas predominantemente rurais. Para além do seu reduzido peso, apresenta-se fortemente concentrado nos concelhos de Viana do Castelo e V. N. de Cerveira.

O concelho de Caminha tem um desempenho industrial mínimo, devido à falta de investimento prolongado ao longo dos tempos, em infra-estruturas que facilitassem e captassem a residência de unidades de pequena e média dimensão.

Além dos constrangimentos físicos de falta de áreas com vocação industrial e até de uma falta de cultura e hábitos industriais da mão de obra disponível, a falta de acessibilidades e uma vocação primária para o turismo, proporcionada pelas condições naturais, leva-nos a uma situação de total dependência das poucas unidades de micro e pequena empresa, com baixa captação e fixação de mão de obra.

 É na faixa atlântica que mais se faz sentir a influencia do eixo que liga a Galiza à área Metropolitana do Porto e se faz sentir a maior influencia das relações transfronteiriças ao nível de todos os sectores da industria, comercio e serviços.

 Parece-me positiva a interpenetração no mercado de trabalho entre as duas regiões. Será no entanto prudente, que acautelemos a forma como essa interpenetração se venha a verificar.

 É necessário proceder a acções que visem o ordenamento e também em alguns casos a relocalização industrial com vista a evitar a degradação de um dos bens inestimáveis, o património ambiental e paisagístico, assim como a segurança de pessoas e bens, e criar condições atractivas para a fixação de novas unidades industriais.

 Após o encerramento de duas unidades de média dimensão, que em conjunto seriam responsáveis por cerca de 200 trabalhadores a situação reveste-se de gravidade acrescida, já que ainda não há procura de mão de obra em quantidade equivalente, cerca de seis anos depois. que o facto de estar já concluído, e a aguardar fase de selecção e implantação, o pólo industrial de Âncora não minimiza.

 Estando já previsto outro pólo industrial para Lanhelas, importaria também acelerar a sua implementação, tanto mais que sabemos, que as vizinhas zonas industriais do Concelho de V. N. Cerveira tem conseguido um sucesso assinalável.

Face às propostas de investimento sectoriais e, em cooperação com as associações empresariais e o ensino técnico profissional, deverão ser lançados cursos de formação profissional nas áreas requeridas.

A construção e a melhoria das acessibilidades rodoviárias naturalmente provocará uma alteração em toda a estrutura regional a que não ficará alheio o desenvolvimento industrial.

 

 

 

 

 

 

ACESSIBILIDADES

 

 

Sendo um Concelho litoral, tem problemas de caracterização, idênticos aos Concelhos interiores e ultraperiféricos, em grande medida por força dos acessos. Apesar de próximo da fronteira terrestre com a Galiza (30 Km), do Porto (90 Km), servidos por dois aeroportos a 50 e a 80 Km, com um porto de mar a 15 Km (pesca e carga), e atravessado longitudinalmente por caminho de ferro, o Concelho de Caminha continua longe de tudo, fruto das péssimas condições operacionais das estradas.

 Com a auto-estrada internacional (A4) a deixar de fora os concelhos litorais, a prioridade passou para o IC1, que representaria a solução para as ligações a Sul, ficando, nos tempos mais próximos, a ligação à Galiza a cargo da velha e desadequada EN-13.

Nas acessibilidades internas, de salientar a necessidade de uma ligação intermédia entre o Vale do Âncora e o Vale do Coura, visto só existir ligação litoral e de montanha.

 Também a ligação entre a EN-13 e a EN-301 terá num futuro próximo de ser alterada e desviada para fora do centro urbano.

 Revestir-se-á da maior importância a requalificação da EN-13, que esteve prevista para o final de 2001, no sentido de dotar esta via de maiores condições de segurança e de facilidade de utilização, principalmente após a execução do troço de IC1, entre Viana e Caminha.

Comentários

  1. Parabéns pela publicação de mais um capítulo! Era bom que os nossos autarcas o lessem para terem uma visão estratégica para o concelho de Caminha.

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